| Latifundiário e bando armado torturam e assassinam camponeses |
| Escrito por LCP - Liga dos Camponeses Pobres de Rondônia e Amazônia Ocidental | |||
| Seg, 14 de Dezembro de 2009 | |||
1. No dia 8 de dezembro mais dois jovens camponeses foram assassinados por lutarem pela terra em Rondônia. Élcio Machado, conhecido como Sabiá, e Gilson Gonçalves participavam com outras 45 famílias do Acampamento Rio Alto, em Buritis. Élcio era casado e pai de 3 filhos. Gilson também era casado, mas ele não chegou a conhecer seu filho que deve nascer daqui há 4 meses. 2. O latifundiário Dilson Caldato foi o mandante e seus pistoleiros foram os executores. Eles sequestraram os companheiros quando passavam de moto pela estrada que liga o acampamento a cidade de Buritis. 3. Amarraram os pés e as mãos de Élcio e Gilson e os torturaram durante horas. Quebraram seus dentes a coronhadas. Com alicates e facas arrancaram as unhas e tiras de couro das costas dos companheiros. Élcio levou um tiro no braço e teve sua orelha esquerda decepada. Ambos foram executados com um tiro de espingarda calibre 12 na nuca. 4. Este foi mais um crime anunciado. Há vários meses temos denunciado o clima de terror que Caldato e seus pistoleiros impuseram aos camponeses acampados e vizinhos.5. As terras do acampamento Rio Alto são de um antigo Projeto de Assentamento do Incra griladas por Caldato. Ele tem ganhado rios de dinheiro com a venda de madeira da área e é testa de ferro do deputado estadual Tiziu Jidalias (PP), do ex-senador Amir Lando (PMDB) e de Sobral, delegado da polícia civil de Ariquemes. 6. Em julho, seu bando armado despejou o acampamento. Eles já chegaram atirando e atingiram um jovem no quadril. Depois colocaram fogo nos barracos, destruindo todos os pertences dos camponeses. 7. O gerente e afilhado de Caldato, conhecido como Kaleb, é quem comanda os cerca de 14 pistoleiros. Eles ameaçaram de morte 5 coordenadores, 2 camponeses vizinhos, dirigentes de uma Igreja e qualquer um que apoiar o acampamento. Tentaram assassinar dois camponeses que chegavam ao acampamento, que só não foram mortos porque pularam da moto e conseguiram se proteger na mata. Kaleb teria recebido R$200 mil de Caldato para "limpar a área" e também um caminhão da família do vice-prefeito de Buritis. ![]() 8. Kaleb teria dito aos vizinhos do acampamento que quebrou os dentes dos dois coordenadores e que fará o mesmo com os outros acampados. 9. Viaturas da Polícia Militar de Buritis e do Comando de Operações Especiais de Ariquemes estiveram na sede da fazenda junto com os pistoleiros. 10. Veículos com placas frias estão fazendo ronda nas casas de apoiadores e coordenadores da LCP, em Buritis. 11. Quando a esposa de Élcio ainda aguardava notícias sobre o desaparecimento dos companheiros foi abordada por policiais a paisana no centro de Buritis que disseram com sarcasmo: "Nós te conhecemos. Agora não adianta mais levar bilhetinho para os coordenadores." 13. Élcio era a principal liderança do acampamento, mas os pistoleiros não conheciam seu rosto. Foi numa reunião no Incra no dia 03 de dezembro que os pistoleiros que estavam presentes puderam identificá-lo. Mais uma vez o Incra cumpriu seu papel de dedurar líderes camponeses para os latifundiários executarem sumariamente. Punição ao latifundiário assassino Dilson Caldato, ao Kaleb e pistoleiros! Corte imediato do PA Rio Alto e entrega das terras às famílias acampadas! O povo quer terra, não repressão! ![]() Comissão Nacional das Ligas de Camponeses Pobres LCP - Liga dos Camponeses Pobres de Rondônia e Amazônia Ocidental Jaru, 14 de dezembro de 2009
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