PM destrói dezenas de casas na Comunidade Baixa Funda

Escrito por Comitê de Apoio à Luta pela Terra
Publicado em 04/04/2016
Categoria: Notícias

Terrorismo de Estado de Pimentel (PT):

PM destrói dezenas de casas na Comunidade Baixa Funda em Manga - MG

Na última terça-feira, dia 29/03, o governo estadual de Fernando Pimentel (PT) cumprindo liminar de reintegração de posse expedida pelo juiz da  Vara Agrária o  fascista Dr. Octávio de Almeida Neves(primo do playboy Aécio Neves - PSDB), comandou uma odiosa ordem de despejo contra as 84 famílias que trabalham e produzem há 18 anos na Comunidade Baixa Funda, nas terras da Fazenda Marilândia em Manga no norte de Minas Gerais. Como denuncia a Comissão Pastoral da Terra (CPT), “o INCRA tem sido omisso e cúmplice dessa grande violência que está sendo perpetrada contra 84 famílias, pois poderia ter desapropriado ou comprado a fazenda.”

Dezenas de casas de alvenarias foram destruídas pelos tratores que passaram por cima de tudo, enquanto as famílias protestavam indignadas! Móveis, roupas, utensílios domésticos, tudo foi destruído pelos verdadeiros atos de "vandalismo" cometidos pela PM sob o comando de Pimentel (PT). Como nos relatou o camponês Josemar dos Santos que teve suas panelas, latas d`água, dorna e até mesmo sua feira de alimentos destruídos pela ação covarde da PM.

Enquanto não há dinheiro para o falido programa de "reforma" agrária e o povo pobre do campo e da cidade têm todos os seus direitos negados com sucessivos cortes de verbas para a educação e saúde públicas, a PM gastou em torno de 50 mil reais dos cofres públicos, deslocando um verdadeiro aparato de guerra contra dezenas de famílias de trabalhadores: 2 microônibus lotados de soldados, mais de 10 viaturas, 4 tratores, vários caminhões... tudo para servir a latifundiários e grileiros de terras públicas da região.

A destruição promovida pela PM só não foi maior, pois, ainda no dia 30/03, após a retirada do grosso das tropas da polícia militar um grupo de camponeses não permitiu que os tratores, que eram acobertados por PM`s de Montalvânia, continuassem a destruir as casas. No momento em que os tratores, conduzidos pelos capachos do latifúndio, deslocaram em direção às casas, os camponeses os enfrentaram e não aceitaram a continuidade daquela covardia. Não tendo o que fazer, os capangas do latifúndio foram fazer o acero das cercas da fazenda.

Este é o 11º despejo enfrentado pelas famílias que ocupam parte das terras devolutas griladas pelo latifundiário Thales Dias Chaves e que, recentemente, foram “compradas” por Valter Arantes(conhecido como Valtinho), dono da Rede de Supermercados BH e um dos maiores latifundiários do Norte de Minas, que possui dezenas de fazendas na região e que tem se especializado em negociar e especular com terras ocupadas pelos camponeses. As famílias da Baixa Funda realizaram no últimos anos combativas manifestações como o fechamento da BR  135 e a interdição do Porto das balsas sobre o Rio São Francisco que liga a cidade Manga à Matias Cardoso. Estes honrados homens e mulheres já deixaram claro que, apesar da repressão fascista do velho Estado perpretada pela PM de Pimentel, seguirão lutando e que conquistarão as terras da Fazenda Marilândia!

Algumas cenas revoltantes da repressão fascista e da combatividade de nosso bravo povo sertanejo:

A justa fúria de uma mulher camponesa: Uma senhora já marcada pelos longos anos de luta e labuta na roça, ao assistir a casa de um companheiro sendo destruída pelas maquinas despertou toda a sua justa fúria. Gritando de indignação, esbravejando contra os canalhas que cometiam toda aquela covardia. A senhora foi para cima dos policiais que, como de costume, a agarraram e a imobilizaram, mas ela deu um solavanco jogando um dos policiais a mais de dois metros. Quando a camponesa começa a sentir um mal estar, um dos policiais grita: - "larga, pois se esta mulher morrer, vamos ter problema!"

A superioridade moral do camponês: O policial pergunta: - o senhor não é aposentado? - A aposentadoria da Dilma não dá para sustentar minha família, responde de forma altiva o senhor com seus já mais de 70 anos de idade. O policial insiste: - não tem uma espingardinha aí? - Eu sou trabalhador, eu tenho é um facão, enxada, machado, foice e coragem para trabalhar...  responde. O policial, sem ter mais o que dizer, sai calado...

