Governo Dilma favorece assassinatos no campo

Escrito por ABRAPO - Associação Brasileira dos Advogados do Povo
Publicado em 09/04/2012
Categoria: Notícias
A ABRAPO e a IAPL, organizações de advogados comprometidas com a defesa dos direitos do povo, dentro e fora dos tribunais, nacional e internacionalmente, condenam os recentes assassinatos de camponeses pobres em várias regiões do país.

Em Minas Gerais, no Triângulo Mineiro, três membros da Coordenação Estadual do MLST (Movimento de Libertação dos Sem-Terra), Valdir Dias Ferreira, 40 anos, e o casal Milton Santos Nunes, de 52 anos, e Clestina Leonor Sales Nunes, 48 anos, foram executados com tiros na cabeça na tarde do último dia 24 de março, na frente de uma criança de 5 anos, numa rodovia estadual.

Em Pernambuco, um dia antes, Antonio Tiningo, 37 anos, foi assassinado em uma emboscada, no município de Jataúba. Ele era coordenador do acampamento da fazenda Ramada, e ligado ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Na semana anterior, o proprietário da fazenda, Brecha Maia, havia declarado que faria o despejo das famílias por bem ou por mal, e que não passaria de sexta-feira, dia em que Tiningo foi assassinado. As ameaças de Brecha Maia já eram antigas, e Tiningo havia inclusive registrado queixa por ameaça.

Em Rondônia, em Machadinho do Oeste, Gilberto Tiago Brandão foi assassinado no dia 23 de fevereiro, e outro coordenador do Acampamento Canaã II. Tratam-se de conflitos com a fazenda Paredão, reivindicada pelo Vice-Prefeito de Vale do Anari.

Prisões de camponeses seguem ocorrendo. No dia 23 de fevereiro, Tiago, 34 anos, membro da Liga dos Camponeses Pobres (LCP), foi preso na Fazenda Santa Elina, município de Corumbiara. Desde então, Tiago segue preso na cidade de Cerejeiras. Alguns dias antes, uma caminhonete havia fechado a passagem de Tiago numa estrada, provocando-lhe um acidente de moto, o que evidencia uma tentativa de assassinato.

Tudo isso acontece quando o governo Dilma faz acordos indecorosos com a bancada ruralista no Congresso Nacional, atendendo a todas as suas reivindicações na aprovação do Código Florestal. Isso, porém, é só uma parte da história. Nos últimos anos não se registraram quase nenhuma desapropriação, muito menos vistorias de terras pelo INCRA. A burocracia da “reforma agrária” segue estacionada enquanto a ação assassina dos latifundiários corre livre e autorizada pelo Governo Federal, assim como esse próprio governo, aliado à “justiça” do latifúndio, comanda desocupações forçadas violentas e prisões de camponeses.

Externamos a nossa solidariedade aos familiares dos trabalhadores covardemente assassinados e exigimos punição imediata aos seus executores e mandantes.

Abaixo a criminalização da luta pela terra!

Basta de assassinatos de camponeses!

Exigimos punição imediata para mandantes e executores

 

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DOS ADVOGADOS DO POVO

ASSOCIAÇÃO INTERNACIONAL DOS ADVOGADOS DO POVO

   
     
   
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