Estado e latifúndio unidos contra o povo em Marechal Deodoro, Alagoas

Escrito por LCP do Nordeste
Publicado em 15/02/2012
Categoria: Notícias

No dia 31 de janeiro, último, 40 famílias que vivem numa área camponesa na cidade de Marechal Deodoro, Alagoas, tiveram suas lavouras destruídas e suas mulheres e filhos ameaçados por cerca de 200 policiais do BOPE e pistoleiros do latifundiário Francisco Carlos da Rocha Mello.

Em 2001 a área da fazenda Santa Amélia foi desapropriada pela Prefeitura de Marechal Deodoro, registrado no protocolo de desapropriação de número 9.230 localizado no cartório de registro de imóveis da cidade. Uma área propícia para servir a famílias camponesas da região, uma vez que fora desapropriada por uma instância pública.

Em 2011, camponeses organizados pela Liga dos Camponeses Pobres (LCP), a partir da necessidade de trabalhar e sustentar suas famílias, tendo em vista que a área em questão estava totalmente improdutiva, ocuparam a área e iniciaram suas pequenas produções.

Desde então, o latifundiário vem reivindicando a posse da área e ameaçando as famílias. Em outubro de 2011, a Vara Agrária concedeu uma liminar de reintegração de posse para o mesmo. Na época houve um acordo, os camponeses recuariam para uma área de domínio da União e com isso suas lavouras seriam respeitadas até a colheita, este acordo estaria valido por 3 (três) meses.

Em janeiro de 2012, temendo a repressão e descumprimento do acordo pelo latifúndio, as famílias reocuparam a área na tentativa de proteger suas lavouras. Mas, o Estado mostrou a que lado serve. Mesmo as famílias aceitando a negociação e se dispondo a sair da área sem resistência, as tropas da repressão avançaram contra o povo.

Os policiais, reforçados por pistoleiros do latifundiário, fizeram um cerco com o trator e destruíram as lavouras das famílias. Aqueles que se revoltavam e questionavam este ato de injustiça foram coagidos com balas de borracha e bombas de efeito moral. Mulheres, crianças e idosos foram feridos.

Denunciamos os abusos do estado contra estas famílias, a omissão do prefeito Cristiano Mateus que não confirma que estas terras são do povo e o aparato de pistolagem que o latifúndio mantêm em para intimidar as famílias camponesas em Marechal Deodoro.

Qualquer conflito ou agravamento destes acontecimentos serão de inteira responsabilidade da Prefeitura de Marechal Deodoro, do INCRA, da Vara Agrária e do Governo do Estado de Alagoas que não se importa com estas famílias que lutam pela sua sustentabilidade.

   
     
   
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