Camponês do Acampamento Paulo Justino é assassinado

Escrito por LCP de Rondônia e Amazônia Ocidental
Publicado em 13/12/2015
Categoria: Notícias
Francimar de Souza, assassinado por pistoleirosFrancimar de Souza, assassinado por pistoleirosCamponeses do Acampamento Paulo Justino, em Alto Paraíso, comunicaram a sede da LCP que o acampado Francimar de Souza foi assassinado no dia 11 de dezembro de 2015, possivelmente por pistoleiros dos latifundiários Caio Brito e Antônio Faitaroni. Francimar tinha apenas 21 anos e foi morto por tiros de arma de fogo e facadas.
 
Em outro caso recente, na mesma região, pistoleiros de Caio Brito / Antônio Faitaroni atacaram o funcionário de um fazendeiro vizinho que trabalhava na divisa com a fazenda Santo Antônio. Provavelmente, os pistoleiros pensaram que ele era um camponês e o agrediram brutalmente. Ele foi encontrado por um companheiro de trabalho que saiu em sua procura. A vítima não conseguia nem ficar de pé e teve que ser socorrida num carro. Segundo informações dos acampados, o funcionário está internado num hospital público na capital Porto Velho.
 
Histórico de violência do latifúndio e pistoleiros, com a conivência da polícia
 
No dia 1º de novembro, 25 famílias ocuparam a fazenda Santo Antônio (antiga fazenda Pedra Bonita), situada na Gleba 06 de Julho, PA Santa Cruz, no município de Alto Paraíso, de cerca de 2000 alqueires. O mandado de “Interdito Proibitório” expedido contra os trabalhadores tem como autor Antônio Carlos Faitaroni, mas os acampados suspeitam que ele seja apenas um laranja de Caio Brito, que se dizia o dono da área. É muito comum esta situação nebulosa quanto à definição dos proprietários dos latifúndios, especialmente na região amazônica. Antônio Faitaroni tem dito que não vai perder a fazenda porque tem 36 homens lá, e que busca mais caso aconteça algo com eles. Ele manda recados aos líderes, que na verdade, são ameaças:“são novos, é melhor desistirem.”
 
Francimar de Souza, acampado da área Paulo Justino, assassinado por pistoleirosFrancimar de Souza, acampado da área Paulo Justino, assassinado por pistoleirosNo dia 4 de novembro, os acampados foram covardemente agredidos e despejados por um bando de 8 pistoleiros fortemente armados. Nos dias seguintes, os pistoleiros atacaram camponeses vizinhos do acampamento, invadindo casas, abordando na estrada, roubando e ameaçando de morte quem não contasse onde as famílias acamparam depois de serem despejadas por eles. Roubaram R$ 200 de um camponês que vende picolé nas casas, quando ele passou em frente a fazenda. Outro camponês abandonou o sítio depois que sua casa foi invadida duas vezes, com medo das ameaças. Um delegado de Ariquemes afirmou para um morador que a polícia estava atuando na área. Mas até agora, nenhum pistoleiro foi preso.
 
Desde então, as famílias estão acampadas no lote de um camponês do Assentamento Terra Prometida, mas não desistiram da luta pelo sagrado direito à terra. Esta área já foi liderada pelo casal Tonha e Serafim, assassinados por pistoleiros a mando de latifundiários em 2003, quando voltavam de uma reunião no Incra em Ariquemes.
 
No dia 23 de novembro, por volta das 19 horas, dois camponeses sofreram tentativa de homicídio quando passavam na estrada C 60, dentro da Área Terra Prometida, indo para o Acamamento Paulo Justino. Dois homens armados mandaram-nos parar, eles não obedeceram e saíram em alta velocidade, quando ouviram dois disparos em direção a eles. Felizmente, nenhum tiro os acertou.
 
O camponês quer terra, não repressão!
Terra para quem nela vive e trabalha!
Conquistar a terra, destruir o latifúndio!
   
     
   
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