Camponeses são atacados a tiros

Buritis, 11 de novembro de 2008

Na madrugada do dia 10 de novembro, policiais civis e militares do município de Buritis realizaram uma operação no distrito de Jacinópolis e nas linhas 5 e BR421 na área Capivari.

Ao todo quatro camponeses foram presos na operação, um deles é dono de um bar em Jacinópolis. Os outros camponeses são de uma das famílias mais antigas da região e moram na linha 5, um deles é o seu Floriano que têm 60 anos de idade e mora e trabalha na região com sua família.

Durante a prisão do camponês Marquinho, os policiais dispararam e acertaram um tiro em sua mulher atravessando as duas pernas, felizmente ela está bem.

Os policiais ainda se recusaram a levar a mulher ao hospital, mas mudaram de ideia devido à pressão da família que estava no local. Os camponeses presos estão na delegacia de Buritis.

A alegação dos policiais é de que a operação visa combater “pistoleiros” e “terroristas” que atuam na região de Jacinópolis.

A operação segue em Jacinópolis e região com a utilização de motos e carros descaracterizados e com policiais usando capuzes. Segundo a própria policia civil a orientação é de eliminar as pessoas que estão sendo procuradas e não prendê-las. Esta é na verdade a forma de atuação da polícia de Buritis, ou seja, assassinar pobres.

Paralelo a esta operação, está em curso uma tentativa de alguns empresários, advogados, latifundiários e policiais civis de Buritis grilarem uma grande área de terras na BR-421 entre o distrito de Fortaleza até o rio Formoso, utilizando títulos antigos de um ex-dono de seringais (conhecido como Bersabá), ainda na época em que as terras da região eram registradas em Manaus-AM.

Segundo denúncia dos camponeses da região, o delegado Iramar da policia civil de Buritis seria um dos envolvidos na grilagem de terras. Por “coincidência” também comanda a operação policial na região.

Há cerca de dois meses, pequenos proprietários de terras que residem próximo do distrito de Jacilândia, afirmaram ter visto pessoas estranhas realizando levantamento por GPS dentro de suas propriedades e os expulsaram. Segundo disseram, este levantamento serviria para forjar títulos de posse em nome do tal Bersabá na tentativa de expulsar os camponeses de suas terras.

É provável que esta operação policial tenha como objetivo, abrir caminho para a atuação deste grupo de grileiros na região ao mesmo tempo em que ataca a luta dos camponeses pobres.

Esta ação absurda e criminosa não pode ficar impune!
Exigimos apuração das denúncias de envolvimento do delegado Iramar na grilagem de terras!
Exigimos a punição dos policiais que dispararam contra os camponeses!
Liberdade imediata para os camponeses presos!
O povo quer terra, não repressão!

Liga dos Camponeses Pobres de Rondônia e Amazônia Ocidental