Latifundiários promovem terror contra camponeses, mas Polícia Civil faz operação contra tomadas de terra

Escrito por LCP de Rondônia e Amazônia Ocidental
Publicado em 13/12/2015
Categoria: Notícias
Na manhã de 8 de dezembro de 2015, houve uma grande operação da Polícia Civil em Buritis e região com o objetivo de combater invasões de terras. Chamada de “Paz na Terra” a operação contou com 58 policiais, delegados e escrivães da Polícia Civil, equipes da Força Nacional de Segurança e do grupamento aéreo da Sesdec – Secretaria de Estado da Segurança, Defesa e Cidadania com um helicóptero. 9 pessoas foram presas em flagrante e 29 indiciadas, a maioria por ameaça, esbulho pessessório e crimes ambientais. Foram apreendidas 11 espingardas, dois revólveres e várias munições.
 
Com a faca, o policial militar conhecido por Zeca Urubu, denunciado por vários crimes contra camponeses na região. Ele responde em liberdade por crime de tortura em Buritis.Com a faca, o policial militar conhecido por Zeca Urubu, denunciado por vários crimes contra camponeses na região. Ele responde em liberdade por crime de tortura em Buritis.A operação ocorre nas vésperas de uma Audiência Pública organizada pela LCP e Comissão de Direitos Humanos da OAB, com o apoio da Universidade Federal de Rondônia, exigindo o fim da violência do latifúndio contra os camponeses em Rondônia.
 
Uma matéria da Sesdec levou o título de “Operação Paz no Campo (sic) desarticula quadrilha de grilagem de terra na região do Vale do Jamari”. E em entrevista para a Rede TV sobre a operação, o diretor Geral da Polícia Civil, Eliseu Muller afirmou que os presos são “pessoas bem sucedidas e usam suas influências para lucrar e cometer crimes”. Mas a julgar pelas armas apreendidas, não foi preso nenhum latifundiário, pistoleiro, policial ou comandante da PM, envolvidos em vários crimes denunciados, fartamente comprovados.
 
Pistoleiro do Vale do Jamari, fortemente armadoPistoleiro do Vale do Jamari, fortemente armadoO secretário de segurança, Antônio Carlos dos Reis, afirmou que “pessoas mal-intencionadas estão se infiltrando em grupos que lutam pela terra de forma ordeira para se beneficiar.” O discurso que aparenta defender os camponeses, na verdade esconde os maiores criminosos do Vale do Jamari, os latifundiários e seus crimes comprovados, inclusive com participação de policiais sob o comando do governador Confúcio Moura/PMDB: despejos violentos, ameaças, agressões, torturas, tentativas de homicídio, desaparecimentos, assassinatos.
 
Segundo Eliseu Muller, esta operação é fruto de quatro meses de investigação da polícia. Parece que o tempo não foi suficiente para a Polícia Civil descobrir as armas pesadas e novas dos bandos de pistoleiros, com a participação de policiais, de Caubi Moreira Quito, nem a grilagem de 4 mil lotes destinados a reforma agrária feita por latifundiários. Este fato ocorreu nas Glebas São Sebastião e Rio Alto, esta última, foco da operação “Paz na Terra”. Na estrada, policiais militares em viaturas escoltam carro do latifundiário grileiro Caubi Moreira Quito para funcionários colocarem sal para o gado, na fazenda Foromosa, ocupada por camponeses da Área 10 de Maio (Buritis).Na estrada, policiais militares em viaturas escoltam carro do latifundiário grileiro Caubi Moreira Quito para funcionários colocarem sal para o gado, na fazenda Foromosa, ocupada por camponeses da Área 10 de Maio (Buritis).Juntas, elas somam cerca de duzentos mil hectares cortados pelo Incra há mais de 20 anos, grilados por latifundiários, como Nadir Jordão dos Reis, que se diz o dono da fazenda Padre Cícero, tomada por camponeses da Área Monte Verde. Mas ele não é considerado pela Polícia Civil de Confúcio Moura/PMDB como membro da quadrilha grileira.
 
Antônio Carlos dos Reis apresentou as ações da secretaria para a questão agrária: operações, aumento do efetivo policial na região, reuniões com o Incra e Ministério do Desenvolvimento Agrário e um relatório para estes órgãos, a fim de que se efetive a reforma agrária na região. Mas isto deveria ser tarefa da secretaria de agricultura ou assistência social, pois a luta pela terra não é caso de polícia. É mais uma prova de que Confúcio Moura/PMDB trata a luta camponesa como crime, da mesma forma que Luiz Inácio/Dilma Rousseff/PT. Mas não esperamos nada diferente destes governos vende-pátria, serviçais do latifúndio, grande burguesia e imperialismo.
 
Aproveitamos para reforçar a convocação de todos camponeses, operários, professores, estudantes, trabalhadores em geral, movimentos e entidades democráticas para participarem da Audiência Pública que ocorrerá na segunda-feira, dia 14 de dezembro, às 14 horas no auditório Paulo Freire, no campus da Unir de Porto Velho. Basta de despejos, torturas, desaparecimentos e assassinatos de camponeses em Rondônia e todo o país!
 
Lutar pela terra não é crime!
Terra para quem nela vive e trabalha!
Conquistar a terra, destruir o latifúndio!
 
Jaru, 09 de dezembro de 2015
   
     
   
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