Retomada da Terra Indígena Cachoeirinha em 2013. Foto de Ruy Sposati / Cimi

Povos Guarani e kaiowá e Terena resistem às ameaças de despejo

Retomada da Terra Indígena Cachoeirinha em 2013. Foto de Ruy Sposati / Cimi
Retomada da Terra Indígena Cachoeirinha em 2013. Foto de Ruy Sposati / Cimi

Os povos Guarani e Kaiowá e Terena nas últimas semanas têm sido ameaçados por uma série de mandados de reintegração de posse no estado do Mato Grosso do Sul. Entretanto, eles com coragem e determinação afirmaram que pretendem resistir a qualquer tentativa de despejo pelas forças de repressão do velho Estado.

A situação em Caarapó

Os guarani e kaiowá do tekoha Pindo Roky anunciaram que pretendem resistir às tentativas de reintegração de posse a serem cumpridas pelas Polícias Federal e Militar no município de Caarapó, sul do Mato Grosso do Sul.

A data para o cumprimento do mandado de reintegração de posse ainda não foi definido pelo Tribunal Regional Federal da 3ª. Região (TFR), que negou o pedido de suspensão do despejo feito pela Fundação Nacional do Índio (Funai).

No dia 9 de abril, frente ao anúncio dos guarani e kaiowá dos tekohas Guapoy e Jeroky Guasude que resistiriam a reintegração de posse, os mandados de despejo contra estas comunidades foram suspensos temporariamente por decisão emergencial do Supremo Tribunal Federal (STF).

O tekoha Pindo Roky, situado dentro da Terra Indígena Dourados Amambaipeguá 1, entrou na mira do Judiciário e das forças policiais. Contra ele existe um mandado de reintegração de posse expedido em favor do latifundiário Orlandino Carneiro Gonçalves, pretenso proprietário da fazenda Santa Helena. Ele é réu confesso no assassinato do guarani e kaiowá Denilson Barbosa, de 15 anos, em 2013.

A situação em Aquidauana

Os terena que ocupam as fazendas Água Branca e Capão das Araras, no município de Aquidauana, se mantêm alertas e mobilizados contra qualquer tentativa de despejo pelo velho Estado ou pelo latifúndio mesmo com a suspensão temporária dos mandados de reintegração de posse pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no dia 9 de abril.

Os mandados foram solicitados pela empresa Vinepa Agropecuária e por Yonne Alves Correa, sendo concedidos pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3).

As fazendas Água Branca e Capão das Araras são sobrepostas a Terra Indígena Taunay-Ipegue, território dos terena.

Histórico de resistência

Nas últimas décadas, os guarani e kaiowá e os terena vêm avançando no processo de retomada do seu território tradicional, que foi sendo expropriado ao longo dos séculos e resultou no confinamento dos indígenas em reservas ou em acampamentos, normalmente às margens de estradas.