Prefeitura fecha escola na área Zé Bentão

Escrito por Resistência Camponesa
Publicado em 25/11/2011
Categoria: Edição nº 19
Desde o início do ano de 2011 as famílias que conquistaram um lote e estão morando e produzindo dentro da área revolucionária Zé Bentão tinham uma grande preocupação: como os filhos iam estudar? Para resolver o problema uma comissão de camponeses foi até a prefeitura de Corumbiara e Chupinguaia várias vezes exigir o funcionamento da escola dentro da área. A resposta foi a mesma: “a prefeitura não pode fazer nada porque a área está em litígio”.

Cansados de esperar, o povo decidiu iniciar as atividades da escola popular na área Zé Bentão. No dia 10 de maio começaram as aulas das séries iniciais em uma das salas anexas ao barracão da assembleia (antiga sede da fazenda Água Viva).

Os pais e mães organizaram a compra da merenda, arrecadação de materiais didáticos e o transporte. As aulas funcionavam três vezes por semana em período integral. Os que moravam perto vinham andando todos os dias, os de longe vinham a pé ou de moto e ficavam alojados até o último dia de aula.

Mesmo com a escola funcionando  sem nenhum apoio das prefeituras os camponeses continuaram insistindo em que os municípios cumprissem com seu papel. Depois de muita promessa e enrolação e diante da persistência dos camponeses, as prefeituras de Corumbiara e Chupinguaia assinaram o compromisso na presença do Ministério Público de garantir o transporte escolar e a escola dentro da área.

O povo reformou a estrada e as pontes com recursos próprios e os ônibus começaram a rodar. As crianças passaram a ter aulas  todos os dias da semana. E os alunos das outras séries passaram a ser transportados pra uma linha vizinha. A escola da área Zé Bentão chegou a funcionar com 35 alunos numa única turma multiseriada. E com a perspectiva de crescer ainda mais, já estava sendo necessária a abertura de nova turma.

Parecia que tudo estava resolvido, mas infelizmente só parecia... Depois de demorar meses para colocar os escolares nas linhas, parece que escolheram os piores ônibus. Os alunos perderam semanas seguidas de aulas porque o escolar estava quebrado. Não houve nenhum esforço das prefeituras para substituir os ônibus parados.

A professora não foi contratada (mesmo tendo passado em concurso público), assim como as merendeiras que não recebiam nada, eram mães que se revezam para garantir a alimentação das crianças. Os utensílios da cozinha eram todos emprestados pelos próprios moradores da área. A merenda que as prefeituras enviaram nunca veio o suficiente e nem de acordo com o pedido. Nunca foi enviado sequer um copo de leite.

As prefeituras foram várias vezes cobradas, mas sempre ficavam choramingando. Nunca conseguiram explicar como anos atrás mantinham uma extensão escolar para atender os filhos dos “funcionários” da fazenda Água Viva, no mesmo local onde os camponeses da área Zé Bentão mantinham sua escola.

E o pior, em outubro o secretário de educação Carlos Vieira e Gelcimar Alves, membro do conselho tutelar, foram até a área “informar” que os alunos passariam a estudar na sede do município, distante dezenas de quilômetros.  Não consultaram os pais e mães nem deram nenhuma alternativa. E Gelcimar ameaçou vários pais com a perda da guarda dos filhos caso não concordassem. Depois mentiram ao Ministério Público que todos da área estavam “contentes” e atacaram a professora com diversas acusações sem nenhuma prova, tentando com isso denegrir sua imagem.

Hoje os alunos enfrentam uma viagem cansativa todos os dias pra estudar. Tem casos de crianças que saem de casa as 9:30 da manhã e só retornam as 9 da noite!

Sabemos que por trás dessa ação irresponsável existem interesses eleitoreiros. Porém, mais que isso, tal decisão segue determinação de órgãos do velho Estado, em especial do Incra e da ouvidoria agrária. Quanto mais gente desistir de permanecer nas suas terras pelos mais variados motivos, mais fácil fica despejar as famílias.

Mas se acham que tais medidas irão desanimar e impedir os camponeses da área Zé Bentão de seguir em frente estão muito enganados. Eles estão organizados, sabem quais são os seus direitos e vão lutar por eles.

   

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