Greve Geral bloqueia rodovias em 7 cidades no Norte de Minas

Escrito por Comitê de Apoio de AND – Norte de Minas
Publicado em 02/05/2017
Categoria: Notícias

No dia 28 de abril, camponeses, operários e trabalhadores de várias categorias como os professores e funcionalismo público no Norte de Minas, foram para as ruas, ou melhor, foram para as rodovias BR 365, 251, 135, MG 122 e 451 e bloquearam com pneus, paus, fogo e muita disposição para lutar contra as “reformas da previdência e trabalhista”, contra o governo vende-pátria e anti-povo de Temer/PMDB/PSDB, sua quadrilha e sua política entreguista e de subjugação nacional. O fogo ardeu nas rodovias de sete cidades: Montes Claros, Bocaiuva, Olhos d´água, Pirapora, Mirabela, Porteirinha e Salinas.

A Liga dos Camponeses Pobres do Norte de Minas e Sul da Bahia, junto à vários sindicatos de trabalhadores rurais, levantou mais uma vez suas bandeiras vermelhas e a consigna de Morte ao Latifúndio e Viva a Revolução Agrária, distribuindo milhares de panfletos, defendendo que a saída para a crise é a Greve Geral e Tomar todas as terras do latifúndio!

Em Montes Claros, a maior cidade da região, após dois bloqueios feitos pela manhã, na BR 251 e no Distrito Industrial, o centro da cidade parou para ver a manifestação que percorreu as principais ruas.

Bloqueio da BR-251

Na BR-251, importante rodovia de integração regional, que dá acesso a BR116 (Rio-Bahia), os camponeses de Manga, Pedras de Maria da Cruz e Varzelândia fecharam com um grupo de educadores e sindicalistas de Francisco Sá e Montes Claros. Quando os companheiros espalhavam os pneus na rodovia, a polícia rodoviária apareceu e por pouco não teve o carro incendiado, pois os companheiros não vacilaram na hora de atear o fogo, mesmo com a viatura já em cima dos pneus; não tendo outra opção a polícia deu ré no carro. Na sequencia os policias desceram da viatura e diante da decisão dos companheiros e companheiras, recuaram na tentativa de impedir o fechamento.

Durante o bloqueio, a juventude camponesa deixou pintado nas muretas da ponte as consignas de “Cleomar vive! Morte ao Latifúndio!” e “Viva a Revolução Agrária!”, os policias rodoviários tentaram impedir dando voz de prisão para uma companheira, mas esta continuou sua tarefa até ser suspensa pela gola pelo policial, outra companheira interviu empurrando o braço do policial e soltando a companheira.

Do outro lado, policias militares chegaram a apontar uma pistola para os companheiros da autodefesa que impediam que eles atravessassem o bloqueio. Diante da pressão, alguns sindicalistas pediam para liberar a passagem de determinados carros, mas os companheiros do comando sustentaram a decisão de manter totalmente fechado e logo foram enviadas duas equipes de panfletagem que percorreram o engarrafamento encontrando grande apoio ao protesto, muitos buzinavam e queriam levar pra casa o material e fotos como provas do que presenciaram.

No carro de som as lideranças revezavam na argumentação e defesa da Greve Geral, das tomadas de terras e denunciaram e repudiaram os ataques contras os camponeses e a luta pela terra, como em Colniza, no Mato Grosso e tantos outros em Rondônia e por todo o país. De forma vibrante ecoaram o nome do companheiro Cleomar Rodrigues, assassinado por pistoleiros a mando dos latifundiários em outubro de 2014.

Muitos foguetes davam o tom e vibravam junto com as palavras de ordem que eram respondidas por todos. No balanço os sindicalistas agradeceram aos companheiros da Liga e saudaram a combatividade dos companheiros e companheiras, pedindo que os chamassem para todas as manifestações vindouras.

Manifestação no centro de Montes Claros

Como sempre, os oportunistas de plantão (Frente Popular Brasil e outros) tentaram fazer o seu carnaval com a fanfarra, apitaços e narizes de palhaço. Mas um grupo muito especial se destacava em meio aos 5 mil manifestantes, chamando atenção de todos por sua organização, firmeza e combatividade.

Eram os camponeses pobres que em colunas gritavam suas palavras de ordem de “É morte, é morte ao latifundiário! E viva o poder camponês e operário!”; “É terra, é terra, pra quem nela trabalha e viva agora e já a revolução agrária!”; “Eleição é farsa, não muda nada não! Organizar o povo pra fazer revolução!”; “Não quero Temer, nem eleição, pra melhorar a vida só com a revolução!”.

Este compacto grupo marchou pelas ruas de Montes Claros com autoridade e altivez e se fez ouvir pela população e demais manifestantes, milhares de panfletos foram distribuídos, assim como várias edições passadas do jornal A Nova Democracia, como forma de divulgação.  

Muitas pessoas queriam tirar fotos ao lado da faixa da Revolução Agrária e algumas aderiram às colunas. Os trabalhadores dos correios, que decretaram greve no começo da semana, puxaram junto com os camponeses várias palavras de ordem pela Greve Geral.  

Era notável o orgulho com que os camponeses erguiam suas bandeiras e apesar do cansaço de ter aspirado a fumaça dos pneus queimados pela manhã, o semblante e o balanço dos mesmos atestam a importância e o êxito da participação dos camponeses na Greve Geral, que vai ganhando força e acumulando para parar todo o país.

   

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