Viva a heróica resistência camponesa de Corumbiara

Escrito por LCP de Rondônia e Amazônia Ocidental
Publicado em 07/08/2013
Categoria: Notícias

No dia 9 de agosto de 1995 ocorreu um dos episódios mais sangrentos da luta pela terra na história recente do Brasil, que ficou conhecido como o massacre de Corumbiara-RO. Numa ação ordenada pelo governador Valdir Raupp - PMDB (com quem o PT se aliou desde as eleições de 1994) e pelos latifundiários Antenor Duarte do Valle e Hélio Pereira de Morais, policiais militares sob o comando do capitão do COE José Hélio Cysneiros Pachá, atacaram o acampamento de madrugada lançando bombas de gás e disparando contra 600 famílias de homens, mulheres e crianças que lutavam por um pedaço de terra. O resultado foi de 12 camponeses assassinados entre eles a pequena Vanessa de 7 anos de idade, alguns desaparecidos, mais de 200 com seqüelas de torturas e maus tratos depois de presos, e vários camponeses que morreram posteriormente em decorrência das agressões. Até hoje nenhum dos mandantes foi punido.

O massacre só não foi maior por que os camponeses resistiram heroicamente com paus, foices e espingardas velhas contra policiais e pistoleiros armados até os dentes.

A luta das famílias por indenização e corte da fazenda Santa Elina

Desde 2001 as famílias vítimas do massacre organizaram o CODEVISE - Comitê de defesa das Vitimas de Santa Elina e iniciaram a luta por indenização, tratamento médico e corte da fazenda. Em 2008 após ficarem acampadas em Brasília e não terem suas reivindicações atendidas, as famílias decidem retomar a fazenda Santa Elina. Após uma primeira tentativa em 2008 retomam a área da fazenda em julho de 2010 e realizam o corte das terras em dezembro do mesmo ano entregando as terras a mais de 250 famílias.

Após o corte popular realizado pelas famílias o Incra, Fetagro (filiada a CUT/PT) e Ouvidoria Agrária atuaram na desmobilização das famílias, prisões de ativistas e com ameaças de usar as forças policiais para realizar a reintegração de posse. Mesmo com todo este aparato foram derrotados em suas intenções de varrer o movimento camponês combativo e tiveram que realizar a desapropriação da área assentando as famílias.

A política agrária de Dilma/PT é mais repressão aos camponeses

Passados dezoito anos de Corumbiara a situação da luta pela terra em Rondônia só fez piorar. A política agrária do governo Lula/Dilma (PT) tem sido a de investir bilhões no agronegócio exportador de matéria prima barata (soja, cana e carne) e apenas migalhas para a chamada agricultura familiar, responsável pela maior parte dos alimentos consumidos no país. A situação atual de crise em que se afunda o país obriga Dilma a cortar ainda mais os já poucos recursos para reforma agrária.

Ao mesmo tempo Dilma atua na repressão as tomadas de terra com utilização da Força Nacional de Segurança, Policia Federal e até o Exército como ocorreu em Rio Pardo no ano passado e Seringueiras este ano.

Mas o problema agrário que opõe de um lado um punhado de grandes latifundiários que detém a maior parte das terras e de outro lado milhões de camponeses pobres sem terra seguiu se agravando, pois nos 12 anos de gerenciamento petista aumentou a concentração de terras e diminuiu o número de famílias assentadas.

Esta política repressiva encorajou os grandes latifundiários a atuarem com seus bandos armados na expulsão e assassinatos de camponeses e povos indígenas.

Ouvidor Agrário defende os latifundiários

Além das forças repressivas os latifundiários contam também com a atuação do Ouvidor Agrário Gercino José da Silva Filho que faz vista grossa aos crimes cometidos pelo latifúndio e também pela polícia contra os camponeses. Crimes que são denunciados sistematicamente por camponeses e apoiadores em todo Estado e nunca são investigados. Em várias áreas são freqüentes os casos de reintegrações de posse relâmpagos, expulsão de famílias que há anos produzem nas terras, perseguições a lideranças camponesas, utilização de bandos armados, prisões ilegais, torturas e assassinatos. Não por acaso Rondônia figura na lista de violência do campo como o Estado com o maior número de assassinatos de camponeses. É o caso do professor Renato assassinado em abril de 2011 na região de Buritis por policiais civis que continuam impunes até hoje e sequer foram investigados.

O Ouvidor Agrário criou uma Policia Agrária e rondas policiais especiais para atuarem nas áreas em conflito, tudo para garantir a propriedade de grandes latifundiários e reprimir os camponeses em luta.

Aumentar a luta no campo! Tomar todas as terras do latifúndio!

Mesmo debaixo de toda esta repressão os camponeses pobres continuam lutando empurrados ainda mais pelo aumento do desemprego na região. No último ano dezenas de novas tomadas foram organizadas e outras estão em curso. Em todas elas o Incra atua desmobilizando as famílias, criando divisões e jogando umas contra as outras, principalmente se as famílias insistem em cortar as terras por conta. Casos como este estão ocorrendo em Corumbiara, Seringueiras, Theobroma, Cujubim, Alto Paraíso entre outras.

A experiência tem demonstrado que quem espera pelo Incra fica anos debaixo de lona e dependendo de cesta básica e na maioria das vezes as famílias são jogadas de um lado pro outro. Quem decide cortar a terra por conta começa a produzir logo para sustentar a família garantindo a permanência na terra e se torna livre das enrolações e politicagem do Incra e movimentos oportunistas eleitoreiros.

O problema agrário é o que demanda solução mais imediata em nosso país, pois em toda nossa história nunca foi resolvido. Aumentar as tomadas de terra, cortar as terras por conta e entregar aos camponeses, desenvolver a produção nas áreas tomadas e organizar as Assembleias Populares para os camponeses decidirem por tudo que diz respeito a sua vida é o único caminho para destruir o latifúndio no Brasil. Só realizando uma Revolução Agrária como parte de uma Revolução de Nova Democracia ininterrupta ao socialismo podemos salvar o país da ruína!

Pela regularização de todas as áreas!

Abaixo a criminalização da luta pela terra!

Viva a Revolução Agrária!

 

Grande Manifestação: Dia 08/Agosto

Convocamos a toda população de Porto Velho, estudantes, professores, operários, comerciantes, e trabalhadores em geral a participar da manifestação contra as perseguições ocorridas no campo e pela regularização de todas as áreas tomadas. Você que também está o insatisfeito com a total falência da saúde, educação, desemprego, carestia do custo de vida, arrocho salarial venha e participe!

Concentração a partir das 12hs na Praça Getúlio Vargas.

   
     
   
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