O povo quer terra, não repressão!

Escrito por LCP do Norte de Minas e Bahia
Publicado em 22/09/2013
Categoria: Notícias

A Vara de Conflitos Agrários perdeu qualquer vestígio do que se poderia chamar de justiça, e se transformou em um balcão onde todo papel que entra imediatamente sai como liminar de reintegração de posse a ser cumprida por força policial! Em Minas Gerais, é talvez o principal instrumento do Estado para criminalizar os camponeses, transformar a luta pela terra em algo bandidesco, imoral e ilegal, acobertar a leniência, prevaricação, corrupção e omissão dos governantes com a grave questão agrária, legitimar a formação de quadrilhas e milícias do latifúndio que espalham o terror e a violência no campo.

Basta!

A revolta popular que irrompeu no país em junho e julho nas grandes cidades brasileiras, resultado de um acúmulo de indignação do povo, transbordou após a violenta repressão levada a cabo contra as manifestações que ocorriam durante um torneio de futebol. E essa violência foi justificada pelos governantes após estapafúrdia decisão de um juiz que proibia o povo de se manifestar. É assim que funciona: para acobertar a utilização da força policial e da repressão; para mascarar que o Estado está a defender escusos interesses privados das classes que o controlam, que um juiz legitime tal violência como “cumprimento da lei”.

Basta!

Não é de outro modo que os camponeses são criminalizados, reprimidos e atacados pelo Estado brasileiro e pelas milícias e pistoleiros dos latifundiários. O Brasil não tem uma política de “reforma agrária”, como propagandeiam governo e oportunistas mentirosos. O que existe é uma força tarefa, que atende pelo nome “Operação Paz no Campo”. O comandante em chefe é o Ouvidor Agrário Nacional Gercino Filho. Esta força tarefa já tem o próprio braço militar, tropas da Polícia Federal e da Força Nacional treinadas para cumprir reintegrações de posse no campo. Esta força tarefa, quando assume a condição de negociar pelo governo as demandas camponesas, reúne comandos das PM´s locais, agentes da ABIN travestidos de policiais federais que fariam a “segurança pessoal” do Sr. Gercino, latifundiários e gerentes locais do INCRA. Enquanto fabrica ofícios com pedidos de “compreensão humanitária” para juízes e comandantes policiais, o Sr. Gercino ameaça, humilha e intimida os camponeses que ainda participam destas reuniões; se coloca como intermediário das escandalosas propinas com que os latifundiários tentam corromper estas lideranças; faz promessas que ele sabe que o governo que ele representa, através do INCRA, jamais irá cumprir; e identifica ativistas do movimento camponês (vários, após estas reuniões, foram assassinado por pistoleiros até hoje impunes).

Basta!

Tudo isso ocorre justamente no governo do PT, Lula e Dilma, que levaram às últimas conseqüências a guerra que o Estado secularmente move contra indígenas, negros, imigrantes europeus e todos os que buscam sobreviver na dura labuta do campo. O clima é de terror, violência, miséria ...

Basta!

Aqui em Minas, o Sr. Almeida Neves, juiz da Vara Agrária, primo do eterno presidenciável Aécio Neves, ou por baixos instintos, ou por dever de classe, arvorou-se em paladino da repressão contra os camponeses. Em seus devaneios de Senhor Feudal, investe contra tudo e contra todos, e até contra o decreto de constituição da própria Vara Agrária, concebida para tirar do controle dos coronéis as lides, e não permitir que os conflitos no campo chegassem às últimas conseqüências.

Com todos os processos concentrados em sua mão, Almeida Neves, onde não pode decretar em caráter liminar a reintegração de posse, corre e inventa logo uma sentença definitiva. Atropela o Ministério Público, boicota qualquer saída que favoreça os camponeses, se omite diante dos governantes mentirosos e corruptos que não cumprem os compromissos assumidos de próprio punho; nada faz para impedir ou punir as forças paramilitares organizadas pelo latifúndio; tal perseguição doentia e violenta resulta sempre no uso da força policial para fazer valer estapafúrdias sentenças.

Basta!

O povo quer terra, não repressão! O povo quer direitos, não repressão! É o clamor das ruas!

Basta!

Fim das reintegrações de posse!

Fim da violência contra os camponeses!

Fim da criminalização da luta pela terra!

Punição para todos os latifundiários criminosos!

Punição para todos governantes mentirosos e corruptos!

Punição para grileiros e ladrões de terra!

TERRA PARA QUEM NELA VIVE E TRABALHA!


 Belo Horizonte, 09 de setembro de 2013

   
     
   
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