Governo, “imprensa” e latifundiários preparam terreno para aumentar criminalização e assassinato de camponeses

Escrito por LCP de Rondônia e Amazônia Ocidental
Publicado em 28/09/2015
Categoria: Notícias

Operação de despejo na faz. Padre CíceroOperação de despejo na faz. Padre CíceroMais uma vez camponeses e a LCP são atacados pela imprensa marrom. No dia 24/09 o sítio rondoniavip publicou matéria na internet com o título: “Invasões ilegais de terras destroem natureza e provocam crimes no Vale do Jamari”.

O sítio rondoniavip que é um jornal a serviço do latifúndio em Rondônia e porta-voz dos órgãos policiais, tenta confundir a opinião pública, com o objetivo de justificar e preparar terreno para uma onda de criminalização da luta camponesa. Ao que tudo indica está em curso um plano do gerenciamento Dilma (PT) e Confúcio (PMDB), para intensificar ainda mais a repressão a luta camponesa na região do Vale do Jamari, com mais despejos, prisões e assassinatos.

Como é de costume desse tipo de “jornalismo”, fazem uma série de acusações sem apresentar nenhuma prova. De forma sensacionalista afirmam que as invasões de terra “estão causando uma verdadeira desordem pública na região do Vale do Jamari”. Acusam a LCP de ser responsável pela destruição da infraestrutura de uma fazenda, morte de “peões” e bovinos. E para sustentar tais acusações, afirmam que “encontraram uma bandeira vermelha com a sigla da LCP”.

E como sempre, para tentar desqualificar as famílias que estão lutando por um pedaço de terra, acusam os “invasores” de terem derrubado florestas, e praticarem venda de lotes “com um único objetivo: o lucro”. Afirmam ainda que diversos roubos ao comércio da região e “crimes de pistolagem” são praticados por “pessoas ligadas ao movimento de invasores.” Ou seja, repetem o já velho e ensebado discurso de que nas tomadas de terra não há camponeses, apenas bandidos.

Na publicação tendenciosa de rondoniavip, Nadir Jordão é mostrado como vítima. Mas a realidade é que esse senhor é um grande latifundiário, grileiro de terras. A fazenda citada na matéria como “exemplo”, (fazenda Padre Cícero, localizada na linha C-35, em Monte Negro) está nas palavras do próprio superintendente regional do Incra, “encravada em terras da União”. Clique aqui e veja ofício trocado entre Incra e Terra legal.

Na verdade essa é apenas uma entre tantas terras da União que chegaram a ser destinadas para projetos de reforma agrária, mas acabaram sendo griladas por latifundiários, muitas vezes em esquemas fraudulentos juntamente com o Incra e politiqueiros de Rondônia. Para se ter uma ideia do tamanho da fraude, mais de 200.000 hectares de terra na gleba Rio Alto, são terras desapropriadas pelo Incra desde a década de 1980. Mas isso, rondoniavip finge não saber.

Seguindo o estilo de imprensa marrom, em subtítulo “LCP e sangue”, rondoniavip (o nome do autor não é especificado) afirma: “A Liga dos Camponeses Pobres (LCP) é uma espécie de movimento diferenciado do Movimento dos Sem Terras (MST), com linha radical e violenta, mas não tem sede e nenhuma pessoa se apresenta como líder.”

Como sempre querem nos pintar como uma organização criminosa e sanguinária. Só faltou nos chamar de terroristas. A LCP luta pelo fim do latifúndio e pela conquista da terra como o único caminho para realizar uma verdadeira transformação, começando com a entrega das terras a quem nela trabalha, para os camponeses pobres sem terra ou com pouca terra. A Revolução Agrária é o único caminho possível para salvar nosso país da crise e da ruína. Não queremos apenas a conquista da terra, mas também lutamos para defender os direitos do povo, avançar a organização onde o povo vive e trabalha, melhorar as condições de vida, avançar na produção, comercialização, melhorar a saúde, educação, etc, buscando o verdadeiro progresso do nosso país. E o que tanto incomoda os que querem conservar as coisas como estão, é que defendemos o que é novo e justo, atuamos de forma combativa e independente de politiqueiros, apoiando nas nossas próprias forças. E nos diferenciamos sim da direção nacional do MST, que preocupados com cargos no governo, há muito tempo abandonaram as tomadas de terra amenizando a luta contra o latifúndio, desviando o povo da luta combativa e manobrando suas bases no sujo jogo eleitoral.

