Camponeses de Machadinho do Oeste (RO) resistem a ataque do ‘Invasão Zero’

Luta camponesa

Reproduzimos abaixo matéria publicada no portal de notícias A Nova Democracia em 02 de abril de 2025.

Os camponeses do Acampamento Gedeon José Duque, em Machadinho do Oeste (RO), organizado pela Liga dos Camponeses Pobres (LCP), foram atacados nesta segunda-feira (31/03) por pistoleiros coordenados pelo grupo Invasão Zero de Rondônia, segundo denúncias veiculadas pela LCP e pela Associação Brasileira de Advogados do Povo Gabriel Pimenta (Abrapo). 

Segundo os relatos, os camponeses entraram em confronto com as forças latifundiárias e conseguiram repelir o ataque. Dois camponeses foram baleados. Os moradores informam que há a possibilidade de que um novo ataque seja realizado no dia 02/04 com um número de pistoleiros ainda maior. 

O Acampamento Gedeon José Duque, localizado próximo às áreas Gonçalo e Valdiro, possui em seu interior 120 famílias, que tiveram suas vidas ameaçadas pelas hordas de pistoleiros do infame grupo Invasão Zero. A área ocupada pelos camponeses comporta quatro fazendas em terras públicas que foram griladas e deveriam, segundo a lei do próprio Estado brasileiro, ser destinadas a camponeses sem terra. 

Apesar disso, os latifundiários de Rondônia se sentem no direito de armar ostensivamente grupos paramilitares e atacar os camponeses. Junto a eles, o governo do Estado mobiliza a Polícia Militar (PM) e outras forças de repressão para fazer a segurança dos pistoleiros: em 2021 o governador e PM Marcos Rocha (UNIÃO) pediu ao então ministro da Justiça e atual réu por trama golpista, Anderson Torres, para enviar a Força Nacional e o Exército reacionário brasileiro para reprimir os camponeses da região. 

No ano passado, os camponeses de Machadinho do Oeste enfrentaram uma série de ataques coordenados entre pistoleiros e policiais. Em março de 2024, um bando de pistoleiros a serviço do latifundiário “Ivo da Ipê”, acobertados pela Polícia Federal, procuraram impor terror e foram repelidos pela autodefesa organizada pela população local. 

Os ataques contra os camponeses de Machadinho D’Oeste se somam a outros crimes cometidos por latifundiários contra camponeses e indígenas nas últimas semanas. Na Bahia, camponeses sofreram com ataques sucessivos de latifundiários organizados pelo movimento paramilitar “União Agro Bahia”, dias antes da Polícia Civil realizar uma operação macabra contra os indígenas Pataxó e Pataxó Hã-hã-hãe seguidos de um massacre brutal promovido pela Polícia Civil daquele estado. 

No Mato Grosso do Sul (MS), indígenas Guarani-Kaiowá sofreram com incursões covardes do latifúndio. Informações exclusivas de AND apontam que os pistoleiros armaram e financiaram o assassinato de uma família indígena, queimando-os vivos.  

Segundo informações, os pistoleiros se intimidaram com a divulgação da notícia pela página oficial da ABRAPO no Instagram, mas seguem mobilizando hordas cada vez mais volumosas e se preparando para uma nova investida contra os camponeses.