resistência indígena

Contra a invasão de territórios indígenas! Todo apoio a resistência dos povos indígenas!

Desde o início do ano se
intensificaram os ataques aos povos originários. Só em janeiro foram mais de 8
invasões a terras indígenas além de diversos ataques de bandos armados do
latifúndio e agentes do velho Estado.

A
vitória eleitoral de Jair Bolsonaro (PSL), suas medidas e manifestação pública
contra os povos indígenas, quilombolas e camponeses encorajam as ações dos
bandidos latifundiários (especuladores e agronegócio), banqueiros, empreiteiras, e monopólios estrangeiros
(especialmente os ligados a madeira, construção de hidrelétricas e mineração
como a criminosa Vale) que visando o lucro máximo, não medem
esforços em expulsar os verdadeiros donos da terra, rasgam as próprias leis de
seu genocida Estado de grandes burgueses e latifundiários e passam o rolo
compressor sobre quem se tornar obstáculo aos seus planos criminosos de
exploração e pilhagem das nossas riquezas.

Em
Rondônia pelo menos dois territórios indígenas foram invadidos nesse ano (Uru
Eu Wau Wau e Karipuna). Os chefes dos invasores afirmam que tem apoio do
governo, que “agora é Bolsonaro”, que a ordem para a invasão “veio de fora” e
que os índios não tem mais nenhum órgão para defendê-los. No meio desses
invasores há algumas pessoas enganadas da região de Jaru, mas a maioria são
aproveitadores, são fazendeiros ou madeireiros médios e grandes, açulados,
financiados e organizados por latifundiários e deputados.

Esses
grileiros a soldo de latifundiários e politiqueiros locais querem se adonar da
madeira e de vastas extensões de terras com riquezas ainda intocadas. Para isso
buscam forçar a redução e revisão da homologação de terras indígenas, assentados
no discurso fascista de Bolsonaro de que “há muita terra pra pouco índio”. O
gerenciamento de Bolsonaro é governo de latifundiários, anti-povo,
obscurantista e vende-pátria. E não se pode esperar desse gerenciamento nada a
favor dos povos indígenas a não ser o aumento de modificações na legislação
ameaçando os já pouco reconhecidos direitos dos povos indígenas, e a cobertura
e legitimidade para o incremento das agressões e genocídio.

No
meio dessa situação circula a “boca pequena” calúnias partindo de gente de
objetivos obscuros, ligadas a ONGs financiadas e agentes de interesses
estrangeiros, com insinuações de que a LCP estaria envolvida com essas
invasões.

Uma
vez mais queremos deixar claro que as Ligas de Camponeses Pobres não apoiam e
não promovem invasões em terras indígenas, muito ao contrário as condenam e as
combatem!

Os povos indígenas, camponeses pobres, quilombolas
e
demais massas populares têm inimigo
comum

Reconhecemos na questão indígena não uma mera questão de
direito à demarcação de terras. A questão indígena, questão dos povos
originários destas terras, é o problema de minorias étnicas e nacionais. As
populações indígenas em todo território dos continentes americanos resultam de
trágica e heroica resistência ao genocídio continuado e à cultura de dominação,
exploração e destruição da empresa de conquista e de colonização das classes
dominantes europeias, ao longo de mais de 500 anos, política esta aprofundada
pelo domínio colonial/semicolonial norte-americano nos últimos 200 anos.

Sustentamos em nosso programa agrário e na luta por uma nova
democracia e um Brasil Novo o direito inalienável a autodeterminação dos povos
indígenas. Empenhamos nossos esforços para integrar nossa luta pela terra e
pela nova democracia com a luta indígena, a qual passa pelo rechaço à
intervenção e controle exercido pelo velho Estado através de seu instrumento de
tutela, a Funai e outros órgãos, bem como as ações e ingerências que em nome da
“defesa dos povos indígenas” não passam de tráficos com a causa dos povos
indígenas e de espionagens de potências estrangeiras sob a cobertura de determinadas
ONGs ou de injunções tais como o do gringo, tristemente conhecido, Instituto
Linguístico de Verão.

A partir do reconhecimento desta
condição dos povos indígenas verificamos que eles, junto do restante das massas
populares, têm um inimigo comum, o velho Estado de grandes burgueses e
latifundiários serviçais do imperialismo, principalmente ianque. As causas de
cada um são parte integrante da luta de libertação de nosso povo e nossa
pátria.

Por isso a luta das Ligas de Camponeses
Pobres que se inicia com a luta pela conquista da terra, pela Revolução Agrária
e destruição do latifúndio, e a luta dos povos indígenas têm o mesmo inimigo
comum e imediato: os latifundiários. Classe usurpadora das terras indígenas e
quilombolas e grileiras das terras juridicamente da União; classe mais
reacionária e bandidesca que compõe o velho Estado há séculos. Os
latifundiários, estes sim os verdadeiros ladrões de terra, maiores exploradores
e genocidas, classe que é enaltecida pela publicidade da rede globo, mas que é
a principal responsável pelo atraso e infelicidade dos povos indígenas, quilombolas,
camponeses e demais pobres do campo e cidade.

Por fim reafirmamos nossa decisão de
perseguir o objetivo de tomar todas as terras do latifúndio, cortar em pequenas
parcelas e entregar aos camponeses pobres sem terra ou com pouca terra!

Reafirmamos nosso reconhecimento ao
direito à autodeterminação dos povos indígenas!

Reafirmamos nosso repúdio a qualquer
invasão de territórios indígenas!

E reafirmamos nossa decisão de apoiar a
luta e resistência dos povos indígenas, de buscar alianças e efetivar esse
apoio nos fatos, nos dispondo a lutar ombro a ombro na defesa de seus
territórios ameaçados!