Mais um crime dos governos Dilma e Confúcio contra a educação pública

Escrito por MOCLATE/RO
Publicado em 13/11/2013
Categoria: Notícias

O governo de Confúcio Moura (PMDB) quer aplicar mais um duro golpe contra a educação em Rondônia. Na calada da noite, aprovou o projeto Ensino com Mediação Tecnológica, que vai substituir o professor na sala de aula por uma televisão. A partir de 2014, mais de 3.000 alunos do 2º grau de todo o estado passarão a ter aulas no estilo telecurso. Em Porto Velho, um professor de cada matéria gravará as aulas que serão enviadas por satélite para 102 salas na área rural. Para o professor responder as dúvidas dos milhares de alunos, terá um rodízio: a cada aula, só uma turma poderá falar com o educador. Este contato ao vivo só acontecerá uma ou duas vezes ao ano, perguntas ficarão sem resposta, o aluno fará provas sem aprender a matéria.

E a situação ficará ainda pior quando tiver uma falha no sinal ou faltar energia – fatos muito comuns no campo.

Sem contar a demora para consertar ou repor equipamentos nas escolas públicas. Sem falar da internet de Rondônia, que é muito lenta e com quedas constantes.

E como se não bastasse, este projeto pode ser estendido para cidades e para turmas do 6º ao 9º ano.

Governos querem piorar o que já está péssimo

Os programas no modo telecurso acabam com a relação pessoal entre professor e aluno, não permite o contato olho no olho, o aperto de mão, o abraço. O educador não saberá o nome do estudante, muito menos sua história, seus medos, seus sonhos. Não é possível haver educação assim.

Atualmente, a maioria dos professores das escolas rurais mora na cidade, com isto, ele não conhece a fundo a vida, o trabalho e a luta da comunidade. É muito pior no ensino à distância.

As aulas têm um só conteúdo, numa só linguagem, não respeitam as diferenças de cultura, não estão ligadas à realidade dos camponeses. Não têm aulas práticas, os alunos não podem olhar uma célula num microscópio, fazer uma experiência, examinar um coração, construir uma horta coletiva. Neste projeto de teleurso está previsto o ensino de “Noções Básicas de Agroecologia e Zootecnia”! impossível este aprendizado ter qualidade entre 4 paredes, sem aulas em roças, num curral, granja ou floresta.

O telecurso aumenta as dificuldades de aprendizado, aumenta o abandono da escola, demite centenas de professores.

Responsáveis por este crime: governo federal, governo estadual e Sintero

Este projeto inicialmente custará 33 milhões de reais, e será pago pelo governo Dilma/Lula/PT. No Amazonas, Piauí, Minas Gerais e outros estados já funcionam programas como este e a tendência é ampliar para o governo conseguir cumprir a meta de colocar toda a população de 4 a 17 anos na escola até 2016. Não se importam com a qualidade, só querem estatística para difundir a mentira de que o Brasil está crescendo.

Desde os anos de 1990 o Banco Mundial propõe a educação à distância como modelo para os países do 3º mundo, como nós.

Este programa absurdo está sendo implantado pelo governo Confúcio Moura (PMDB) e sem nenhuma consulta aos camponeses e diversos movimentos populares. A deputada Epifânia Barbosa (PT), que é acusada de receber propina da quadrilha de Valter Aráujo (PTB), teve a cara de pau de convocar uma Audiência Pública depois que o programa já estava aprovado.

A CUT em Rondônia e o Sintero também são responsáveis, pois João Ramão, representante deles no Conselho Estadual de Educação, permitiu sua aprovação. Ele ficou com o projeto durante um ano, debateu-o  com a diretoria do Sintero e terminou dando um parecer favorável. Mas já era de se esperar, pois a diretoria do sindicato de professores jogou sujo durante a greve de 2013, manobrou de toda forma e encerrou-a sem conquistas. Jogaram fora 2 meses de paralisação e contribuíram para semear a ideia de que lutar não resolve nada.

Governos e a educação: palavras de apoio, ações de destruição

O governo federal gasta milhões de nossos impostos em propagandas com artistas da Globo dizendo que a educação está atingindo índices cada vez maiores. Todos políticos falam que a saída para o país é a educação, a toda hora isto é repetido pelo monopólio dos jornais, rádios e TVs. Palavras jogadas ao vento. Na realidade, a educação pública no Brasil piora a olhos vistos. Não é a toa, que a melhoria na educação foi uma bandeira em todos protestos país afora, nesta onda de revolta iniciada em junho.

Em Rondônia cerca de 30.500 alunos do Ensino Médio estão fora da sala de aula, a maioria no campo. Faltam professores, principalmente de química, física e biologia e só aumenta o desinteresse dos jovens em se tornarem professores. Os gerentes de plantão dizem que o telecurso é a única saída possível para falta de professores e a falta de estradas pavimentadas. É claro que nunca sobra recurso para aumento de salário digno para os professores, nem para construir e reformar estradas com qualidade, pois Dilma está gastando quase 50% do orçamento com bancos, outra grande parte com obras milionárias para Copa da FIFA e Olimpíadas e Usinas hidrelétricas. O governo Confúcio triplicou os gastos com segurança privada, chegando a 58 milhões de reais mensais. E corre à boca pequena que as empresas terceirizadas que prestam este serviço são do governador.

O professor é a peça chave no processo de educação e não é valorizado pelos gerentes de turno. Os salários são pequenos e estão se desvalorizando ao longo dos anos, não existe um plano de carreira, a formação dos professores é de baixa qualidade e não há um plano para melhorá-la, não há apoio pedagógico nem psicológico para os alunos e professores. O que ainda funciona na escola pública deve-se ao esforço de professores, funcionários e coordenadores comprometidos, as secretarias e ministério da educação não apóiam e só cobram. Os professores vivem desestimulados, vários sofrem de estresse e depressão.

Educação pública, gratuita e de qualidade só pode ser conquistada com muita luta

Não basta termos mais turmas, computadores com acesso a internet, não basta termos diploma. O povo quer isto e muito mais. Queremos uma educação pública, gratuita e de qualidade. Queremos escolas no campo, ligadas com a realidade do campo, que ajude na solução de todos os problemas dos camponeses. Queremos teoria ligada à prática, com laboratórios e experiências científicas. Queremos professores contratados, bem formados e com aperfeiçoamento constante, que receba um salário digno e proporcional à sua formação.

Greves combativas e massivas de professores estouraram este ano em Goiânia e no Rio de Janeiro e ilumina a luta pela educação Brasil afora. Assim como a juventude cancelou o aumento das passagens em várias cidades brasileiras, nós também podemos barrar a implantação deste projeto nocivo. Devemos unir estudantes, camponeses, professores, funcionários e coordenadores comprometidos com a educação pública de qualidade numa grande luta para barrar a aplicação deste projeto. Vamos fazer como índios de Rondônia que ameaçaram: “Se tentarem instalar este programa telecurso na nossa aldeia, vamos derrubar as antenas!”

Barrar a implantação do projeto Ensino com Mediação Tecnológica!

Por uma escola pública, gratuita e de qualidade!

 

Moclate - Movimento Classista dos Trabalhadores em Educação e Escola Popular/RO

   
     
   
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