Menu principal
Resistência Camponesa
Jornal Resistência Camponesa nº 18
Artigos arquivados
Receba nossos emails
Faça sua inscrição para ser avisado quando uma nova notícia for publicada.
 
Atualizações 



Página inicial Notícias Prisão de trabalhadores é perseguição política
Prisão de trabalhadores é perseguição política
Escrito por LCP do Norte de Minas e Sul da Bahia   
Qua, 03 de Fevereiro de 2010
Lutar pela terra não é crime!

A Liga dos Camponeses Pobres do Norte de Minas e Sul da Bahia vem a público REPUDIAR e DENUNCIAR mais esta ação de criminalização, desmoralização e perseguição que o Estado vem impondo ao movimento camponês de uma forma geral, e em particular aos militantes e apoiadores da luta camponesa combativa.

As prisões dos companheiros Flávia Avelina e Wanderson Antônio, assessores da LCP que atuam no apoio ao trabalho de alfabetização de jovens e adultos no campo e na organização dos cursos de formação do movimento, é mais um fato absurdo da dura realidade que os opressores deste Estado podre, burguês e latifundiário impõem sobre as costas do povo pobre.

Os companheiros Wanderson e Flávia estão mantidos presos desde a noite do dia 16 de janeiro, sob a acusação de porte ilegal de arma. Apesar de serem réus primários, terem residência fixa, serem conhecidos e reconhecidos como trabalhadores e professores do movimento camponês, os companheiros tiveram o pedido de liberdade provisório negado pela juíza de Manga, Maria Beatriz da Costa Biassutti. É assim que age a justiça do Brasil. É uma justiça para os ricos e poderosos e outra justiça para os pobres e explorados.

Os ricos e poderosos praticam todo tipo de crimes e continuam impunes: roubam o dinheiro público, violam o direito dos trabalhadores, cometem crimes contra a economia popular, roubam terras, etc., etc. Só para citar um exemplo, o banqueiro Daniel Dantas, que enriqueceu da noite para o dia com suas falcatruas praticadas junto com políticos, foi preso num dia e no outro já estava rua por ordem do Gilmar Mendes, chefe do judiciário brasileiro. As pessoas do povo são presas e mantidas encarceradas por longo tempo por defender seus direitos; já Daniel Dantas, conhecido bandido e comprovado ladrão do dinheiro público, ganha liberdade no dia seguinte.

Delegado abre campanha de perseguição à LCP

O delegado de Jaíba, Bruno Esteves da Costa, recém chegado à região, abriu uma campanha de perseguição à LCP. Além dos companheiros Wanderson e Flávia, acusa os companheiros João Batista Pereira da Cruz (Pedrão) e José Ilson Silveira de formação de quadrilha. Sem apresentar nenhuma prova, em seu relatório encaminhado à justiça, o truculento delegado Bruno da Costa afirma textualmente que a LCP é uma “organização criminosa com ânimo associativo e definitivo que tem o fito de prática reiterada de crimes, como esbulho possessório, entre outros que estão sendo apurados, como os de extorsão e desvio de verbas públicas”.

O delegado não sabe do que está falando. Chegou agora na cidade, quer mostrar serviço para os ricos da região, mas só está repetindo o que os seus amigos latifundiários lhe sopraram nos ouvidos. Além é claro da baboseira reacionária que deve ter aprendido nos manuais de formação do aparato repressivo do país que, passando por cima da lei, trata toda a luta do povo pobre como crime.

O que este forasteiro parece não saber é que as terras do Norte de Minas eram terras devolutas onde moravam dezenas de milhares de famílias, a maior parte descentes de índios e negros que há séculos ocuparam esta região, estes últimos fugindo da escravidão. Quem praticou “esbulho possessório” (tomar terra que é de outro) foram os fazendeiros ricos acobertados pela Ruralminas e pela PM que na época do regime militar expulsaram milhares de famílias das terras que eram cultivadas por seus bisavós. O conhecido massacre de Cachoeirinha, ocorrido em 1967, quando 63 crianças morreram de fome e frio no mato, após o ataque da PM para expulsar os camponeses das terras foi o mais notório crime cometido naquela ocasião.

Qualquer pessoa do povo sabe quem são os ladrões de terra desta região e sabem muito bem quem é a Liga: a LCP surgiu nesta região da histórica necessidade dos camponeses de se mobilizarem e organizarem na luta pela retomada de suas terras roubadas pelo latifúndio.

O sr. delegado parece não saber mas a Constituição Federal garante no Brasil o direito à livre associação. E nestes mais de 10 anos de existência da LCP, esta associação livre e independente de camponeses pobres retomou mais de 60 áreas onde hoje milhares de famílias estão em suas terras, têm a propriedade de seus lotes e transformaram suas vidas ao se libertarem da exploração do latifúndio. Dividir as terras das grandes fazendas trouxe mais produção e comércio para a região.

Há muito ainda o que fazer, mas a justiça está começando a ser feita. É por isto que a LCP é respeitada pelo povo e pelas pessoas honestas e democratas que a conhecem. Mas temos consciência e sentimos as conseqüências do temor e ódio que o latifúndio nos devota.

Para seu conhecimento, sr. delegado, a LCP já realizou 5 congressos (reunidos nas cidades de Montes Claros, Jaíba, Janaúba e Manga) e já prepara o seu 6º Congresso; realizou dezenas de passeatas e manifestações públicas; seus militantes estiveram em um sem número de audiências com autoridades municipais, estaduais e federais para tratar de assuntos de interesse dos camponeses. Realizamos lutas conjuntas em defesa da educação e saúde públicas, por melhores condições de transporte; lutamos com os irrigantes contra as taxas extorsivas de água e luz cobradas pela Codevasf; lutamos contra a perseguição do Ibama e IEF que usam a legislação ambiental para perseguir os  camponeses e expulsá-los de suas terras.

A LCP é um movimento independente que não vive de créditos do governo e que se sustenta pelo apoio das famílias camponesas e da solidariedade de operários, professores, estudantes e demais democratas e suas organizações que apóiam a luta pela terra no país.

Repudiamos, portanto, mais uma vez e de forma enérgica, as calúnias do sr. delegado Bruno da Costa ao tratar a Liga como quadrilha. Reserve esta denominação para as quadrilhas de verdade que atuam no poder executivo, legislativo e judiciário, na polícia, que agem impunemente no assalto aos cofres públicos e que nada é feito para detê-las. Ou para as associações de latifundiários que montam grupos de matadores para atacar lideranças e famílias que legitimamente lutam por um pedaço de terra.

Estes fatos que ocorrem hoje no Norte de Minas não são fatos isolados. Fazem parte de uma campanha reacionária de criminalização e perseguição aos movimentos sociais, mas particularmente aos camponeses pobres, cujo patrocinador é o Presidente da República, sr. Luis Inácio, e os encabeçadores são a senadora/latifundiária Kátia Abreu (PFL/DEM) presidente da CNA- Confederação Nacional de Agricultura e Pecuária do Brasil, e o presidente do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes.

Convocamos o povo trabalhador e todos os democratas, cidadãos de bem, progressistas e intelectuais honestos a repudiar os ataques à LCP e a apoiar e defender estes companheiros que lutam por uma verdadeira democracia.

 
 
Página inicial | Notícias | Arquivos | Jornal RC | Fotos | Vídeo / áudio | Contato | Mural de recados | Mapa deste sítio