A LCP desde sua fundação realiza inúmeras atividades, como passeatas, distribuição de panfletos, atos, manifestações, encontros, congressos, etc. Todos de conhecimento público e abertos à participação de qualquer um. E ao contrário do que afirma o mentiroso rondoniavip, temos sim uma sede com endereço e telefone na cidade de Jaru.

E ninguém se apresenta como líder, porque simplesmente não há um líder que manda e os outros obedecem. Para pessoas como as que escrevem esse tipo de matéria deve ser difícil entender isso. O fato é que nossa força se baseia nos camponeses e apoiadores e não apenas em líderes. Nossas decisões são discutidas e definidas coletivamente pela maioria, e aplicada por todos. É oportuno lembrar que já tivemos inúmeras lideranças assassinadas. Em muitas ocasiões logo após sair de reuniões com Incra, Ouvidoria Agrária, e claro sempre com a presença de policiais e pistoleiros. Ao que parece quando rondoniavip reclama que as pessoas devem se apresentar como líderes, pretendem com isso facilitar o aumento do número de camponeses assassinados.

Elcio Machado assassinado em Rio AltoElcio Machado assassinado em Rio Alto Gilson Gonçalves assassinado em Rio AltoGilson Gonçalves assassinado em Rio Alto Renato assassinado na região de JacinópolisRenato assassinado na região de Jacinópolis
Paraíba, assassinado em SeringueirasParaíba, assassinado em Seringueiras Luiz Carlos, sequestrado e até hoje "desaparecido"Luiz Carlos, sequestrado e até hoje "desaparecido" Paulo Justino, assassinado em Rio PardoPaulo Justino, assassinado em Rio Pardo

A publicação de rondoniavip mostra cercas cortadas, supostamente por camponeses, e os acusa de serem violentos e organizarem grupos armados. Sempre com dois pesos e duas medidas, em nenhum momento os inúmeros casos de violência por parte do latifúndio são citados. Não cita, nem mostra os barracos e produção dos camponeses inúmeras vezes destruídos. Não cita o verdadeiro clima de terror imposto pela polícia e os bandos armados do latifúndio na região, que agem impunemente praticando ameaças, sequestros, torturas, assassinatos e desaparecimentos.

Só no período recente de 2015 já são dezenas o número de camponeses assassinados. Muitos são atacados pelo simples fato de apoiarem a luta pela terra.

Operação de despejo - Alto ParaísoOperação de despejo - Alto Paraíso Operação de despejo - Monte NegroOperação de despejo - Monte Negro Operação despejo - Monte NegroOperação despejo - Monte Negro Operação de despejo - SeringueirasOperação de despejo - Seringueiras
Barraco queimado durante despejoBarraco queimado durante despejo Camponês mostra ferimento Camponês mostra ferimento Prisão de camponeses - Faz. Padre CíceroPrisão de camponeses - Faz. Padre Cícero Operação de despejo - Faz. Padre CíceroOperação de despejo - Faz. Padre Cícero

E é sabido que nesses bandos armados há intensa participação de policiais formando verdadeiros grupos de extermínio. Setores da própria polícia fizeram afirmações nesse sentido, apontando inclusive que teriam “oficiais” envolvidos. Mas claro, que sobre isso, os responsáveis de rondoniavip nunca ouviram falar.

A situação é tão grave que os latifundiários, gozando de total impunidade e cobertura das forças policiais, não se preocupam em ocultar tal situação e confessam abertamente que pagam e utilizam policiais em seus bandos armados. E quanto a isso, o judiciário sempre pronto para reprimir camponeses, nada faz. Para exemplificar, veja o que disse o latifundiário Caubi Moreira Quito em declaração feita ao delegado Renato César Morari, em 12 de dezembro de 2014:

“(...) Que, na fazenda estava o vaqueiro Bassan, mais três policiais militares que estavam ali para fazer a segurança. (…) Que, a área é de conflito constante, sendo que negociou com o PM Rivelino e PM Dirceu, a “venda” de 150 (cento e cinquenta) alqueires, no valor R$ 2.000,00 (dois mil reais) por alqueire, em troca de que os mesmos providenciariam a segurança da área. Que, atualmente tem uns 10 policiais aproximadamente que estão na área, sendo que segundo Rivelino e Dirceu vão dividir os 150 alqueires para 10 alqueires para cada policial que ali está atuando. (...)” Clique aqui e veja a declaração na íntegra.

Certamente isso nunca sairá nas páginas do rondoniavip.

