Realizado o I Seminário contra a criminalização da luta pela terra

Ocorreu no dia 18 de fevereiro, na cidade de Manga/MG, o I Seminário contra a criminalização da luta pela terra, realizado pela Liga dos Camponeses Pobres do Norte de Minas e Bahia e o Comitê de Apoio a Luta pela Terra em Manga.

Participaram do seminário cerca de 100 camponeses pobres, vindos de várias cidades do norte de Minas e sudoeste da Bahia. A Liga Operária, a Comissão Pastoral da Terra em Manga (CPT), o Sindicato dos Servidores Públicos de Manga e o Sindicato dos Trabalhadores nas Industrias da Construção Civil de Belo Horizonte e região (MARRETA) compuseram a mesa do evento, manifestando seu apoio ao movimento camponês combativo e veemente repúdio à criminalização da luta pela terra em nossa região e por todo o país.

O debate foi aberto com uma esclarecedora e contundente palestra do professor Fausto Arruda, membro do Conselho Editorial do jornal A Nova Democracia, que tratou sobre a crise do sistema capitalista e os desafios e perspectivas para o avanço da Revolução Agrária em nosso país, além da exibição de filmes sobre as perseguições ao movimento camponês e os companheiros tombados na luta pela terra.

A luta pela tomada da Fazenda Beirada, latifúndio símbolo do atraso e trabalho escravo no norte de Minas Gerais e sudoeste da Bahia, esteve presente em várias falas durante todo o Seminário. Coordenadores da Liga dos Camponeses Pobres denunciaram as ameaças de morte contra lideranças e apoiadores do movimento e os fatos ocorridos na noite do dia 22 de novembro do ano passado, quando pistoleiros fortemente armados a soldo do latifundiário/arrendatário Rogério Cabral e que contaram com a conivência da Polícia Militar atiraram, jogaram bombas e colocaram fogo nos pertences das famílias camponesas.

Famílias camponesas do Para Terra I, assentamento da cidade de Varzelândia/MG, participaram ativamente dos debates, denunciando a tentativa de expulsão da comunidade levada a cabo pelo próprio Estado que ameaça despejar as 35 famílias que há quinze anos vivem, trabalham e produzem naquelas terras para a suposta criação do “Território Quilombola do Brejo dos Crioulos”.

Camponeses da comunidade Baixa Funda, acampamento da cidade de Manga no qual mais de 110 famílias resistem há quase vinte anos e que também estão sendo ameaçados de serem expulsas pelo estado, deixaram claro sua decisão de resistirem em cima de suas terras à sétima reintegração de posse que enfrentam desde que ocuparam pela primeira vez o latifúndio Fazenda Marilândia.

Mais uma vez, a cidade de Manga foi sacudida pela agitação e propaganda da Revolução Agrária e todos os presentes saíram ainda mais decididos em resistirem à crescente criminalização da luta pela terra, tomando e cortando todas as terras do latifúndio!

Abaixo a criminalização da luta pela terra!

Viva a Revolução Agrária!

Comitê de Apoio a Luta pela Terra em Manga