Vigoroso 3º Encontro de Mulheres Camponesas no Norte de Minas

Escrito por Movimento Feminino Popular
Publicado em 15/03/2014
Categoria: Notícias
Nos dias 08 e 09 e março reuniram-se na sede da colônia de pescadores, na cidade de Pedras de Maria da Cruz/MG companheiras dirigentes do MFP – Movimento Feminino Popular que atuam no movimento camponês do Norte de Minas e Bahia para realizar as celebrações pela ocasião do dia 08 de março – Dia Internacional da mulher proletária!

O Encontro realizou uma classista e vermelha saudação às mulheres do povo, especialmente às camponesas que lutam pela terra, enfrentando o velho Estado e o ódio do latifúndio. O III Encontro expressou um veemente repúdio ao governo de Dilma Rousseff/ PT como governo que aumentou a miséria e repressão no campo, piorando as condições de vida das mulheres camponesas!

Os debates sobre a situação política de nosso país, realizados no primeiro dia do encontro demonstraram a consciência destas companheiras sobre a crise que se encontra o Brasil, o pioramento da vida do povo no campo e nas cidades, motivo das greves e dos grandes protestos, levantamentos e crescimento da revolta popular.

O III Encontro classificou como crimes contra o povo a brutal repressão das manifestações populares e a criação de leis fascistas contra as mínimas liberdades democráticas e a criminalização dos movimentos populares, comandados pelo governo do PT/Dilma, para garantir os interesses dos monopólios nacionais e transnacionais, através das grandes obras e a realização da copa do mundo.

As companheiras, também condenaram a farsa eleitoral , denunciaram as políticas eleitoreiras neste período de estiagem prolongada em toda a região, a política dos caminhões pipas, as péssimas condições das estradas, das escolas e da saúde nas áreas rurais. Um manifesto com as denuncias, em nome do MFP foi distribuído na cidade.

No segundo dia do encontro, foi debatido mais uma vez, a campanha de punição para os criminosos do regime militar, civis e militares, mandantes e executores, das torturas, assassinatos e desaparecimentos forçados. Reafirmando a consigna de “Nem perdão, nem esquecimento, punição para os criminosos do regime militar!”

Várias canções de luta e palavras de ordem demonstraram o vigor e decisão das companheiras presentes no encontro para propagandear e aplicar as propostas aprovadas no término da atividade a respeito da organização dos núcleos do MFP nas áreas revolucionárias e nas cidades vizinhas e o trabalho junto com a Liga dos Camponeses Pobres do Norte de Minas e da Bahia.

Ao final foi feito um agradecimento solene aos companheiros da Liga e do Comitê de Apoio que garantiram as questões de estrutura e fizeram a alimentação do encontro para que as companheiras pudessem se dedicar aos debates.



Governo Dilma Rousseff/PT aumenta miséria e repressão no campo e piora a vida das mulheres camponesas!

Viva o 8 de março!

Viva o dia internacional da mulher proletária!

 
O Movimento Feminino Popular – MFP saúda as mulheres do povo pelo seu dia. Saudamos as mulheres camponesas, operárias, trabalhadoras do campo e da cidade, jovens, estudantes, professoras, intelectuais honestas e progressistas. O 8 de março é o dia das mulheres que enfrentam a batalha diária pela sobrevivência de suas famílias, de seus sonhos e suas esperanças. Saudar o 8 de março é reafirmar o caminho da participação combativa das mulheres na luta de classes, na luta contra a opressão e a exploração. Companheiras, a situação de penúria, miséria, sofrimentos e repressão que tem sido submetido o povo brasileiro nos convoca à luta!

Nos somamos aos trabalhadores e à juventude combatente que se levantam nas grandes cidades por melhores condições de vida, contra o arrocho salarial e medidas anti-povo (como a realização da copa do mundo) do governo do PT/Lula/Dilma.

Este governo criminaliza a luta do povo por direitos, declarando ilegal qualquer movimento grevista, tentando impedir à força as manifestações de rua, impondo brutal repressão com prisões violentas, processos e campanhas policiais pelos monopólios de imprensa.

Quando a presidente Dilma Rousseff foi eleita, como a primeira mulher a ocupar o cargo no país, muita gente acreditou que ela pudesse dar um “toque feminino” de honestidade e humanidade ao governo brasileiro. Os movimentos oportunistas, com seu feminismo burguês aplaudiam sentindo-se representados por Dilma como mulher, enquanto os machistas de plantão diziam “isso não vai dar certo”.

Mas desde aquela época, o MFP – Movimento Feminino Popular denunciava os compromissos que o governo do PT e Dilma haviam assumido com as classes dominantes desde antes da vitória eleitoral e que ficaram comprovados nos doze anos de governo do PT, com agravamento no governo Dilma.
Um governo marcado pela entrega do nosso país às corporações estrangeiras, à política de favorecimento dos bancos e grandes empreiteiras e mineradoras, de financiamento sem fim aos latifundiários (pomposamente chamados e agronegócio).

Um governo que acoberta os crimes do latifúndio contra os camponeses, indígenas e quilombolas, que aplica uma política repressiva contra movimentos populares e promove grande aparelhamento policial em todos os níveis.

