CAMPONESES, ESTUDANTES E PROFESSORES A CIDADE E O CAMPO EM DEFESA DA TERRA PARA QUEM NELA VIVE E TRABALHA!

Escrito por LCP do Nordeste
Publicado em 30/08/2016
Categoria: Notícias

Nós trabalhadores e moradores da Área Revolucionária Renato Nathan e da Faz. Canoé II juntos a Liga dos Camponeses Pobres do Nordeste LCP-NE, com muita satisfação transmitimos nossas calorosas, combativas e vermelhas saudações a todos companheiros e companheiras que se juntaram a nós na defesa do direito de morar e trabalhar na terra e engrossaram as fileiras contra o recente ataque do inimigo pelo seu aparato estatal jurídico, manifesto com um mandato de reintegração de posse.

Acreditamos nesta prática como significativa para a formação da aliança entre o campo e a cidade, assim, principalmente saudamos o Comitê de Apoio aos Camponeses que se formou com intuito de defender o justo direito de se rebelar na luta pela terra, particularmente, na Área Revolucionária Renato Nathan que se caracteriza como uma luta por uma nova economia, nova política, nova cultura, ou seja, por uma Nova Democracia que tem na Revolução Agrária seu desencadear.

No dia 10 de agosto conseguimos realizar um importante ato para a história do movimento camponês em Alagoas; o comitê, em frente ao Fórum da Vara Agrária na capital, de forma combativa e vigorosa denunciou com cartazes, faixas e em alto e bom som mais um arbitrário e injusto ataque aos camponeses, enquanto que, simultaneamente, o movimento camponês organizado, com cerca de duas centenas de pessoas, bloqueava combativamente a BR 101 em Messias por cerca de 6 horas. Até que o juiz foi obrigado a atender camponeses, estudantes e professores, foi obrigado, também, a assumir as entranhas podres desse velho Estado, que no judiciário alagoano definha na mais arcaica e semifeudal relação entre estado e o agronegócio (latifúndio de novo tipo).

Hoje o juiz cedeu a nossa pressão, suspendeu a reintegração e pautou uma nova audiência, foi nossa primeira vitória nesta luta conjunta, mas é uma luta prolongada e muitas águas ainda vão rolar. Por isso, não podemos depositar toda nossa confiança no judiciário, por que as leis não foram feitas para ajudar o povo trabalhador, e sim, historicamente, toda a constituição foi para garantir a concentração de terra, aí vai de sesmarias à Lei da Terra até a falida lei de reforma agrária que é só mais uma forma do Estado injetar dinheiro público no agronegócio. Contudo, esse fato novo para o movimento camponês em Alagoas não se resume nas manifestações conjuntas, mas se caracteriza, principalmente, no fato de estudantes, professores e camponeses erguerem a mesma bandeira em defesa do direito à terra para camponeses, indígenas e quilombolas que vivem e trabalham nela, a bandeira pela destruição da concentração de terra e o fim do latifúndio. Tendo, com isso, a defesa do caminho para superar a crise instalada no Brasil: tomar todas as terras do latifúndio, por que na cidade os trabalhadores não se alimentam de cana-de-açúcar, se alimentam de macaxeira, de inhame, de galinha caipira, de peixe, de banana, e graças ao trabalho do camponês os preços são baixos. Assim, temos a realidade concreta da contradição entre camponeses pobres e latifundiários contrariando o discurso oportunista de que “hoje, a ocupação de terra não soma aliados” e não gera pressão política na cidade em defesa da luta no campo.

Nós acreditamos que essa luta política que travamos é o embrião para uma nova sociedade, uma luta para construir o novo Brasil, colocar em prática o dever de todo o revolucionário, que é o de fazer a Revolução. E a nossa é uma Revolução Agrária para tomar, cortar e distribuir todas as terras do latifúndio aos camponeses pobres sem-terra ou com pouca terra; libertar, com isso, as forças produtivas do campo e num futuro próximo a desapropriação da grande indústria do agronegócio; isso é o campo cercando a cidade.

Em outras regiões, como Rondônia, a luta pela terra está cada vez mais acirrada, criminalização da luta pela terra, perseguições e assassinatos de companheiros da luta fazem parte de nossa realidade, e esta situação não é isolada e está se estendendo em todo o país, confirmando que o caminho para a revolução brasileira não vai ser um convite para jantar, muito menos resolvido nas urnas. Como sabemos, a questão agrária é a principal contradição no país e o camponês uma das principais forças do nosso motor histórico, a construção dessa aliança ganha maior importância, para nós e para a luta camponesa em geral. Assim, acertadamente o hino dos lutadores do campo diz:

“Quem gosta nós somos nós, e aqueles que vem nos ajudar.

Por isso confia em quem luta a história não falha nós vamos ganhar”

Por fim, nós camponeses organizados propomos que reforcemos nossos laços, convocamos revolucionários e democratas honestos para organizarmos visitas à área, debates, palestras, grupos de estudos, etc. Os camponeses levam sempre produtos para a cidade, agora a cidade vai até o campo conhecer, estudar, trabalhar e lutar. Agarremos com firmeza e com nossas próprias mãos o nosso destino que avizinha como vitorioso e luminoso futuro.

TERRA PARA QUEM NELA VIVE E TRABALHA, NA LEI OU NA MARRA!

SE CAMPONÊS NÃO PLANTA A CIDADE NÃO ALMOÇA NEM JANTA!

CONTRA A CRISE: TOMAR TODAS AS TERRAS DO LATIFÚNDIO!

VIVA A ALIANÇA OPERÁRIA E CAMPONESA!

VIVA O COMITÊ DE APOIO AOS CAMPONESES E A REVOLUÇÃO AGRÁRIA!

 

Área Revolucionária Renato Nathan

Acampamento Canoé II

Liga dos Camponeses Pobres do Nordeste

   
     
   
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