Terrorismo de Estado: camponeses de Seringueiras são presos arbitrariamente

Escrito por LCP de Rondônia e Amazônia Ocidental
Publicado em 14/09/2016
Categoria: Notícias

No último dia 05 de setembro, a Polícia Civil de Rondônia iniciou a “Operação Chave” com a prisão temporária de 5 camponeses do Acampamento Enilson Ribeiro*, em Seringueiras, município rondoniense, localizado na microrregião de Alvorada d'Oeste. Foi mais um capítulo do terrorismo de Estado que o governador Confúcio Moura / PMDB, serviçal dos latifundiários de Rondônia, comete contra camponeses em luta pela terra.

Segundo a página oficial da Polícia Civil, a operação foi coordenada pelos Delegados Júlio César, William Sanches, Silvio Hiroshi e Henrique Bittencourt e contou com policiais civis de São Miguel do Guaporé, Seringueiras, Alvorada d'Oeste e São Francisco do Guaporé. E ameaçaram realizar mais prisões nos próximos dias. Os trabalhadores presos são acusados de associação criminosa, esbulho possessório, tortura, tentativa de homicídio, corrupção de menores, incêndio, dano qualificado, roubo e crimes ambientais.

No último dia 09, uma advogada popular visitou os camponeses presos e constatou várias arbitrariedades. As ordens de prisões não constavam no sistema do Tribunal de Justiça; quando prenderam os camponeses, os policiais não apresentaram os mandados, apesar da Polícia Civil afirmar que eles foram expedidos pelo juízo da comarca de São Miguel do Guaporé.

Claudeir Cleres Barros foi preso na casa de sua ex-esposa quando visitava os filhos. Logo cedo, policiais civis cercaram a casa, prenderam-no e vasculharam toda a casa e arredores procurando armas. Ele foi acusado de ser o mandante e responsável pelos danos ocorridos na fazenda Bom Futuro. A polícia divulgou fotos de Claudeir em alguns sítios da internet, afirmando que ele é liderança da LCP e que praticou diversos crimes. Edicarlos Germiniano dos Santos e Jederson de Oliveira foram presos no acampamento provisório, na Área de posseiros Paulo Freire IV, em Seringueiras. Jorge Schuvnck foi preso apenas pelo fato de camponeses terem pegado ônibus para ir ao acampamento em frente de sua casa. Policiais acusaram-no de mobilizar famílias para a ocupação.

Os quatro trabalhadores estão presos no presídio de São Miguel do Guaporé.

Renata Fernandes Machado, acampada de 22 anos, mãe de duas filhas pequenas, também foi presa no acampamento. Covardes, os policiais gritaram com ela, coagiram-na para identificar a advogada dos camponeses como comandante da LCP; apresentaram a letra da canção de luta "O risco" e exigiram que ela cantasse, o que foi recusado pela trabalhadora. Ela está presa na Casa de Detenção de Alvorada.

Durante os interrogatórios, delegados e policiais queriam saber quem os mandou entrar na terra, quem eram os líderes do acampamento e da LCP, quais as armas que os acampados possuíam, quem derrubou casas e curral da fazenda, quem gradeou o pasto, matou gado e atirou na polícia. Apresentaram fotos de diversos camponeses na entrada da fazenda e perguntaram o que faziam, se eram lideranças. Mostraram foto do camponês Enilson Ribeiro, assassinado em Jaru, em janeiro deste ano.

Delegados e policiais perguntaram o que o procurador do MPF, Dr. Raphael Bevilaqua, disse quando participou de uma reunião com os camponeses no acampamento. Mostraram fotos da advogada dos camponeses, inclusive uma com sua filha, e questionaram se ela comandava o acampamento e se ordenou as destruições na fazenda. Informaram que havia mandado de prisão contra esta advogada, que ela seria presa em breve e que sua cabeça está a prêmio.

Delegados e policiais falaram que não desistirão das terras, voltarão na área, prenderão todos acampados para não sobrar ninguém na região, acabarão com o acampamento até o fim de setembro. Confessaram que há 18 pistoleiros na fazenda, que a cada dia chegam mais para proteger a propriedade, atirar nos camponeses, matar as lideranças da LCP e a advogada. Disseram que o pistoleiro Davi Teixeira, preso no dia 30 de agosto foi contratado para assassinar Claudeir e a advogada dos camponeses.

Lutar pela terra não é crime

Assim como a PM, a Polícia Civil usou sua página na internet para criminalizar os camponeses em luta pela terra e para esconder o fascismo da gerência Confúcio / PMDB. E como sempre, reproduziram as mesmas mentiras, calúnias e difamações a imprensa vendida, como Rondoniavip, Rondoniagora, Comando190 e G1, porta-vozes da polícia e do latifúndio.

Afirmaram que além dos cinco camponeses presos, “outros dois indivíduos já teriam sido autuados em flagrante dias antes.” Diversionistas! Referem-se à prisão dos pistoleiros confessos Davi Teixeira de Souza e Jaime Edson Queiroz, com armamento pesado e R$ 30 mil, que a imprensa vendida noticiou como se fossem “Terroristas da LCP são presos”. Na verdade, Davi é chefe de pistolagem de latifundiários, conforme denunciamos na nota “Prisão de pistoleiros em Rondônia desmoraliza ainda mais a imprensa porca do latifúndio e suas mentiras”.

Quem são os verdadeiros criminosos de Seringueiras

O verdadeiro motivo da prisão dos cinco camponeses do acampamento Enilson Ribeiro é porque eles lutavam pelo sagrado direito à terra para nela viver e trabalhar; porque junto de mais de 100 trabalhadores estavam fazendo justiça tomando 11.500 hectares de terras públicas griladas pelo latifundiário Augusto Nascimento Tulha; porque resistiram com coragem e organização ao terrorismo de Estado cometido pela PM de Confúcio Moura / PMDB e Ênedy Araújo, e pelos pistoleiros dos latifundiários da região; porque o Acampamento estava ganhando apoio dos camponeses vizinhos e dos pequenos comerciantes das cidades.

Conclamamos todas as forças democráticas a se levantarem para barrar o fascismo em curso de Confúcio Moura / PMDB. E uma vez mais afirmamos: nenhuma ameaça, covardia ou massacre vai parar a luta pela terra! O “Massacre de Corumbiara”, ocorrido há 21 anos em 09 de Agosto de 1995, não parou. Os massacres continuados nesse tempo todo não pararam. A falência da “Reforma Agrária do Governo” também não conseguiu acabar com a luta pela terra. Só fizeram crescer o ódio das massas camponesas contra todos os verdugos covardes desse Estado burguês, latifundiário e serviçal do imperialismo, cada vez mais podre, corrupto e desmoralizado.

Liberdade imediata para os camponeses presos políticos da gerência Confúcio Moura / PMDB!

Viva a luta dos camponeses de Seringueiras do Acampamento Enilson Ribeiro!

Tomar todas as terras do latifúndio!

*Enilson Ribeiro, Coordenador da Liga dos Camponeses Pobres de Rondônia e Amazônia Ocidental, foi assassinado junto com seu primo Valdiro em 23 janeiro de 2016, em plena luz do dia em Jaru, por pistoleiros que estavam na “famosa” moto preta identificada pela “Operação Mors”.

LCP - Liga dos Camponeses Pobres de Rondônia e Amazônia Ocidental

Jaru, 13 de setembro de 2016
   
     
   
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