Exemplo disso foi a criação da FNS - Força Nacional de Segurança, tropas especiais de polícia, sob comando do governo federal que tem atuado de forma mais brutal contra as greves operárias nas grandes obras, nas reintegrações de posse contra camponeses, indígenas e quilombolas; A FNS já é responsável por várias prisões e mortes de pobres no campo!  

No Norte de Minas, a situação se tornou ainda pior com a falência completa da reforma agrária, milhares de famílias camponesas sem terra, sem emprego, sem saúde, sem estradas, sem acesso à educação, vivem sob permanente ameaças da polícia e de bandos de pistoleiros mantidos pelos latifundiários.
Os “assentamentos” do INCRA foram completamente abandonados pelo governo e se tornaram verdadeiros cativeiros para milhares de famílias sem o título da terra, sem créditos e reféns de uma política de expulsão das terras pelo próprio Estado.

Desde a safra 2012 estamos enfrentando uma das maiores estiagens em 40 anos, o que torna ainda mais miserável e difícil a vida de milhares de famílias que perderam suas lavouras, suas criações e não contam com nenhum financiamento dos governos, que não se interessam em instalar os poços artesianos como uma solução permanente, para ficar tapeando o povo com os caminhões pipas e mantê-los sob sua bota. 

 

Indignação e revolta!

 
Nós, mulheres camponesas vivemos com essas dificuldades cotidianamente, lutamos junto com nossos companheiros, maridos e filhos para sobreviver dignamente, sob a pressão de reintegrações de posse, assinadas numa canetada pela Vara Agrária! Enfrentamos o ódio dos latifundiários que contam com a conivência desta mesma justiça para com seus crimes: 
 
Camponês ferido na cabeça no ataque de pistoleiros em Verdelândia/MGCamponês ferido na cabeça no ataque de pistoleiros em Verdelândia/MGEm janeiro deste ano, houve um brutal ataque de pistoleiros comandados pelo filho do latifundiário João Dias contra famílias camponesas em Verdelândia, vários feridos, alguns em estado grave. E o que sucedeu? Mais uma vez a polícia aparece para atacar a própria população, pois enquanto nenhum pistoleiro e mandante foi preso, várias motos de moradores foram apreendidas, armas de caça e uns usuários de drogas foram presos! Os responsáveis pelos conflitos agrários são os latifundiários e seus pistoleiros, acobertados pela polícia e pela justiça, e não a população pobre que se vira como pode sem transporte público ou qualquer assistência. E todo mundo aqui sabe os endereços e itinerários destes bandidos, mas como sempre, os governos, a justiça e a polícia nada faz contra os ricos e poderosos! 
 
Em novembro de 2012, ocorreu covarde ataque de dezenas de pistoleiros, apoiados pela polícia militar, contra as famílias que ocuparam a fazenda Beirada em Manga. Até hoje nem mesmo apuração dos fatos para punição destes marginais foi feita. A Fazenda Beirada possui altas dívidas com bancos estatais, multas ambientais, onde já foi comprovado até trabalho escravo pelo MT e até hoje não foi desapropriada e segue nas mãos de trambiqueiros!
 
Enquanto isso, a senhora Dilma Rousseff, quer nos fazer engolir sua propaganda mentirosa de que cumpriu seu compromisso com o campo. Ela deu sim bilhões de reais para os latifundiários. O seu anúncio das “100 desapropriações” no apagar das luzes em final de 2013 foi feito com muita propaganda eleitoreira para tentar salvar-se da pecha de pior governo para o campo.

E essas terras irão beneficiar menos de 5 mil famílias, que terão ainda que esperar por muitos anos para isso.  O governo do PT foi o que menos desapropriou terras para reforma agrária desde o regime militar no Brasil, ao mesmo tempo, que foi o período de mais prisões, torturas e assassinatos no campo.

Os crimes contra o povo, que a senhora Dilma Rousseff e seu partido acumulam nas costas, desde já estão sendo cobrados nas ruas e não serão esquecidos pelas camponesas e camponeses! Quanto mais se esmera em criar leis fascistas contra as mínimas liberdades democráticas e ordena a mais brutal repressão das manifestações populares, ao contrário de amedrontar o povo, intimidar e impedir os protestos, mais legítimos estes vão se tornando, pois cada vez mais expressarão a revolta e consciência do povo brasileiro sobre uma necessária e verdadeira democracia!

Convocamos as companheiras a se organizarem na luta pelos seus direitos mais sentidos, na luta pela conquista de suas reivindicações. Convocamos as companheiras à luta de nossa classe contra a burguesia, o latifúndio e seu velho Estado serviçal do imperialismo, principalmente dos Estados Unidos, bem como à esses governos lacaios de turno.

Companheiras, a luta pela libertação de nosso povo, para por fim a tantos sofrimentos se dá através de nossa organização decidida e classista, pelo caminho da revolução.

O MFP afirma o caminho da Revolução Agrária, da destruição do latifúndio, classe atrasada que só traz miséria! Convocamos as companheiras à luta por terra, pão, justiça e uma verdadeira e Nova Democracia! 
 
Despertar a fúria revolucionária das mulheres!
Viva a Revolução Agrária!
Terra, Pão, Justiça e uma Nova Democracia!
Março de 2014
   
     
   
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