Quem são os verdadeiros criminosos em Seringueiras!

Escrito por LCP – Liga dos Camponeses Pobres de Rondônia e Amazônia Ocidental
Publicado em 01/10/2016
Categoria: Notícias

1. No último dia 17 de julho, mais de 100 famílias ocuparam as terras do latifúndio Bom Futuro, de 11.500 hectares, na linha 14, Km 13, no município de Seringueiras. Quem se diz o dono das terras é Augusto Nascimento Tulha, médico reformado do Exército. Mas na verdade, ele é um dos maiores grileiros de terra pública da região. Ele confessou isso na frente do procurador da república, na reunião com latifundiários, deputados e policiais, que ocorreu na câmara municipal de São Miguel do Guaporé, no dia 23 de julho.

2. O Incra entrou na justiça para retomar estas terras para reforma agrária, mas o processo se arrasta há seis anos. A “justiça” no Brasil é assim mesmo: lenta para defender os interesses do povo e rápida para defender latifundiários grileiros de terras públicas e assassinos. Em menos de 48 horas, o juiz agrário Jorge Leal assinou uma liminar criminosa e sanguinária contra o Acampamento Enilson Ribeiro: determinou que, além das polícias Militar e Civil, a Federal, a Força Nacional de Segurança, a Abin e o Exército fossem utilizados para o despejo; que as famílias fossem para qualquer lugar distante 300 quilômetros de Seringueiras; proibiu qualquer órgão público de fornecer alimentos, remédios ou outros gêneros de primeira necessidade para os acampados.

3. Em apenas 4 dias o gerente estadual Confúcio Moura / PMDB e o comandante geral da PM Ênedy Dias, mobilizaram aparato de guerra contra famílias de camponeses pobres. Mais de 150 policiais militares e ambientais, fortemente armados, cercaram o acampamento, atacaram homens, mulheres e crianças com bombas de “efeito moral” e gás lacrimogêneo, com tiros de borracha e de munição mais letal. Em um helicóptero, policiais fizeram voos rasantes e dispararam aleatoriamente em direção ao acampamento, com armas potentes. Uma criança foi ferida de raspão.

4. Policiais afirmaram que “quem não morrer na bala, vai morrer de fome”. E os acampados ficaram dias sem alimentos, apesar das muitas doações feitas pela população de Seringueiras e região, por causa do bloqueio feito pela polícia. Policiais impediram as famílias de circularem nas estradas e enviarem seus filhos pra escola. Prenderam vários camponeses, destruíram a moto de um deles com vários disparos de arma de fogo, fotografaram os documentos de todos que chegavam na tentativa de pressionar os apoiadores do acampamento.

5. Vários latifundiários da região, também grileiros de terras públicas, como o PA Primavera, se uniram pra fazer o terror contra o Acampamento Enilson Ribeiro, contra os apoiadores dos camponeses e contra a população de Seringueiras e região. Declararam abertamente que retirariam os acampados “vivos ou mortos”, disponibilizaram avião para reunir pistoleiros de várias fazendas e levaram vários deles para a reunião na Câmara de vereadores de São Miguel, sem serem incomodados pela PM.

6. Fecharam a BR 429 por vários dias, revistaram ônibus e carros, incendiaram pontes; pressionaram para o fechamento do comércio de Seringueiras e a suspensão das aulas. Uma foto da advogada popular Lenir Correia circula no grupo de whatsapp “Operação Vale do Guaporé”. O carro dela foi seguido nas várias vezes que ela esteve em Seringueiras para exercer seu trabalho de defender os camponeses.

7. Latifundiários espalharam calúnias e mentiras na imprensa vendida, nas páginas das polícias e nas redes sociais para desinformar a população, para demonizar os camponeses e justificar seus crimes. Mentiram que o helicóptero da PM foi recebido a tiros, mas aconteceu o contrário, como prova o vídeo feito pela própria polícia do helicóptero. Sobre a prisão, no dia 30 de agosto, de David Teixeira de Souza e Jaime Edson Queiroz com armamento pesado, farta munição e R$ 30 mil em dinheiro, mentiram que eram “Terroristas da LCP”. Na verdade, eles são chefes de pistolagem de Jaru e Cuiabá contratado pela quadrilha de latifundiários de Seringueiras e região.

