Terrorismo dos latifundiários não vai parar a luta pela terra

Escrito por Comissão Nacional das Ligas de Camponeses Pobres
Publicado em 18/02/2016
Categoria: Notícias

De sofrer tantos abusos e de ser vítimas de tantas matanças, as massas revoltadas
têm sede de justiça e vingança do sangue derramado de seus filhos e suas lideranças

 
A alta concentração da propriedade da terra em Rondônia está na base das inúmeras chacinas como o massacre de camponeses que lutavam por um pedaço de terra, em 1995, na fazenda Santa Elina, em Corumbiara e a continuada eliminação de lideranças e lutadores do povo. A traição dos governos do PT (Lula e Dilma) da promessa de "reforma agrária" e seu total apoio ao "agronegócio" (latifúndio) só piorou a concentração da terra. Esta situação empurrou milhares de famílias de camponeses pobres para a luta por um pedaço de terra. Em Rondônia, enquanto os camponeses pobres são dezenas de milhares sejam como pequenos proprietários vivendo esprimidos no pequeno sítio da família que mal dá para comer, sejam como sem têm terra alguma vivendo amontoados nas periferias das cidades, os latifundiários são só um punhadinho de famílias mafiosas, ladronas de terras da União. Inclusive muitas são terras já destinadas há muitos anos para a "reforma agrária", que os sucessivos governos nunca "assentaram", exatamente para que essas terras fossem objeto das negociatas entre políticos e latifundiários. É o caso de muitas das terras das fazendas do Vale do Jamari.

Este roubo escandaloso de terras sempre foi feito em conluio com os políticos e autoridades do governo do estado. Em Rondônia, quando não são os latifundiários mesmos os políticos e autoridades são eles que os financiam, de forma que sempre são eles os que mandam e desmandam no estado, onde reinam por meio da corrupção e dos assassinatos de camponeses pobres.
 
Massacres de índios, camponeses e garimpeiros e eliminação de suas lideranças

Como é conhecido em todo país e inclusive internacionalmente, a história de Rondônia, especialmente a partir de sua passagem de Território a Estado, está feita de seguidos e cruéis massacres de populações indígenas e de famílias de camponeses vindos de todas as partes do país em busca de um pedaço de terra. Os latifundiários (criadores de gado, depois soja), grandes madeireiras e mineradoras ocuparam as melhores terras expulsando povos indígenas inteiros e colonos pobres.

Na década de 1980, continuados massacres de populações indígenas foram perpetrados por bandos armados a serviço de latifundiários e grandes madeireiros em várias regiões do estado, a fim de expulsar estes povos de suas terras e consolidar a colonização imposta pelo gerenciamento militar. Já nos anos de 1990 diante do crescimento das tomadas de terra na região, latifundiários liderados por Antenor Duarte organizaram junto com a Policia Militar e governo do estado a repressão a luta camponesa em Corumbiara, resultando no massacre na fazenda Santa Elina, em 1995, com pelo menos 9 camponeses brutalmente assassinados, entre eles uma criança de 7 anos.

Outros episódios de massacres mais conhecidos resultaram no assassinato de garimpeiros em Corumbiara, na serra do Touro em 1983 e Espigão do Oeste, na reserva Roosevelt em 2002, que tinham como objetivo garantir os interesses de grandes grupos econômicos na exploração de minérios e riquezas e claro na concentração das terras nas mãos destes mesmos grupos. Algumas das famílias mafiosas de Rondônia se beneficiaram do garimpo de diamantes.

Segundo dados apontados pela agência amazonia.org (http://amazonia.org.br/tag/conflitos-agrarios/) cerca de 1115 assassinatos decorrentes da luta pela terra foram registrados entre 1985 e 2014, destes apenas 12 foram julgados. O relatório parcial de assassinatos decorrentes de conflitos no campo em 2015 foi o maior dos últimos 12 anos no Brasil. De janeiro de 2015 a fevereiro de 2016 foram registradas mais de 50 assassinatos, só em Rondônia foram 21 assassinatos e pelo menos 3 casos de camponeses desaparecidos.
 
Policiais e governantes de Rondônia protegem o roubo de terras e os crimes do latifúndio

As polícias, justiça, ninguém nunca cita sequer os assassinatos, os inquéritos sequer são concluídos, só abrem a boca para tomar as dores dos latifundiários e chorar pelas invasões de fazendas. A onda de crimes contra camponeses em Rondônia atingiu níveis alarmantes. Principalmente na região do Vale do Jamari (Buritis, Campo Novo, Monte Negro, Alto Paraíso, Ariquemes, Cujubim, etc.) só de dezembro para cá foram mais de 6 assassinatos e três desaparecimentos. Mas esta situação não é de agora, nos últimos dez anos com o aumento de busca pela terra por famílias de camponeses pobres nesta região os latifundiários incrementaram a pistolagem e a polícia suas ações repressivas. Desde então a matança de camponeses e suas lideranças não tem fim.

