‘Imprensa lixo’ de Rondônia acusa novamente a LCP: ‘organização criminosa com alto grau de organização e violência’

Luta camponesa

Republicamos abaixo matéria divulgada no Jornal A Nova Democracia em 27 de janeiro de 2026

Organização camponesa combativa, LCP, toma terras do latifúndio. Foto: AND.

Após o assassinato covarde do dirigente camponês Adeildo Gonçalves Calheiro, de 43 anos, conhecido como “Flecha”, por tropas do Batalhão de Operações Especiais do Mato Grosso, a “imprensa lixo” de Rondônia correu para promover novas acusações contra a Liga dos Camponeses Pobres (LCP) buscando satanizar a luta pela terra, após o dia 23 de janeiro.

O portal lixo “Expressão de Rondônia”, por exemplo, acusa prontamente o dirigente camponês Flecha de ser “líder da organização criminosa Liga dos Camponeses Pobres” e, temerosa, continua descrevendo a LCP como “conhecida pelo elevado grau de organização e violência em disputas agrárias”. Os “espadachins a soldo” do latifúndio dizem ainda que em Rondônia já foram apreendidos “armamentos de grosso calibre, coletes balísticos e rádios comunicadores vinculados ao grupo”. O portal também afirma que a LCP “tem forte atuação em Rondônia”. 

Outro portal lixo, “Inforondônia”, vai além e diz que “a Liga dos Camponeses Pobres é conhecida por disputas armadas em áreas rurais e por elevado nível de organização” e que “em ações anteriores, forças de segurança já haviam apreendido fuzis e metralhadoras”. Os epítetos de demonização não são novos, e somam-se a outros já utilizados, de que a LCP é uma “organização guerrilheira”, as tomadas de terras são “bases de guerrilhas” e que os camponeses promovem o “terror” dos latifundiários.

Curiosamente, a imprensa lixo não menciona o verdadeiro terrorismo praticado pelos latifundiários. A Operação Amicus Regem, deflagrada em julho de 2020 pela Polícia Federal com atuação do Ministério Público Federal (MPF) em Rondônia, desarticulou o maior grupo paramilitar a soldo do latifúndio na região. A investigação apontou que latifundiários, advogados, servidores públicos e agentes de repressão, incluindo policiais militares, atuavam de forma articulada, a soldo do latifúndio, para manipular processos de desapropriação no âmbito da “Justiça Federal”, inflar indenizações pagas pelo Incra e garantir, por meio de intimidação armada e proteção privada ilegal, o controle territorial de extensas áreas rurais, atacando com aparatos de guerra as comunidades camponesas. Em contexto de ataque, os camponeses têm lançado mão da autodefesa armada, que segundo a LCP, “é um direito sagrado das massas” e não terrorismo.

Em resposta às acusações, a Comissão Nacional das LCP é altiva em ressaltar que, ao contrário das acusações baixas e vis que fazem os veículos de imprensa lixo, “o companheiro ‘Flecha’ não é e nem nunca foi um bandido”. “É um destacado e querido dirigente camponês, comprometido até a última gota de sangue com a Revolução Agrária, que participou das lutas nas áreas Lamarca I e Lamarca II; entrou no movimento assumindo todas as tarefas necessárias, tendo contribuído para que as massas conquistassem sua tão sonhada e sagrada terra em Santa Elina, Gonçalo I e Gonçalo II, Raio de Sol, Canaã, Renato Nathan 2 e Valdiro Chagas. Corajoso, também levantou o glorioso nome de Gedeon na região de Machadinho D’Oeste”. 

“Levantamos bem alto o nome do companheiro, mil vezes odiado pelo velho Estado e pelo latifúndio, por ter contribuído para derrotá-los em diversas batalhas. Sua honrada vida e sua morte em combate nos faz mais fortes. Companheiro ‘Flecha’: presente na luta!”, conclui a LCP.