Revolução Agrária entrega terras

Escrito por Resistência Camponesa
Publicado em 08/03/2009
Categoria: Edição nº 17
Jacinópolis

Famílias comemoram certificados de posse das terras em Jacinópolis - Janeiro de 2009Famílias comemoram certificados de posse das terras em Jacinópolis - Janeiro de 2009No primeiro dia do ano de 2009 as famílias que vivem e trabalham no acampamento José e Nélio realizaram uma cerimônia de entrega dos Certificados de posse das terras. Desde 2007 as 60 famílias tomaram parte das terras da fazenda Condor, transformando o que era pasto e capoeira em terras produtivas.

Organizados pela LCP as famílias decidiram aplicar a Revolução Agrária, ou seja, não esperaram pela reforma agrária falida do governo, cortaram os lotes por conta e organizaram os Grupos de Ajuda Mútua para realizarem os trabalhos de roçada, construção de estradas, pontes, casas e plantio.

Hoje todas as famílias possuem casas e uma grande produção de arroz, milho, banana e mais de 60 mil pés de café plantados. Como dizem os camponeses: “Não existe mais fome”.

Crianças comemoram produção nas áreasCrianças comemoram produção nas áreasNa cerimônia as famílias estampavam no sorriso a alegria pelo resultado de sua luta e resistência nas terras. A Assembléia do Poder Popular e o Comitê de Defesa da Revolução Agrária entregaram a cada família um Certificado de posse de sua terra que é reconhecido pela organização da área.

Toda a atividade foi preparada com antecedência, o barracão construído recentemente para receber a visita da missão internacional de advogados foi usado desta vez para realizar o almoço coletivo. Depois teve início a cerimônia, os membros do CDRA e da Liga falaram da importância e significado daquele ato para as famílias e relembraram vários momentos da luta na área. Uma a uma as famílias foram chamadas para receber seu título de posse, muitos ficaram emocionados, pois este é o sonho de toda uma vida que se concretiza. Ao final as famílias posaram para uma foto com os títulos em mãos.

Camponeses exibem orgulhosos os certificados de posse das terrasCamponeses exibem orgulhosos os certificados de posse das terrasParticiparam na cerimônia também a Comissão Nacional das Ligas de Camponeses Pobres, camponeses de outras áreas, professores, pequenos comerciantes e apoiadores.

Após a realização da cerimônia os camponeses programaram uma pequena manifestação em Jacinópolis para propagandear a vitória coletiva e também divulgar a preparação de novas tomadas de terra.

Os camponeses se deslocaram até a Vila usando motos e um trator, com bandeiras vermelhas percorreram o pequeno povoado e distribuíram panfletos nas casas e comércios. A manifestação foi saudada com alegria pelo povo, muitos amigos e conhecidos que acompanharam estes anos de luta estavam juntos para dividir a alegria deste momento, pois afinal é uma vitória de todos os moradores da região que reconhecem que somente com o aumento das tomadas de terra é que haverá progresso para todos.


Raio do Sol e Canaã

 Novo barracão da Assembléia construído pelos camponeses Novo barracão da Assembléia construído pelos camponesesAs áreas Raio do Sol e Canaã ficam localizadas na divisa entre os municípios de Theobroma e Ariquemes. Juntas somam uma área de 1.600 alqueires onde vivem 160 famílias, cada uma em seu lote, produzindo, vivendo e criando seus filhos com dignidade.

Desde 2003 (Canaã) e fevereiro de 2006 (Raio do Sol) os camponeses cortaram os lotes por conta, distribuíram para as famílias e logo iniciaram a produção. Hoje a produção estimada para a próxima safra nas duas áreas é de 10.500 sacos de milho, 2.400 sacos de arroz, além de vários outros cultivos e criações.

Antes da chegada dos camponeses estas terras eram só cacaueiro abandonado, capoeirão e pasto quando estavam nas mãos de latifundiários grileiros, como o Sr. João Arnaldo Tucci que se dizia dono da fazenda “Só Cacau” mas não cumpriu o Contrato de Aluguel de Terras Públicas (CATP) que assinou com o Incra e ainda sugou muito dinheiro de financiamentos públicos. Ou como o deputado Ernandes Amorim que há 20 anos expulsou várias famílias que viviam nas terras da área Raio do Sol para roubar a madeira e fazer especulação imobiliária.

Este lote é meu, ninguém me tira!Este lote é meu, ninguém me tira!Desde o início, os camponeses enfrentaram o ódio destes latifundiários e seus agentes e cúmplices: Incra, Ouvidoria Agrária, justiça, pistoleiros, polícia e seus jornais. Despejos, destruição das casas, roças e criações, humilhação, agressões, torturas, prisões e processos judiciais não foram suficientes para dobrar estes bravos camponeses.

