Quilombolas pretendem resistir a tentativa de despejo em Reserva do Iguaçu

Cerca de 55 famílias da comunidade quilombola Invernada Paiol de Telha, de Reserva do Iguaçu, no centro-sul do Paraná, estão ameaçados de despejo. A reintegração de posse está marcada para ocorrer esta semana, mas os quilombolas anunciaram que pretendem resistir a ela.

O juiz da Vara Cível de Pinhão, Gabriel Leão de Oliveira, expediu mandado de reintegração de posse contra os quilombolas desconsiderando que o próprio Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) reconhece a área como quilombola, apesar de não ter a titulado.

Como forma de reivindicar a titulação do seu território tradicional, os quilombolas ocuparam mais terras no dia 14 de dezembro do ano passado.

“Estamos cansados de ser deixados para trás, de não termos nunca nada que seja de concreto para nós. Estamos tomando uma área que é nossa, garantida em processo, garantida em decreto, e em todas as instâncias que a comunidade foi chamada. Estamos no nosso direito, sim.”, frisou a presidente da Associação Quilombola Paiol de Telha, Mariluz Marques, em entrevista ao Terra de Direitos.

“Não sabemos o que vai ser da comunidade, com mulheres, idosos, crianças. Essas famílias vão pra onde? Pras cidade, periferias, favelas?”, pontuou a integrante da coordenação executiva da Coordenação Nacional das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq), Ana Maria Santos da Cruz a mesma entidade democrática.

“Nós não podemos ter um projeto de ter água, de ter energia, ter moradia, porque não temos o título. O pessoal está em situação de miséria”, denunciou Ana Maria.

Há dez anos os quilombolas da Invernada Paiol de Telha lutam pelo seu território tradicional, no qual as terras ocupadas estão registradas em nome da Cooperativa Agrária.

A falência da política de demarcação

As demarcações dos territórios indígenas e quilombolas, assim como a chamada reforma agrária, são políticas falidas. Os consecutivos gerenciamentos de turno têm sistematicamente boicotado estas políticas.

Em todo o país são mais de 1,7 mil processos de processos de titulação de territórios quilombolas em andamento. No Paraná, nenhum território quilombola foi titulado pelo Incra.