Cartas

Pela primeira vez escrevo uma carta para o jornal Resistência Camponesa para falar o que acho da luta.

No dia 18 de agosto de 2010, cheguei ao acampamento Zé Bentão, que fica na antiga fazenda Santa Elina. Cheguei aqui através da mobilização de um companheiro lá de Espigão D’ Oeste. Aqui conheci os companheiros da Liga e outros como eu que estavam acampados. Fiquei em um grupo coletivo de 10 integrantes, participei das assembleias onde aos pouco fui conhecendo o trabalho da Liga. Então descobri a sua importância. No começo, eu não conhecia o que era a Liga, nem nunca tinha ouvido falar. Quando fui conhecer, me falaram que a Liga era um bando de homens matadores. Mas na convivência com os companheiros, passei a conhecer melhor e vi que o comentário era mentiroso.

Então, comecei a participar mais, participei da horta coletiva, do corte da terra, da cozinha coletiva, da luta pela escola, do curso de formação política feito pela Liga dos Camponeses Pobres e pela Escola Popular.

Através do curso político pude compreender melhor a importância da luta pela terra no nosso país. Cheguei a conclusão que o Estado fala mal da Liga para afastar as pessoas do caminho mais justo que é o da luta pela terra.

Ficamos no acampamento três meses.

Celebração do dia das mães na área Zé Bentão - maio de 2011

Daí foi feito o corte parcial da terra, pelos companheiros e companheiras da LCP. Após o Corte Popular, teve o sorteio dos lotes por grupo de 10 famílias, realizado no dia 25 de setembro de 2010. Peguei um lote na linha Ari Pinheiro.

Depois dessa data nós tivemos várias lutas, várias comemorações nas quais participei com os companheiros. Comecei a participar das reuniões do MFP. Temos travado uma grande luta para construí-lo aqui, contando com o apoio dos companheiros da LCP e da Escola Popular.

Também participei dos levantamentos para as festas e fiz panfletagem, arrecadação, faixas e painéis junto com os companheiros. Uma das festas mais importantes foi a de 1 ano da retomada da antiga fazenda Santa Elina, que agora é a Área Revolucionária Zé Bentão. Estou morando aqui há um ano e quinze dias e gosto muito de estar aqui com os companheiros.

Jabuticaba


Nós, famílias acampadas da linha 2, antiga fazenda Condor, projeto Jacinópolis, denunciamos:

1 – A polícia militar invadiu nossa área queimando barracos, querendo aterrorizar a todos que ali estão. Também levaram motosserras e outros instrumentos de trabalho como foices e enxadas.

2 – Nunca foi apresentado qualquer mandato de busca e apreensão ou ordem judicial, como manda a lei. Ou seja, a PM está agindo de forma ilegal.

3 – Estas ações ocorreram principalmente após o sargento Bedin ter assumido o comando da base em Jacinópolis. O mesmo é conhecido por atuar sempre a favor dos latifundiários e em benefício próprio.

4 – As caminhonetas da polícia também trazem pessoas sem uniforme ou qualquer identificação. Suspeitamos que sejam pistoleiros.

5 – Não somos a favor de invasão de pequenas e médias propriedades que contribuem com o desenvolvimento e progresso da região. A fazenda Condor não é nem uma nem outra e sim uma terra grilada da união de 45 mil alqueires e improdutiva. Quem se diz o dono é Orlando da Condor. Durante muitos anos ele vendeu autorizações de manejo falsas para serrarias do Buritis, como se a madeira saísse da fazenda. Todos também sabem das propinas que toreros e donos de serrarias pagavam para a polícia ambiental quando esta cuidava da fazenda.

6 – Exigimos respeito, pois foram pessoas como nós que criaram Buritis e Jacinópolis, fazem compras no comércio local e contribuem para gerar empregos nos laticínios, agropecuárias, maquinas de café e outros comércios da cidade.

7 – Que a polícia  prenda bandidos e não prejudique quem trabalha de sol a sol na foice, enxada e motosserra para  sustentar sua família.

8 – Se continuarmos sendo atacados e se ocorrer um conflito, a culpa será inteiramente da PM.


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