Produção das famílias na Baixa Funda:

As famílias camponesas da Baixa Funda, vencendo a pior seca dos últimos cem anos, sem contar com o apoio  do velho Estado, somente com o suor de seu rosto e dignidade, são conhecidas em toda a cidade de Manga e região como uma comunidade de homens e mulheres trabalhadores e honestos. Os camponeses plantam melancia, abóbora, maracujá, milho, feijão, entre outros produtos que abastecem o comercio local vendidos semanalmente na feira da cidade. A criação de suínos é comercializada nos açougues da região. Hoje, existem mais de 10 toneladas de mandioca a serem colhidas no final deste ano. Anualmente, toneladas de mamona são comercializados por meio de convênio firmado junto à Petrobras para a produção de biodiesel.

Ao contrário dos latifundiários Valter Arantes (conhecido como Valtinho) e Thales Dias Chaves, que nada produzem para o interesse do povo da região, além de cometerem inúmeros (e sempre impunes) crimes ambientais como a recente queimada de mais de 100 hectares de mata - inclusive, dezenas de hectares de madeira de lei - para plantio de capim.

Mesa de Diálogo é demagogia do PT! O povo quer terra, não enrolação e repressão!

O velho Estado e o seu podre judiciário, ambos, a serviço do latifúndio, mais uma vez, usa da demagogia do “diálogo” com uma mão, enquanto com a outra preparava a sua feroz repressão contra os trabalhadores em luta pela terra.

No dia 08 de março 2016, representantes da Comunidade Baixa Funda participaram de uma reunião da Mesa de Diálogo do governo de Minas Gerais. Nesta reunião, supostamente, teria ficado acordado entre os camponeses, representantes dos pretensos proprietários da fazenda Marilândia e representantes de várias instituições estatais, a vistoria por representantes da Mesa de Diálogo na área e a suspensão temporária da liminar de reintegração de posse, por, pelo menos, 120 dias, para que ao menos as famílias pudessem colher as suas roças.

No dia 17 de março, um representante da Mesa de Diálogo que se apresentou como "Reginaldo", junto a uma outra pessoa que se apresentou como técnico agrícola, visitaram a Comunidade Baixa Funda. Durante dois dias, visitaram as famílias, fotografaram todo o local, entrevistaram e filmaram vários camponeses.

No dia 23 de março, menos de uma semana após a "visita" dos membros da Mesa de Diálogo e em plena Semana Santa, os camponeses são notificados sobre o cumprimento da liminar de reintegração de posse para o dia 29 de março.

Ou seja: 21 dias após a realização da Mesa de Diálogo e apenas 12 dias após a "visita" dos seus representantes à Baixa Funda.

Não há dúvidas de que todos estes fatos são parte de um mesmo enredo, uma grande armação que culminou na criminosa e vergonhosa operação de guerra comanda por Fernando Pimentel (PT) contra as famílias camponesas da Baixa Funda. Até mesmo porque, como afirma textualmente o decreto n° 203, de 1° de julho de 2015, que institui sua "Mesa de Diálogo": "O planejamento operacional nos casos de deslocamentos de força policial para atender requisição judicial pela Polícia Militar do Estado, sempre que o cumprimento possa acarretar conseqüências sociais com repercussão na ordem pública, deverão ser previamente submetidos ao Gabinete Militar do Governador, ouvida a Mesa de Diálogo".

 

Comissão Paz no Campo do PT faz escola em Minas Gerais

Os fatos narrados envolvendo as famílias da Baixa Funda de reuniões entre camponeses, latifundiários e pistoleiros; demagogia, enrolação, falsas expectativas e ilusões; identificação de lideranças e mapeamento das "áreas de conflito". Terminando, invariavelmente, com a cruenta repressão contra as massas camponesas em luta pela terra, são fortes indícios de que a Mesa de Diálogo instituída recentemente por Pimentel (PT) - aclamada como um modelo a ser seguido por todo o país -  segue o já tragicamente famoso roteiro da morte imposto pela Comissão Paz no Campo comandada pelo Ouvidor Agrário Nacional, Desembargador Gercino José da Silva Filho.

Tal Mesa de Diálogo de Pimentel (PT) é filha primogênita da Comissão Paz no Campo responsável pelas mais violentas ações contra os camponeses pobres, quilombolas, indígenas e suas organizações de luta e pelo assassinato de diversas lideranças. Como no episódio da fazenda Forkilha, no Sul do Pará, em novembro de 2007, sob a gerência de Ana Julia Carepa (PT) que com uma imensa Operação de Guerra contra os camponeses pobres promoveu verdadeiro “Terror no Campo” por meio da mais cruenta repressão e torturas, abrindo caminho para a posterior execução de 11 camponeses, dentre os quais o dirigente da LCP Luiz Lopes. Além da identificação e posterior execução de diversas lideranças camponesas como o companheiro  Paulo Justino Pereira assassinado em uma tocaia em Buritis, Rondônia, no ano passado e de nosso querido companheiro Cleomar Rodrigues, dirigente da LCP do Norte de Minas e Sul da Bahia, também assassinado numa tocaia em outubro de 2014 após participar de uma reunião da Comissão Paz no Campo.