8. Mentiram que a população na região de Seringueiras é a favor do latifúndio, porém, só com grande apoio popular as famílias do Acampamento Enilson Ribeiro conseguiram resistir tanto tempo ao cerco militar tão covarde. Os pequenos e médios comerciantes sabem que a economia das cidades é movimentada por acampamentos. O dia 22 de setembro, completa 9 anos que as famílias da Área Paulo Freire 4 tomaram um latifúndio na linha 2 de maio, em Seringueiras, cortaram por conta, dividiram entre camponeses pobres e passaram a produzir com fartura.

9. Devido à toda esta repressão, as famílias decidiram sair do acampamento. Mesmo assim, as perseguições continuaram. No dia 5 de setembro, a Polícia Civil prendeu 5 camponeses arbitrariamente, sem apresentar as ordens de prisão, que também não constavam no sistema do Tribunal de Justiça. Existem mais 5 mandados de prisão contra acampados, que podem ocorrer a qualquer momento, mas nenhum contra pistoleiros, policiais e latifundiários criminosos.

10. Uma acampada presa sofreu tortura psicológica e foi coagida para identificar lideranças. Delegados e policiais disseram que tem 18 pistoleiros na fazenda e chegarão mais, para matar as lideranças, membros da LCP e a advogada. E ainda, que não desistirão das terras e até o fim de setembro prenderão todos acampados até não sobrar nenhum.

11. A PM de Ênedy e Confúcio / PMDB está desmoralizada após a “Operação Mors” da Polícia Federal, que prendeu vários policiais de esquadrões da morte, responsáveis por mais de 100 assassinatos, principalmente de pobres. Mas só foram presos os peixes pequenos. A PM continua agindo como milícia do latifúndio, praticando a pistolagem oficial de diferentes formas ao arrepio da lei. Desde 11 de janeiro, quando Ênedy assumiu o comando geral da PM pelo menos 13 pessoas envolvidas na luta pela terra foram assassinadas em Rondônia, sendo um advogado e 3 coordenadores da LCP.

12. A situação é muito grave. A história fundiária de Rondônia resume-se à grilagem de terras públicas por latifundiários, elevada concentração de terras e o assassinato de camponeses em luta pela terra. No princípio dos anos 1900, Rondônia passou a ser ocupada graças à distribuição de terras públicas através de licitação. Após algumas décadas, as terras valorizaram – depois que os camponeses desbravaram áreas inteiras, amansaram a mata, centenas morreram em derrubadas, atacados por feras e doenças tropicais. E os latifundiários formam grandes fortunas, acumulando terras, compradas por ninharia ou tomadas de índios e posseiros, por seus bandos de pistoleiros. Sempre com total apoio da “justiça” e governos.

13. O país enfrenta uma grave crise econômica, política e moral. Juízes, parlamentares e todo tipo de politiqueiro brigam entre si interessados em cargos e esquemas, mas todos servem aos interesses de uma minoria de parasitas, os latifundiários, banqueiros, empreiteiras, mineradoras e países imperialistas. Nenhuma mudança verdadeira pode vir dessa corja de corruptos e de sua farsa eleitoral. Todas as siglas dos partidos eleitoreiros PT, PSDB, PMDB, PTB, PSB, PDT, DEM, Pecedobê, etc, são farinha do mesmo saco!

14. Não adianta salgar carne podre! O caminho para as verdadeiras transformações democráticas é avançar com a Revolução Agrária: tomar todas as terras do latifúndio, cortar por conta e entregar lotes aos camponeses sem terra ou com pouca terra; avançar a produção camponesa cada vez de forma mais cooperada; avançar com as Assembleias Populares, onde os moradores decidem sobre tudo o que lhes diz respeito. É a Revolução Agrária que abre caminho para a construção de um Novo Brasil, de liberdade, justiça, trabalho e uma Nova Democracia.

15. Nós camponeses reafirmamos: não nos intimidamos com o fascismo! Contra os ataques responderemos com mais luta! É urgente que todos os verdadeiros honestos e democratas se unam, conheçam e defendam os camponeses, indígenas e demais massas populares.

Defender e apoiar os camponeses do Acampamento Enilson Ribeiro!

Liberdade para os camponeses presos políticos da gerência Confúcio Moura / PMDB!

Cadeia para as quadrilhas de latifundiários grileiros de terras públicas e assassinos!

O povo quer terra, não repressão! Tomar todas as terras do latifúndio!

Abaixo a corrupção e a farsa eleitoral!

Fora PT, PSDB, PMDB e todos partidos eleitoreiros!

Jaru, 20 de setembro de 2016

LCP – Liga dos Camponeses Pobres de Rondônia e Amazônia Ocidental

   

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