Pistolagem e trabalho escravo aumentaram em Rondônia

Escrito por Resistência Camponesa
Publicado em 19/01/2012
Categoria: Notícias
Segundo dados apresentados em dezembro pelo do Setor de Documentação da Comissão Pastoral a Terra (CPT) que abrangem os registros de janeiro a setembro de 2011 de conflitos, assassinatos, despejos e violência agrária no campo de todo o Brasil, comparados com a mesma época de 2010 há um aumento vertiginoso da violência no campo.

Em Rondônia as vítimas de pistolagem passaram de 325 em 2010 a 3.670 em 2011. Muitos antigos posseiros foram atingidos por conflitos de terra, que dobraram, atingindo 2.215 famílias, em 45 novos conflitos registrados este ano. O número de ameaçados de morte passou a 27 ameaças registradas, frente apenas 02 em 2010.

E igual ao restante do país, em Rondônia aumentaram também as denúncias por trabalho escravo, passando de 5 a 13 denúncias, e de 41 vítimas resgatadas a 79 trabalhadores em situação análoga à escravidão. Segundo a CPT a mudança reflete não somente a melhora na denúncia e registro das vítimas, como também o real aumento de ameaças, violência e conflitos agrários em Rondônia.

Os denunciados por trabalho escravo são os latifundiários: Roberto Demário Caldas na fazenda São Joaquim/Mequéns no município de Pimenteiras. Manoel Roberto de Almeida Prado na fazenda Novo Horizonte em Vilhena. José Carlos de Souza Barbeiro na fazenda Tapiratinga em Corumbiara. Francisco Silva Cavalcanti na fazenda São Francisco em Jaci-Paraná. Além das empresas como: Manoel Marchetti Ind. E Com Ltda (madeireira) em Jaci Paraná. E a Construtora BS Ltda. empresa que presta serviços ao Consórcio Energia Sustentável do Brasil, responsável pela Usina de Hidrelétrica Jirau, uma das maiores obras do tão propagandeado PAC da gerência Dilma Roussef.

Nenhum destes acusados foi preso ou teve suas propriedades colocadas à disposição para fins de reforma agrária, pelo contrário continuam criando gado e explorando trabalhadores. Também podemos constatar uma mudança nos conflitos agrários na postura do Incra que tem realizado junto com a polícia ameaças, despejos e reintegrações de posse em várias áreas de Rondônia.

Com os financiamentos cada vez maiores ao agronegócio desde a gerência de Lula (que chegou chamar latifundiários e usineiros de heróis nacionais) o que vimos nos últimos anos é o aumento da concentração das terras. Hoje no Brasil a concentração é maior do que no período do gerenciamento militar fascista e Dilma já deixou claro que o caminho do Brasil é mesmo ser exportador de matéria prima barata para as grandes potências estrangeiras como China, EUA e Europa.

Por isso temos denunciado uma escalada repressiva do Estado contra os camponeses pobres, ribeirinhos, povos indígenas e quilombolas, em que o centro do problema é a luta por manter a posse de suas terras. Isso entra diretamente em contradição com os interesses do agronegócio, grandes madeireiras e grandes mineradoras que precisam expulsar o povo das terras para melhor explorar.

Não existe política agrária na gerência Dilma que não seja a de enterrar de vez a luta pela terra no país, basta ver que não existe orçamento, não existem metas de assentamento de famílias, nem de melhoramento da vida dos camponeses etc. O que existe é a criminalização das lutas e o aumento do aparato repressivo, além do encorajamento dos bandos armados a serviço do latifúndio.

O único caminho para milhares de camponeses pobres sem terra ou com pouca terra é o de elevar sua organização e mobilização em torno da defesa de suas terras. Toda a ladainha de desenvolvimento do país cai por terra diante da contradição secular que opõem camponeses ao latifúndio e que além de não resolvida, tem aumentado nos últimos anos  e que requer solução para fazer avançar a independência do nosso pais e de nosso povo rompendo com o que de mais atrasado existe em nossa sociedade que são as relações semifeudais no campo brasileiro. Relações estas que são elogiadas e financiadas pela gerência petista e seus aliados com um discurso demagógico de desenvolvimento que na verdade serve para esconder sua traição aos trabalhadores, principalmente os do campo.

   
     
   
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