RO: Militares torturam camponeses do Acampamento Tiago dos Santos

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Em 2020, o Acampamento Tiago dos Santos recebeu solidariedade de todo o país. Na imagem, uma pichação feita em apoio ao acampamento e contra a militarização promovida pelo Exército reacionário na Amazônia (Operação Verde Brasil 2), registrada no Paraná em novembro. Foto: Banco de dados AND

No dia 16 de fevereiro, camponeses do Acampamento Tiago dos Santos, em Nova Mutum-Paraná, Rondônia, foram ameaçados e torturados por policiais militares em um “bolicho” (pequeno comércio) localizado em uma das estradas que dá acesso à área.

A abordagem aconteceu por volta das 16 horas, quando três viaturas com cinco policiais militares chegaram ao local. Durante a ação, proferindo palavras de baixo escalão e preconceitos, agrediram diversos camponeses que estavam no local entre eles os donos do comércio, idosos e uma camponesa que foi humilhada durante a tortura pelo fato de ser lésbica.

De acordo com o relato enviado ao AND, as perguntas feitas pelos militares em meio a sessão de tortura buscavam identificar quem seriam os dirigentes. Os camponeses que sofreram o ataque foram ameaçados de morte caso denunciassem.

“Perguntaram quem era o mandante, falei que não sabia, disseram: Se não falar vou cortar teu pescoço!”. Relatou a camponesa que também afirmou ter sido ameaçada por todos os policiais presentes, como os demais trabalhadores torturados.

Ao descrever a tortura, a camponesa relata que iniciaram a sessão de tortura com insultos se referindo a ela como vagabunda. Perguntaram se ela queria apanhar de homem ou mulher e em seguida disseram: “Tu não quer ser homem, vai ser tratado que nem homem, apanhar que nem homem, sapatão barrela”. Seguiram afirmando: “Tenho nojo da raça de vocês”.

A camponesa relata que uma policial a mandou abrir as pernas perguntando se ela aguentava “porrada”. Ao responder que iam bater nela à toa, pois não havia feito nada, a policial chutou com um coturno com platina a perna. Ainda segundo relato, enquanto chorava de dor um policial perguntou o porquê ela estava chorando, e ao tentar responder a policial a mandava calar a boca.

“Eles falaram que era pra mim falar, ficava um num ouvido e outro no outro. Um falava uma coisa e quando eu falava que não sabia, o outro lá pegava e falava outra coisa. […] Eles botaram tanto pânico na minha cabeça, um de um lado, outro do outro, outro atrás cutucando, o da frente falando bobagem. Perguntaram meu nome e não estava sabendo nem meu nome”. Afirmou a camponesa.