No dia 10 de janeiro, 350 famílias camponesas que há 6 (seis) vivem, trabalham e lutam nas terras que durante anos foi explorada pela falida usina João de Deus, montaram um bloqueio na principal via de acesso as cidades de Atalaia e Capela, para barrar a reintegração de posse emitida pela Vara Agrária a mando do latifúndio.
Em 2011, a mesma Vara Agrária negou por três vezes a reintegração, alegando que nem a João de Deus (Sergio Moreira) nem a usina Uruba (Dep. Federal João Lyra) tinham como comprovar a propriedade das terras da fazenda Pitombeira e “seus anexos”.
Ainda em 2011, no mês de dezembro, capangas do senhor Sergio Moreira atearam fogo em 30 barracos, dos camponeses da Pitombeira e uma companheira foi ferida no braço nesta ação criminosa.
Quando os camponeses foram denunciar à polícia local este acontecimento, a mesma negou fazer o Boletim de Ocorrência (BO). Mas, registrou a denúncia mentirosa do Usineiro, alegando que os camponeses atearam fogo em suas produções.
Baseando-se nesta mentira e no argumento de que a LCP não cumpre decisões judiciais, a Vara Agrária concedeu a reintegração de posse contra as centenas de famílias de camponeses pobres acampadas na Pitombeira.
Por esta razão, estas famílias se rebelaram e tomaram uma decisão histórica, resistir a reintegração e defender suas produções!
O povo se organizou, fechou a estrada, distribuiu panfleto explicando a situação e atravessaram carros da Usina Uruba na estrada como forma de garantir o bloqueio. Com palavra de ordem, agitavam VIVA A REVOLUÇÃO AGRÁRIA! TERRA PARA QUEM NELA TRABALHA!
Os policiais se sentiram intimidados com a combatividade das massas. Tanto que mesmo o juiz da Vara Agrária sendo irredutível em sua decisão, o major da PM/AL não deu o comando da ação, porque sabia que aquele povo estava disposto a lutar até o fim por suas terras.
A Vara Agrária e a PM/AL suspenderam a reintegração e puxaram uma reunião para tentar “negociar” a situação. Mas, continuaram mantendo a ação em juízo.
Na reunião, os camponeses se recusaram a sair da área ou qualquer acordo de remoção pacífica. Um camponês, presente nesta reunião, afirmou: “Destas terras só saímos num caixão e qualquer fatalidade que aconteça a estas famílias é de responsabilidade do governo Dilma, que não faz nada pelo povo do campo, do governo de Alagoas, do INCRA, da vara Agrária, da Polícia e do latifúndio!”
A reforma agrária agoniza e o velho Estado aumenta a repressão. Mas, o povo está disposto a resistir e a Revolução Agrária aponta como o único caminho capaz de responder a altura aos ataques deste Estado burguês-latifundiário serviçal do imperialismo.