Tanto é que, conforme publicado pelo Portal do governo do Estado de Rondônia no último dia 11 de março http://www.rondonia.ro.gov.br/2016/03/107304/, o próprio Ouvidor Agrário dos Latifundiários Gercino Filho, em reunião com o secretário-chefe da Casa Civil Emerson Castro, manifestou publicamente seu interesse em implementar tal Mesa neste estado que têm sido palco de uma verdadeira escalada fascista contra a luta pela terra com os mais graves e absurdos crimes cometidos pelo latifúndio junto ao velho Estado sob o comando do atual Comandante da PM de Rondônia,  Tenente-Coronel Enedy Dias e com a anuência da Comissão “Paz no Campo” de Gercino Filho:

 A Comissão Nacional de Combate à Violência no Campo considera que a Mesa de Dialogo e Negociação colabora para “prevenir, mediar e solucionar de forma pacifica os conflitos em matéria socioambiental e fundiária” com participação de setores da sociedade civil e governos diretamente envolvidos. Minas Gerais, segundo o ouvidor agrário Gercino Filho, já adota a medida, estabelecida por meio do decreto nº 203, de julho de 2015, entregue ao secretário Emerson Castro”

Prosseguem as ameaças e perseguição contra as famílias, lideranças e seus apoiadores em Manga

São inúmeras as denuncias sobre a cumplicidade e atuação da PM junto aos pistoleiros e ameaças de mortes contra ativistas e apoiadores da luta pela terra na cidade de Manga, particularmente, desde o covarde ataque às famílias que ocupavam a fazenda Beirada em novembro de 2012. Na Baixa Funda, latifundiários e seus pistoleiros contam com a cumplicidade e apoio da PM de Manga na perseguição aos camponeses, como demonstra denúncia da CPT: “Na tarde de ontem dia 15 de março de 2016, as famílias relataram, que trabalhavam  em suas roças quando  foram surpreendidas  com a chegada  de  dois veículos, uma caminhonete com quatro ocupantes, um motorista, um funcionário da fazenda de nome Márcio Madureira (vulgo Chinha), o representante do proprietário Ivanilton Ferreira Mota e um  Cinegrafista.  Uma Viatura de Manga com três PMs, Capitão José Sobrinho, Sargento Herbeth  Farias e o  Soldado  Guerra davam cobertura  aos funcionários da fazenda, e sem  permissão das mesmas  o grupo  foi adentrando nas suas áreas sem explicar o que foram fazer ali."

 

Quem são os responsáveis pelos crimes hediondos contra os camponeses da Baixa Funda:

Responsabilizamos por mais este crime contra as 84 famílias camponesas da Baixa Funda e por todas as graves conseqüências de mais esta covardia: o ex-presidente Lula, a presidente da República Dilma Rousseff (PT) e o governador Fernando Pimentel (PT) que nestes 13 anos nada fizeram para assentar as famílias que há 18 anos lutam pelas terras da Fazenda Marilândia, mesmo cientes que há terras devolutas griladas pelo latifúndio. O juiz da Vara Agrária Octávio de Almeida Neves do TJMG; o Comandante Geral da PMMG Cel. Bianchine; o presidente da mesa de Diálogos e Negociação Claudius Vinicius Leite Pereira; o  representante do Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania para Demandas Territoriais Urbanas e Rurais e de Grande Repercussão Social (Cejus Social) Desembargador Alberto Diniz; o Secretario de Estado de Desenvolvimento Agrário, Glênio Martins de Lima Mariano; o Superintendente  Regional do INCRA Gilson de Souza e o Ouvidor Agrário Nacional, Gercino José da Silva Filho.

 

Apoiar a justa luta das familias camponesas da Baixa Funda!

Estes aguerridos filhos e filhas de nosso povo que já há mais de 18 anos lutam pelo sagrado direito à terra estão decididos a, mais uma vez, retomarem às terras que são suas por direito para trabalharem, produzirem e tirar delas e de seu suor o sustento de suas famílias. Seguindo o único caminho possível para tirar o país da crise e  da ruína, que é por meio da Revolução Agrária com a destruição do latifúndio e a entrega de todas as terras aos camponeses pobres sem terra ou com pouca terra.Conclamamos todos à apoiarem a sua justa luta repercutindo as graves denúncias contidas nesta nota, visitando as famílias e organizando ações de solidariedade como doações de roupas, alimentos, utensílios domésticos, materiais de construção, etc. Para saber mais informações e/ou propor ações em apoio às famílias camponesas da Baixa Funda entre em contato pelo do e-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.   ou vá até a sede da LCP em Manga.

 

Contra a crise: tomar todas as terras do latifúndio!

O povo quer terra, não repressão!

Viva a Revolução Agrária!

 

Comitê de Apoio à Luta pela Terra

Manga, 31 de março de 2016

   
     
   
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