Confúcio e Dilma querem despejar trabalhadores de Rio Pardo

Escrito por LCP de Rondônia e Amazônia Ocidental
Publicado em 03/01/2012
Categoria: Notícias

Ao povo trabalhador de Buritis, Campo Novo, Rio Pardo, Minas Novas, Jaci-Paraná, União Bandeirantes, Jacinópolis, Rio Branco e Nova Mamoré.

1.   Nós as famílias de Rio Pardo enfrentamos várias ameaças de reintegração e tentativas de impedir ou dificultar nossa permanência nas terras. As operações do IBAMA resultaram em prisões de trabalhadores e pais de família, abusos, humilhações e multas absurdas. Diante destes ataques resistimos e vencemos garantindo nosso direito de trabalhar e viver com dignidade.

2.   Em 2004 mobilizamos 500 trabalhadores e fechamos a BR 364 durante 4 dias exigindo a regularização das terras e obrigando o Ibama a cessar suas perseguições. Em 2009 aliados com outras áreas camponesas e com pequenos comerciantes e pequenos madeireiros fechamos as ruas de Buritis em protesto contra a apreensão de caminhões de madeira pelo Ibama. O comércio fechou as portas em apoio aos manifestantes e impedimos que os caminhões e a madeira fossem levados da cidade.

3.   Em 2010, diante da possibilidade do conflito se agravar, um acordo foi realizado entre o governo de Rondônia e Ministério do Meio Ambiente. Segundo o acordo a área ocupada da FLONA seria desmembrada para garantir a posse das famílias e em troca foram cedidas ao governo federal reservas estaduais que seriam alagadas pela construção da Usina Hidrelétrica de Jirau.

 4.   Entretanto as perseguições e abusos não cessaram. Longe de combater apenas novos desmatamentos e novas ocupações, conforme havia sido acordado, os agentes do Ibama e Polícia Ambiental começaram a praticar verdadeiros crimes como ameaçar de levar os camponeses para presídio Urso Branco, derrubar casas e até a botar fogo em lavouras e roubar pertences nas casas.

 5.   Agora novamente querem nos retirar das terras! Desta vez o governador Confúcio Moura (PMDB) aprovou através do CONSEPA (Conselho Nacional dos Sistemas Estaduais de Pesquisas Agropecuárias) a elaboração de um plano de manejo para a Área de Preservação Ambiental Rio Pardo e Flona Bom Futuro. Fazem parte deste Conselho 17 entidades entre elas a Federação das Indústrias, Secretaria de Agricultura, Federação do Comércio, Polícia Ambiental, Secretaria de Segurança, Ministério Público Estadual, Ibama, Sedam, e Grupo de Trabalho da Amazônia representado pela ONG Kanindé.

 6.   Confúcio quer expulsar mais de 5 mil trabalhadores das terras para entregar as riquezas naturais nas mãos de grandes madeireiras e grandes mineradoras com a conversa fiada de “preservação ambiental”. Os únicos que realmente preservam e defendem a Amazônia dos interesses imperialistas são os camponeses.

 7.   Em todo o país a gerência Dilma Roussef (PT) abandonou de vez a reforma agrária e realiza despejos e prepara novas reintegrações de posse de áreas que há anos estão ocupadas. Tudo para garantir os interesses do agronegócio e do capital financeiro internacional. Em tempos de crise do imperialismo o melhor investimento para os países ricos é se apoderar de fontes de matéria prima barata (madeira, minérios, água, petróleo) dos países dominados, como o Brasil. Aqui contam com as Ongs financiadas por eles e os políticos lacaios e seus partidos eleitoreiros para conseguir seus objetivos.

 8.   O prazo dado pelo Ibama para a retirada das famílias é o dia 2 de fevereiro de 2012. A decisão das famílias de Rio Pardo é de resistirmos com as formas que tivermos para garantir a posse de nossas terras, nossa produção, nossas casas e o futuro de nossas famílias.

 Defender a posse das terras pelos camponeses de Rio Pardo!

O povo quer terra, não repressão!

Fora Ibama e Polícia Ambiental!

 

Comitê das Famílias de Rio Pardo

Liga dos Camponeses Pobres de Rondônia e Amazônia Ocidental

   
     
   
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