De 2007 até hoje foram assassinados dezenas de camponeses e lideranças, sendo que vários deles ou eram coordenadores da LCP ou apoiadores dela como Zé Bentão, José Vanderlei Parvewfki, Nélio Lima, Élcio Machado, Gilson Gonçalves, Oziel Nunes, Enilson Ribeiro dos Santos e Valdiro Chagas de Moura, além de Renato Nathan e Paulo Justino militantes da luta pela terra.

O que fizeram as autoridades diante destes crimes senão justificar os bárbaros assassinatos acusando-os de invasores, de bandidos, desqualificando e demonizando a LCP? Nenhum caso foi devidamente investigado e nenhum inquérito concluído. É de destacar que em todos estes episódios, mesmo quando não correspondia à sua jurisdição, a figura infeliz e medíocre de Ênedy esteve presente sempre caluniando e acusando a LCP. Apesar das inúmeras denúncias sobre pistolagem, desmatamento ilegal e grilagem de terras da União por latifundiários, de inúmeros dossiês contendo provas destas ações criminosas, nunca foi feito nada.

O atual comandante da PM que nada diz sobre os assassinatos de coordenadores da LCP e só acusa os camponeses de bandidos e a LCP de quadrilha fez sua carreira policial perseguindo os camponeses pobres e a LCP. Mesmo com o flagrante de ações dos bandos de pistoleiros, de paramilitares e de grupos de extermínios formados por pistoleiros e policiais, nada diz e o que se vê é o descarado acobertamento destes crimes pelas autoridades e as mentirosas manipulações dos fatos pela imprensa mercenária.

Agora mesmo diante dos crimes mais bárbaros de camponeses, o mesmo de sempre Ênedy, aparece toda hora para acusar as vítimas e de forma direta ou indireta tentar incriminar a LCP ou relacioná-la de alguma forma com todo tipo de acontecimento violento. Não para de cacarejar de que quadrilhas estão fazendo terror usando o nome da LCP. Do que ele não diz uma palavra é sobre a organização terrorista criada sob a fachada de Associação dos Pecuaristas do Vale do Jamari e comandada pelo latifundiário Antonio Carlos Faitaroni, que não contentando em expulsar a bala 25 famílias do Acampamento Paulo Justino, em Alto Paraíso, depois que estas receberam a solidariedade e acolhimento do povo do Assentamento Terra Prometida (vizinho daquele acampamento), lançou seus assassinos mercenários para aterrorizar os moradores das linhas daquela área. Depois destes bandidos barbarizarem impedindo até a escola rural de funcionar, roubar moradores, apontar armar, espancar um pai de família se fazendo passar por gente da LCP, o Rondônia VIP passou a berrar que "grupos armados da LCP" patrulhavam e aterrorizavam aquela região. Não se sustentando a mentira o que disse o senhor Ênedy sobre isto? Como sempre nada!

Nenhuma palavra sobre os assassinos a serviço do latifúndio, mesmo quando pistoleiros são pegos a luz do dia portando todo tipo de armamento, inclusive com policiais identificados entre estes bandos de criminosos a soldo dos latifundiários. Dentre outros está o caso recente em Cujubim envolvendo duas camionetes e 10 pistoleiros da fazenda Tucumã, que após um despejo violento de dezenas de famílias, mataram um jovem queimando-o dentro de um carro e desaparecendo com outros dois. O caso do 3º sargento PM Moisés Ferreira de Souza, condenado por homicídios e formação de quadrilha e cumprindo pena em "regime fechado", e implicado nestes crimes, teve a fuga facilitada após o bando trocar tiros com polícia civil. Descaramento tal que talvez tenha provocado a declaração do delegado Tiago Flores de que na apreensão da metralhadora de posse desses assassinos, que este fato era indício de que agentes de segurança do Estado eram parte do bando de matadores. E o que disto resultou? Denunciamos e acusamos o coronel Ênedy de capitão-do-mato perseguidor de camponeses pobres e protetor dos latifundiários.
 
O ouvidor agrário Gercino é cúmplice dos crimes do latifúndio

O ouvidor geral Gercino da Silva, nomeado por FHC e mantido por Lula e Dilma, como alto burocrata e serviçal de poderosos, desempenhou até agora seu papel de autêntico preposto dos latifundiários. A custa do erário público realizou mais de mil audiências sob o pomposo nome de "Comissão Nacional de Combate à Violência no Campo", enquanto a matança de camponeses, indígenas e suas lideranças a mando dos latifundiários só aumentou. Pusilânime e cínico diante dos crimes mais brutais praticados contra camponeses e suas lideranças sequer lamenta e se presta unicamente a enviar mensagens de falsos sentimentos à famílias das vítimas. Nada faz para denunciar tantos crimes cometidos debaixo dos seus olhos, ao contrário promove reuniões conjuntas dos órgãos de repressão do Estado com estes criminosos latifundiários e convida as lideranças dos camponeses para participar dessa encenação feita para legitimar toda esta ordem injusta e expor as lideranças camponesas aos seus verdugos. Inúmeras lideranças em todo o país foram assassinadas depois de tomarem parte de tais audiências presididas por este sinistro senhor. Denunciamos e acusamos o senhor Gercino por cumplicidade nesse genocídio de camponeses pobres e suas lideranças.
 
