Viva o Acampamento Enilson Ribeiro em Seringueiras-RO!

Escrito por LCP de Rondônia e Amazônia Ocidental
Publicado em 28/07/2016
Categoria: Notícias

Latifundiários grileiros ladrões de terras públicas não passarão!

Eis a verdade:

O Ouvidor Agrário de Rondônia, Erasmo Tenório da Silva confirmou: o latifúndio Bom Futuro em Seringueiras, É TERRA DA UNIÃO!

O latifúndio Bom Futuro é terra pública, roubada da União, roubada da nação, roubada do povo. São 11.500 campos de futebol (não é assim que compara o monopólio da imprensa quando quer falar de desmatamento, para assustar as pessoas com a dimensão do crime?)

Por isso toda essa criminosa campanha de mentiras e ataques contra as honradas famílias do Acampamento Enilson Ribeiro e a LCP!

Eis a verdade:

No dia 17 de julho mais de 100 famílias ocuparam as terras do latifúndio Bom Futuro, que fica localizado na linha 14, Km 13, a cerca de 20 km de Seringueiras. São terras públicas de cerca de 11500 hectares que foram roubadas pelo maior grileiro da região, Augusto Nascimento Tulha, médico reformado do Exército.

Na primeira assembleia, a área foi batizada de Enilson Ribeiro, em homenagem ao coordenador da Liga dos Camponeses Pobres, assassinado covardemente por pistoleiros junto com seu primo Valdiro em 23 de janeiro de 2016, em plena luz do dia em Jaru.

A polícia militar de Rondônia que protege e defende os interesses do latifúndio, rapidamente (em menos de 3 dias) mobilizou grande aparato de guerra para reprimir e aterrorizar as famílias. Policiais de diferentes cidades, armados até os dentes tentaram retirar as famílias da área. Atacaram homens, mulheres e crianças com tiros de borracha e com munição letal, usaram bombas de “efeito moral” e gás lacrimogêneo. Uma criança foi ferida de raspão.

Mesmo com os ataques, os camponeses não se intimidaram e permaneceram firmes. Uma das pontes que dá acesso ao acampamento foi bloqueada com um trator.

A PM então passou a contar uma fantasiosa estória de que os “policiais foram recebidos a tiros”, e que os camponeses “estavam preparando uma emboscada” entre outras mentiras e delírios.

Rodrigo Silva Rodrigues dono do site jarunoticias preso na Operação Mors recebe das mãos do comandante Enedy o diploma de amigo da políciaRodrigo Silva Rodrigues dono do site jarunoticias preso na Operação Mors recebe das mãos do comandante Enedy o diploma de amigo da políciaEssa versão mentirosa dos fatos, reproduzida pela imprensa-lixo de Rondônia, que por sinal é fartamente financiada com recursos do governo, não se sustenta nem mesmo pelas imagens divulgadas por eles mesmos. O helicóptero que filmou toda a ação da PM não foi recebido a tiros, aconteceu justamente o contrário, as forças policiais atiraram aleatoriamente em direção ao acampamento.

Não é de hoje que se dedicam a demonizar e atacar de todas as formas os camponeses em luta pela terra e em especial a LCP. Mas agora todas essas absurdas mentiras, têm como objetivo criar um clima para justificar o incremento da repressão e a execução de um plano de massacre de camponeses.

É oportuno lembrar que no início do ano um bando armado do latifúndio, promoveu verdadeiro terror na fazenda Tucumã. Assassinou camponeses, queimou corpos e desapareceu com outros, e chegou a verdadeiramente trocar tiros com a polícia usando armamentos pesados. Uma viatura ficou cravada de tiros. No entanto nenhuma operação de guerra foi montada, nenhum cerco a fazenda foi feito. E o policial Moisés que estava comandando os pistoleiros, mesmo tendo sido detido, teve a fuga facilitada.

