Pistoleiros matam mais um camponês no Pará

O trabalhador rural José Ribamar Rodrigues dos Santos foi assassinado na presença da mulher e dos filhos.

REDENÇÃO, PA – Fortemente armados, oito pistoleiros atacaram mais uma vez o acampamento Sardinha, em Redenção, no sul do Pará, e mataram o trabalhador rural José Ribamar Rodrigues dos Santos. Mais de 30 famílias se encontravam no local na hora do ataque. Santos foi morto com vários filhos. Os pistoleiros o mataram na presença de sua mulher e seus três filhos — uma menina de três anos e dois meninos, um de 7 e outro de 5 anos.

O bando chegou ao local por volta das 21h30. Além de fortemente armados, os pistoleiros estavam encapuzados, vestidos com roupas camufladas, alguns usavam coletes e diziam serem policiais. “Foi mais um ato de covardia”, disse José Gonçalves de Moura Neto, da Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetagri). Moura Neto diz que o ataque só aconteceu devido à omissão das autoridades paraenses.

Eles efetuaram dezenas de disparos e fugiram quando as famílias correram para pedir socorro a dois caminhões que passavam na pista. A essa altura, no entanto, o lavrador José Ribamar Rodrigues dos Santos tinha sido gravemente ferido. Santos chegou a ser levado ao hospital de Redenção, mas não resistiu aos ferimentos, e morreu enquanto recebia atendimento.

Desde setembro os trabalhadores vinham sendo ameaçados. As famílias registraram ocorrência na Delegacia Especial de Conflitos Agrários (Deca) e denunciaram a existência dos pistoleiros e milícias armadas na região. Mas, segundo a Comissão Pastoral da Terra (CPT), nenhuma providência foi tomada. Com a omissão do Estado, os pistoleiros foram até ao local e cumpriram as ameaças.

As famílias atacadas pelos pistoleiros estão acampadas às margens da BR-158. A área fica próxima à Fazenda Vaca Branca — também conhecida por Fazenda Santa Maria — no município de Redenção, e pertence a Maria de Fátima Gomes Ferreira Marques.


Barracos incendiados

O ataque desta semana não é o primeiro ao acampamento. As famílias já haviam sido molestadas há menos de um mês e as autoridades do Pará tinham conhecimento do fato. No dia 16 de outubro, o acampamento Sardinha foi atacado por oito homens — podem ser os mesmos que retornaram ao local.

Naquela ocasião, além de alvejaram as famílias à bala, os pistoleiros tocaram fogo nos barracos, destruíram todos os pertences das famílias e ainda ameaçaram de morte os trabalhadores. No dia do ataque, eles mataram um cachorro e ainda obrigaram José Ribamar a deitar-se no chão, na presença de sua família.

Aos berros, eles ameaçavam: “deita pra tu morrer ao lado do teu cachorro”. Mas, graças aos apelos dos demais trabalhadores, José Ribamar dos Santos não foi morto naquele dia. Após o ataque, as famílias procuraram a Deca e pediram providências no sentido de identificar os pistoleiros, uma vez que eles tinham avisado que retornariam ao acampamento para “completar o serviço”, ou seja, para matar Ribamar dos Santos.

“Até quando pistoleiros, policiais criminosos e mandantes de assassinatos vão continuar agindo impunemente no sul do Pará, em especial em Redenção?”, indaga frei Henri Burin des Roziers, advogado da Comissão Pastoral da Terra na região. Henri des Roziers também está jurado de morte por causa da sua luta em defesa dos trabalhadores rurais.

Por Chico Araújo – Agência Amazônia de Notícias
chicoaraujo@agenciaamazonia.com.br