A imprensa mercenária e o lixo Rondônia VIP: cloaca dos latifundiários

A imprensa mercenária mentirosa, encabeçada pelo Rondônia VIP, é o monturo de onde exala e expele todo tipo de imundice atirada contra os trabalhadores pobres e para esconder os crimes e bandalheiras de seus amos latifundiários. Montado para caluniar os camponeses em luta pela terra, e satanizar a LCP e outras organizações como a CPT que também defendem a luta pela terra, este biombo de fabricar mentiras e manipulação dos fatos da realidade age na tentativa desesperada de criar opinião pública a favor da continuidade da apropriação indébita e roubo de terra pelos latifundiários; para incriminar as vítimas deste sistema de exploração, os camponeses pobres e suas lideranças, pintando-os como os piores bandidos e assim manter a impunidade de sempre dos crimes destes parasitas; para seguir acobertando os bandos de pistoleiros e policiais assassinos que operam a soldo do latifúndio. Denunciamos e acusamos esses fabricadores de mentiras de mercenários a serviços dos latifundiários, de enganar a população, de acobertarem bandidos e criminosos e de fazerem parte da quadrilha de ladrões de terra e das máfias que controlam o poder de estado em Rondônia.
 
A LCP organiza a luta pela terra, mas as massas revoltadas tem sede de justiça e vingança

A LCP é a organização política dos camponeses pobres empenhada em mobilizar, politizar, organizar e apoiar os camponeses na luta pela terra. Os inimigos dos camponeses pobres e de todo o povo trabalhador não descansam em caluniar, perseguir, prender e cometer os mais covardes assassinatos contra os camponeses pobres e militantes da LCP. O ódio e revolta do povo camponês com tanta exploração, abusos e covardias cometidas contra ele é cada dia maior como é incontida sua sede de justiça e de vingança do sangue derramado de seus filhos e de suas lideranças. Quanto mais nos reprimirem e massacrarem mais ódio estamos juntando e vai chegar o dia do acerto de contas com os exploradores e assassinos do povo pobre trabalhador.

Não temos medo desta canalha milionária de sanguessugas assassinos covardes. Nenhuma campanha de difamação e mentira vai nos intimidar. O terrorismo dos latifundiários com seus bandos de assassinos a soldo, acobertados por agentes do Estado, por governos e juízes mercenários não pode e nem vai parar a luta pela terra. Os criminosos travestidos de autoridades, com cargos e funções obtidos com corrupção e na farsa das eleições pensam que podem afogar em sangue a luta pela terra. Enganam-se senhores, o sangue derramado de nossos companheiros rega a nossa sagrada luta por exterminar o latifúndio e pela entrega das terras para os camponeses pobres sem terra ou com pouca terra, seus verdadeiros e legítimos donos.

A LCP rechaça todos os ataques caluniosos lançados sistematicamente pela polícia, governantes e essa "imprensa" latifundiária venal contra os camponeses pobres, contra a luta pela terra e contra seus abnegados militantes. A LCP reafirma sua posição de defender intransigentemente os camponeses pobres sem terra ou com pouca terra, de lutar com as massas por conquistar a terra para por fim ao secular latifúndio, causa das maiores desgraças do povo pobre, do atraso de nosso país e subjugação da nação por potências estrangeiras.
 
Por fim perguntamos:

Povo de Rondônia, com tanta terra da União, inclusive roubadas por latifundiários, porque os camponeses pobres tão necessitados não podem ter seu pedaço de terra?

Porque e até quando a maior parte das terras e as melhores delas têm que estar nas mãos dessa minoria de parasitas, os latifundiários, que montam seus impérios chupando o sangue dos camponeses, cometendo os maiores crimes contra eles e roubando terra?

Se os programas de "reforma agrária" do governo é só enrolação e os camponeses pobres só conseguem terra organizando suas tomadas, vamos nos resignar na miséria vendo nossos filhos caindo na marginalidade e na droga ou vamos tomar os latifúndios, dividir as parcelas entre os mais necessitados para nela produzir e viver?
 
De nossa parte respondemos:

No Brasil os camponeses pobres vivendo espremidos no pequeno sítio da família que mal dá comer e os sem terra nenhuma vivendo amontoados nas periferias das cidades são milhões que necessitam de terra, mas organizados e unidos, custe o que custar, vamos conquista-la!
 
A luta pela terra vai continuar e com a crise que devasta os lares pobres com desemprego ela só vai crescer!

Camponeses pobres do Brasil e de Rondônia: unam-se com a LCP e levantemo-nos em grandes ondas para varrer o latifúndio do mapa, entregando a terra a quem nela vive e trabalha!
 
Abaixo o terrorismo dos latifundiários e seus bandos de pistoleiros e policiais!
Fora autoridades corruptas e latifundiários ladrões de terra e assassinos covardes!

Terra para os camponeses pobres sem terra ou com pouca terra!
 

Comissão Nacional das Ligas de Camponeses Pobres

Goiânia, fevereiro de 2016
   
     
   
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