O Canaã passou por várias direções oportunistas que mantinham as famílias acampadas para fazerem suas negociatas de venda de lotes, até obrigavam os camponeses a derrubar de machado para desistirem da terra. No início de 2008, com a ajuda da LCP os camponeses expulsaram os oportunistas e colocaram cada família no seu lote.

Outra conquista muito importante dos camponeses foi agora em fevereiro quando vários se juntaram e prenderam o ônibus escolar dentro da área para exigir que ele atendesse também às crianças do Raio do Sol. As famílias já tinham ido várias vezes na prefeitura e promotoria, mas só conseguiram com a pressão, única linguagem que os governantes entendem.

Os camponeses sempre contaram com apoiadores e simpatizantes. Exemplo disto foi a visita em fevereiro de um grupo de estudantes da Universidade Federal de Rondônia no Canaã. Eles ficaram uma semana vivendo e trabalhando junto dos camponeses, ajudaram na construção do novo barracão da Assembléia e na colheita de arroz.

200 pessoas participaram da cerimônia200 pessoas participaram da cerimôniaNo dia 22 de fevereiro 200 camponeses das duas áreas fizeram uma Assembléia de Entrega dos Certificados de Posse das Terras. Camponeses, coordenadores das áreas e da LCP fizeram intervenções lembrando todas as lutas e conquistas e como as áreas transformaram-se completamente em tão pouco tempo. Assim que recebeu seu Certificado uma camponesa disse decidida: “– Este lote é meu, ninguém me tira!” Este era o sentimento de todas famílias ali presentes. Também era opinião geral que tudo o que conseguiram foi graças à organização e combatividade dos camponeses trilhando juntos o caminho da Revolução Agrária e dirigidos pela LCP. Depois da Assembléia houve um almoço coletivo e animadas partidas de futebol e vôlei. Esta festa também foi a inauguração do novo barracão da Assembléia de madeira e telha. Toda arrecadação do material e construção foram feitos pelos camponeses. Foi um dia de muita felicidade, podia-se sentir no ar o espírito de união, decisão de seguir lutando e confiança no Poder do povo.


Nordeste

No Nordeste a Revolução Agrária dá seus primeiros passos e também entrega terra aos camponeses pobres. As famílias organizadas pela LCP aplicaram o primeiro Corte Popular da região em um dos engenhos que antes pertenciam a Usina de cana-de-açúcar Catende.

Mais famílias se preparam para tomar terrasMais famílias se preparam para tomar terrasEssa usina tem uma triste e antiga história que é um símbolo da secular exploração do latifúndio sobre o nosso povo. Fundada em 1829, de lá pra cá, trocou várias vezes de dono até chegar na situação atual onde é gerenciada pelos “heróis” de Luis Inácio, ou seja, por um grupo de usineiros capitalistas, com o pomposo nome de “Cooperativa Harmonia”. Alardeada como a "primeira usina de gestão coletiva do país”, o que é apenas uma frase de efeito, pois na prática quem embolsa os lucros e o dinheiros dos empréstimos é um pequeno grupo de usineiros que se escondem atrás da fachada da cooperativa.

A Catende em sua essência não diferencia em nada do que era na época dos antigos coronéis. Ainda hoje, é um grande latifúndio de 27 mil hectares e o que se vê por lá é monocultura de cana-de-açúcar, fome e miséria espalhada entre milhares de trabalhadores.

Mas essa situação já começa a ser modificada, a Revolução Agrária está sendo aplicada, e hoje um dos 48 engenhos da Catende, o de Santa Luzia, pertence aos camponeses!

APP entrega lotes em PernambucoAPP entrega lotes em PernambucoOs lotes foram entregues pela APP – Assembléia do Poder Popular, que através de discussões abertas e democráticas, decidiu da maneira mais justa possível quem ficaria com qual lote.

Para celebrar esse importante feito, a APP decidiu organizar a “Festa da Revolução Agrária”, onde foi feito a entrega dos títulos dos lotes aos seus proprietários, que o recebiam com muita emoção.

O título é reconhecido pela APP, LCP, Associação do Engenho e principalmente pelo povo que vive na região e tem um grande significado, pois representa a concretização do sonho de milhares de camponeses e é resultado de muito esforço e luta.

Cada título de posse vinha com o nome do proprietário, o número e a localização do lote e uma dedicação ao líder camponês Zé Ricardo, que foi um dos pioneiros na luta pela Revolução Agrária na região e um grande exemplo a ser seguido.

A chama da Revolução Agrária tem se espalhado, e hoje mais e mais camponeses de outros engenhos da Catende já começam a se organizar para aplicar a consigna de tomar todas as terras do latifúndio!
   

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