Ruço e Joel são inocentados!

Escrito por Resistência Camponesa
Publicado em 08/05/2008
Categoria: Edição nº 15
Cai por terra 4 anos de injustiça! *

* Nota da LCP - Liga dos Camponeses Pobres

Dia 04 de abril de 2007 Jaru nasceu mais feliz. Rojões deram a alvorada, dezenas de camponeses, estudantes e intelectuais comprometidos com a luta do povo empunhando bandeiras vermelhas bradaram palavras de ordem. Os camponeses Wenderson Francisco dos Santos, o Ruço e Joel Gomes da Silva, o Joel Garimpeiro, foram inocentados pelo júri popular!

Eles eram acusados injustamente da morte de um pistoleiro do latifundiário Galo Velho. O julgamento que durou 18 horas foi assistido por mais de cem pessoas, entre camponeses vindos de várias linhas e cidades, estudantes e professores de Porto Velho, populares de Jaru e representantes de  entidades democráticas.

Ruço e Joel foram muito bem defendidos por advogados pertencentes ao NAP-Brasil – Núcleo de Advogados do Povo do Brasil e à IAPL – Associação Internacional dos Advogados do Povo vindos de outros estados, além de um defensor público de Jaru. Eles derrotaram um a um os argumentos absurdos da acusação, encabeçada pelo promotor público Adilson Donizete de Oliveira.

Seu depoimento foi comovente, várias pessoas choraram ao ouvirem todo sofrimento que ele passou na prisão.

Ele foi preso em agosto de 2003, sofreu todo tipo de arbitrariedades e violência nas mãos do Estado repressor. Foi ameaçado de morte, foi transferido para o famigerado presídio Urso Branco, torturado, baleado, impedido de velar o próprio pai. Juízes rondonienses infringiram a lei em perseguições e ataques contra ele.

Latifundiários tentaram de tudo para condená-los. Além de influenciarem juízes e a polícia, usaram bandos armados de pistoleiros para ameaçar de morte um advogado e lideranças camponesas. Em seus jornais destilaram todo seu veneno em matérias mentirosas contra Ruço e o movimento camponês.

Nas vésperas do julgamento eles ainda tentaram intimidar os camponeses e apoiadores. Pistoleiros ficaram circulando em torno da sede da LCP – Liga dos Camponeses Pobres de Rondônia, em Jaru, viaturas policiais passavam em frente a toda hora. Três companheiros foram presos pela PM enquanto colavam cartazes sobre o julgamento de Ruço. Policiais ligaram para empresas de transportes ameaçando caso fretassem ônibus para camponeses virem dos lotes participar do julgamento. Montaram uma barreira policial em Theobroma para tentar impedir que o ônibus que trazia os camponeses chegasse a Jaru.

Toda esta repressão tem um motivo: Ruço, Caco e Joel lutavam pelo sagrado direito à um pedaço de terra para nela viver, trabalhar e ter uma vida digna com sua família. São exemplos de luta e organização para milhões que amargam a miséria nas periferias das cidades ou são explorados trabalhando nas terras dos outros. Os latifundiários fizeram todo este terrorismo durante 4 anos para amedrontar o povo. Caíram do cavalo!

Galo Velho e todos latifundiários estão se roendo de ódio, tiveram que engolir esta amarga derrota.

Então, o que estava em jogo neste julgamento, quem estava no banco dos réus não eram apenas Ruço e Joel e sim todos os camponeses pobres que lutam de forma combativa por seus direitos. Isto ficou muito claro na estratégia de acusação do promotor, a todo momento ele atacava a LCP de ser organização criminosa, de não ser registrada e ninguém saber quem são os líderes e de ter planejado a morte do pistoleiro de Galo Velho.

Este processo é só uma parte de um complexo plano de criminalização do movimento camponês, perpetrado pelo Estado burguês latifundiário e todos seus comparsas. Tratam como caso de polícia o problema social de milhões assolados pela miséria, fome e morte causados pelo sistema latifundiário em nosso país. Com isso tentam colocar a opinião pública contra a luta camponesa, querem esconder o que acontece nos rincões deste país onde os camponeses trabalham para sustentar o Brasil e lutam para escapar da morte que chega com as malárias ou pelas mãos de pistoleiros a soldo do latifúndio.

Foi a luta organizada de camponeses, estudantes e intelectuais honestos que arrancou Ruço das garras do latifúndio!

Nestes últimos quatro anos foi realizada uma grande campanha pela liberdade de Ruço e pelo fim do processo contra ele, Joel e Caco. Foram dezenas de manifestações e atos públicos, centenas de milhares de panfletos e cartazes com a foto de Ruço distribuídos, matérias em jornais impressos e na internet, entrevistas em rádios que atingiram cidades de vários estados brasileiros e até de outros países. Uma Carta Aberta colheu mais de 600 assinaturas de cientistas, intelectuais, advogados, professores e entidades democráticas nacionais e internacionais.

Jaru nasceu mais feliz, o Brasil amanheceu com uma vergonha a menos no dia 04 de abril de 2007. A verdade prevaleceu, mas ainda temos um longo e árduo caminho pela frente.

De um lado, os latifundiários continuam atacando os camponeses pobres em luta, suas lideranças e entidades. Seguem com sua campanha de criminalização do movimento camponês combativo. Seguem com os processos contra Caco, Derci e tantos outros camponeses.

De outro lado, os camponeses continuam lutando pela terra e pela Revolução Agrária. Continua a luta contra todos os bárbaros crimes cometidos pelo latifúndio contra os camponeses pobres.

Esta importante vitória em Jaru comprovou que estamos no caminho certo. Aproveitamos para agradecer todas as pessoas e entidades democráticas do país e do mundo que contribuíram de uma forma ou de outra. O movimento de apoio e solidariedade é imprescindível para a luta dos camponeses.

Para alguns, a inocência de Ruço e Joel pode parecer um fato pequeno. Mas não é. Para Ruço, representa sua tão esperada liberdade e para o povo é o prenúncio de grandes acontecimentos na história de nosso país. É o raiar do novo dia que vem vindo, um dia lindo, com terra, trabalho, justiça e liberdade para todo o povo, livre do latifúndio, da grande burguesia e do imperialismo!
   

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