E ao contrário do discurso oficial da PM de que esses elementos são “exceções dentro da corporação”, a verdade é que essa é a regra. O verdadeiro “modus operandi” da desmoralizada PM de Enedy e Confúcio Moura é o de agir como milícia do latifúndio praticando a pistolagem oficial de diferentes formas ao arrepio da lei. Os que foram presos na operação Mors da polícia federal revelaram uma pequena parte disso, apenas a “ponta do iceberg”. Isso porque os que foram presos são arraia miúda, nenhum “grande” foi preso, assim como os bandos que agem contra os camponeses permaneceram intocados.

Atualmente as famílias do acampamento Enilson Ribeiro encontram-se cercadas pela polícia. Estão cometendo todo tipo de abuso e humilhações. Diversas pessoas já foram ilegalmente presas, até o dia 25, 9 pessoas já haviam sido detidas. Não estão deixando entrar nenhum tipo de alimento e policiais teriam afirmado que “quem não morrer na bala, vai morrer de fome”.

No dia 23 se reuniram na câmara municipal de São Miguel do Guaporé diversos latifundiários da região, deputados e policiais. Nessa reunião latifundiários declararam aberta e impunemente que irão retirar as famílias da área “vivas ou mortas”. Que irão recrutar pistoleiros de outras fazendas para isso. O fazendeiro Roberto, da Rondoagro de São Miguel do Guaporé ainda teria colocado um avião a disposição para reunir os pistoleiros. Segundo informações, esse Roberto e um tal Ramiro é quem está encabeçando e montando um bando armado composto por pistoleiros, policiais civis e militares para realizar um ataque as famílias do acampamento.

Esses latifundiários estão agindo como verdadeiras quadrilhas, organizando bandos paramilitares e contratando pistoleiros a luz do dia pra quem quiser ver. Pode isso senhores do governo? Se no Brasil tivesse uma autoridade que ao menos respeitasse a Lei que jurou defender, esses latifundiários já estariam presos.

O que se passa em Seringueiras nestes dias, é quase que a repetição do que aconteceu no Mato Grosso do Sul em junho desse ano, nos dias que antecederam o fatídico 14 de junho, quando ocorreu o ataque dos latifundiários que resultou em massacre contra os índios Guaranis e Kaiowás.

É quase uma repetição do que ocorreu a 21 anos atrás nos dias que antecederam o 9 de agosto de 1995 em Corumbiara. E que por “coincidência” o coronel PM José Hélio Cysneiros Pachá, que atualmente está entre os comandantes do ataque e cerco ao acampamento Enilson Ribeiro, é quem estava no comando dos assassinos em Corumbiara na época de 1995.

A situação é muito grave. Vivemos uma verdadeira escalada fascista no país. Toda essa situação comprova que ao contrário do discurso de “Estado democrático de direito”, vivemos num verdadeiro Estado policial que como instrumento das classes exploradoras, destacadamente o latifúndio, classe mais atrasada e que infelicita nosso povo, atua com todos os seus recursos para atacar os mais elementares direitos democráticos e exercer a mais brutal repressão sobre o povo.

E todos estes ataques fazem parte, na verdade, da grande armação da gerência Temer para entregar as terras brasileiras para o imperialismo, como vem sendo divulgado como medida para combater a crise. Estes ataques são para tentar quebrar a resistência que os camponeses brasileiros, indígenas e quilombolas, verdadeiros donos destas terras, vão impor para defender o Brasil e seu único instrumento de trabalho, a terra.

Conclamamos o imediato e contundente repúdio a esta operação de guerra contra os camponeses que legitimamente lutam pelas terras públicas de Seringueiras.

Conclamamos que todas as forças democráticas se levantem para barrar o banho de sangue em curso tramado por Enedy e Confúcio Moura.

O povo quer terra, não repressão!

Defender e apoiar os camponeses da área Enilson Ribeiro!

Viva a luta dos camponeses do Acampamento Enilson Ribeiro!

Companheiro Enilson Ribeiro: presente na luta!

Pela retirada do aparato de guerra da PM em Seringueiras!

Cadeia para as quadrilhas de latifundiários assassinos!

 

LCP – Liga dos Camponeses Pobres de Rondônia e Amazônia Ocidental

Julho de 2016

   
     
   
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