Pequena parte apreendida do arsenal de bando armado a serviço do latifúndio.Pequena parte apreendida do arsenal de bando armado a serviço do latifúndio.E como se não bastasse, os latifundiários estão se organizando mais, contando inclusive com associações para intensificar e incrementar seus ataques aos camponeses ao arrepio da lei. Mas na matéria, rondoniavip concorda e justifica: “Cansados de esperar pelos poderes públicos, alguns fazendeiros estão criando associações para se prevenirem contra invasores.”

Para não restar dúvida, a quem serve, basta observar o tratamento dado aos bandos armados. Nas raras vezes em que é feita alguma apreensão de armamento de pistoleiros, se a notícia não for abafada, se resume a uma simples nota. Veja um exemplo do próprio rondoniavip: http://www.jornalrondoniavip.com.br/noticia/buritis-policia-militar-apreende-grande-quantia-de-armas-e-municoes-em-fazenda,policial,17025.html

Se fosse um camponês com arma de caça, com certeza teria sua foto estampada nas manchetes e o berreiro seria grande. Mas como são guaxebas a serviço do latifúndio, o tratamento é VIP!

Por fim, indicam como “solução” para os “altos índices de violência na região” a criação de uma tal Delegacia de Conflitos Agrários. Ou seja, mais do mesmo: aumento da repressão sobre os camponeses pobres e suas organizações enquanto fazem “vista grossa” para os latifundiários e seus bandos armados agirem impunemente com ampla participação e cobertura da polícia.

Pistoleiros em SerigueirasPistoleiros em Serigueiras Pistoleiros da região de TheobromaPistoleiros da região de Theobroma Pistoleiros da região de TheobromaPistoleiros da região de Theobroma armas apreendidas com guaxebasarmas apreendidas com guaxebas
armas apreendidas com guaxebasarmas apreendidas com guaxebas "selfie" de guaxeba"selfie" de guaxeba "selfie" de guaxeba"selfie" de guaxeba Pistoleiros presos em Rio PardoPistoleiros presos em Rio Pardo
Pistoleiro da região de Rio PardoPistoleiro da região de Rio Pardo Pistoleiro da região de Rio PardoPistoleiro da região de Rio Pardo Pistoleiro da região de Rio PardoPistoleiro da região de Rio Pardo Pistoleiro da região de Rio PardoPistoleiro da região de Rio Pardo
Pistoleiro da região de Rio PardoPistoleiro da região de Rio Pardo Pistoleiro da região de Rio PardoPistoleiro da região de Rio Pardo Pistoleiro da região de Rio AltoPistoleiro da região de Rio Alto Pistoleiro da região de Rio AltoPistoleiro da região de Rio Alto

O que gera a violência no campo é a existência do latifúndio, responsável pela situação de atraso, miséria e exploração que vivem os pobres do campo. O secular problema agrário nunca foi resolvido no nosso país e ao longo dos anos só se agravou. Nos últimos 12 anos de gerenciamento do PT, foi dado rédea solta ao latifúndio enquanto o movimento camponês, principalmente o setor mais combativo, assim como os povos indígenas vem sofrendo ataques sistemáticos. Está mais que provado que a prometida “reforma agrária do governo” está completamente falida. E diante da grave crise que afunda o país, cada vez mais o incremento da repressão será a única alternativa aplicada pelos diferentes governos.

Nós da Liga dos Camponeses Pobres de Rondônia e Amazônia Ocidental repudiamos uma vez mais todo o sensacionalismo, a calúnia e difamação contra os camponeses pobres e nossa organização. Esse tipo de ataque não é novo, mas é muito grave! Os latifundiários, sua imprensa, sua polícia e os governos Dilma/Confúcio estão preparando graves crimes contra o povo do Vale do Jamari e demais regiões de Rondônia. Esse tipo de “matéria” de rondoniavip é apenas a preparação do terreno. E é inevitável observar a semelhança com as matérias feitas pela imprensa poucos dias antes do '‘massacre’' de Corumbiara, há 20 anos atrás.

Conclamamos a todos os verdadeiros democratas, intelectuais honestos, estudantes, professores, camponeses, trabalhadores da cidade, comerciantes, ao povo de Rondônia e de todo país, a repudiar esta campanha sórdida e a barrar os graves ataques arquitetados contra a luta camponesa.

O povo quer terra, não repressão!
Abaixo a criminalização do movimento camponês!
Abaixo a imprensa sensacionalista serviçal do latifúndio!

LCP - Liga dos Camponeses Pobres de Rondônia e Amazônia Ocidental

   
     
   
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