Mais repressão da PM de Confúcio/Ênedy contra camponeses em luta pela terra

Escrito por LCP de Rondônia e Amazônia Ocidental
Publicado em 06/06/2016
Categoria: Notícias

Nos dias 1 e 2 de junho, dezenas de camponeses dos Acampamentos Monte Cristo e Jaú, foram despejados pela PM de Confúcio Moura e Ênedy Dias de Araújo. Vários acampados ainda foram autuados por crime ambiental. Os acampamentos, localizados nas linhas 202 e 205, em Vale do Paraíso e Rondominas (distrito de Ji Paraná), estavam na Fazenda Trianon, invadida pelos trabalhadores há 3 meses.

Foi mais um despejo realizado por um verdadeiro aparato de guerra, com cerca de 100 policiais fortemente armados, em um helicóptero e várias viaturas da PM, GOE, Polícia Militar Ambiental e Corpo de Bombeiros.

Em matéria veiculada na internet, lê-se: “2º Batalhão retira invasores de fazenda na região de Vale do Paraíso e Rondominas. Para manter a ordem pública, a PM continuará patrulhando toda a área para evitar novas invasões.” Assim tem sido a PM em Rondônia: segurança privada de latifundiários. A ordem pública no Brasil tem sido: paralisação da já falida reforma agrária do governo, aumento da concentração de terras, aumento da repressão contra camponesas em luta pela terra. A ordem pública em Rondônia tem sido: latifundiários grilando terras públicas, desmatando grandes extensões, contratando bandos de pistoleiros para reprimir e assassinar lideranças, com a conivência e o apoio de todo aparato do velho Estado.

Esta operação absurda foi comandada pelo 2º Batalhão da PM, de Ji Paraná, o mesmo que em maio último despejou várias famílias do Acampamento vizinho Jhone Santos de Oliveira, e prendeu 4 estudantes e um professor por panfletarem denunciando a repressão aos camponeses em luta pelo sagrado direito à terra.

Por que a justiça, o Incra, o governador Confúcio Moura e a PM do coronel Ênedy nunca sequer intimaram para depor o latifundiário Miguel Martins Feitosa, morador dos Estados Unidos que explora 16.000 alqueires tendo documento de apenas 5% da área? Ao contrário, despejaram o Acampamento Jhone Santos que estava fazendo a verdadeira justiça tomando as terras do latifundiário Feitosa.

Os camponeses sem terra ou com pouca terra não aguentam mais o desemprego que assola o país e faz crescer a criminalidade, não aguentam mais ouvir falar em tanta corrupção, enquanto vivem na miséria, veem seus filhos se perdendo nas drogas e prostituição. A saída para estes trabalhadores, para os pequenos e médios comerciantes da cidade e para salvar o país da ruína é os camponeses se organizarem e tomarem todos os latifúndios, cortar as terras em pequenos lotes e entregar para famílias trabalharem e viverem de seu próprio suor.

Conclamamos a todos camponeses sem terra ou com pouca terra a se organizarem e tomarem todas as terras do latifúndio! Conclamamos a todos trabalhadores da cidade e do campo, professores, estudantes, pequenos comerciantes, intelectuais honestos e a todos verdadeiros democratas e se levantarem contra os crimes do latifúndio e do velho Estado e em defesa dos camponeses pobres e sua sagrada luta pela terra.

Lutar pela terra não é crime!

Terra para quem nela vive e trabalha!

Tomar todas as terras do latifúndio!

LCP - Liga dos Camponeses Pobres de Rondônia e Amazônia Ocidental

Jaru, 06 de junho de 2016

   
     
   
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