PM de Rondônia faz serviço de pistolagem em Seringueiras

Escrito por LCP de Rondônia e Amazônia Ocidental
Publicado em 08/07/2013
Categoria: Notícias

Desde o dia 4 de julho de 2013 policiais de Seringueiras e de São Miguel do Guaporé comandados pelo Tenente Lúcio e pelo Major Crispin estão sem ordem judicial dentro da fazenda Riacho Doce fazendo segurança particular para o latifundiário Artemiro Kraus.

A área em questão é uma área da União que a Justiça Federal de Rondônia já destinou para um projeto de assentamento e o latifundiário Artemiro Kraus, com a cumplicidade de autoridades da região, do INCRA de Rondônia e da Ouvidoria Agrária Nacional está grilando para regulariza-la via o programa Terra Legal.

Três dos policiais que atiraram nas famílias no dia 04 de julho de 2013 foram identificados pelos seguintes nomes: Claudiney Dourado, Claudio Dourado e Oziel Fonseca. Todos os três são policiais de São Miguel do Guaporé.

Os camponeses que estavam acampados desde 2007 cansaram de esperar pelas promessas do INCRA e em dezembro de 2012 reocuparam a área, o que forçou a Justiça Federal a tomar a seguinte decisão: dos 6 lotes que compõem a fazenda Riacho Doce, 2 lotes seriam destinados para reforma agrária. Passado mais de 2 meses nada foi feito pelo  INCRA mesmo tendo a Justiça Federal dado-lhe o prazo de 60 dias para assentar os camponeses na área.  Diante da morosidade e do descaso do INCRA os camponeses decidiram novamente reocupar a área.

Segundo denúncia recente de um servidor do próprio INCRA agentes deste órgão em Rondônia receberam 150 mil reais de Artemiro para que a decisão judicial não fosse cumprida e os camponeses não fossem assentados na referida área. Em uma visita ao acampamento, a atitude do superintendente do INCRA foi muito suspeita, pois chegou a dizer que o INCRA não poderia cortar a área para assentar os camponeses porque não tem dinheiro sequer para pagar o topógrafo e informou ter pedido mais prazo na Justiça Federal para assentar os camponeses. Como o INCRA não tem dinheiro para pagar a topografia, se em reunião recente em Porto Velho, o Ouvidor Agrário Gercino disponibilizou 100 mil reais para a polícia de Rondônia reprimir camponeses? Dinheiro para assentar os camponeses não tem, mas dinheiro para a polícia reprimir os camponeses tem.

Se os camponeses ocupam a terra a polícia rapidamente aparece para reprimir, mas se o latifundiário está grilando as terras da União, a polícia lhe presta serviço de pistolagem. Os camponeses vão confiar em quem? Na justiça? Na polícia? Ou nas próprias forças?

Tudo que vier acontecer de agora em diante será de inteira responsabilidade do Ouvidor Agrário Nacional, do INCRA de Rondônia e do Governador Confúcio Moura.

 

TERRA PARA QUEM NELA VIVE E TRABALHA!

COMISSÃO DE ACAMPADOS DA ÁREA PAULO FREIRE 3

LCP- LIGA DOS CAMPONESES POBRES DE RONDÔNIA E AMAZÔNIA OCIDENTAL!

   
     
   
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