Camponês José Gonçalves conquista a liberdade!

O camponês José Gonçalves Filho foi libertado do famigerado presídio Urso Branco no último dia 30 de janeiro. Ele ficou dois meses preso, acusado injustamente do assassinato de três camponeses em União Bandeirantes no final de 2008.

União Bandeirantes foi o palco de um dos ataques recentes mais arbitrários e criminosos contra camponeses cometido em setembro passado pela Polícia Ambiental e pistoleiros a serviço do latifundiário-grileiro Luis Carlos Garcia (Luis da Dipar).

Foi mais um episódio da saga de criminalização dos camponeses em luta pelo sagrado direito à terra. Neste ataque covarde 30 policiais comandados por Josenildo Nascimento, chegaram ao acampamento atirando contra os camponeses a uma distância de 400 metros, prenderam 10, dos quais 3 eram mulheres, além do camponês Gerolino, um senhor de quase 60 anos de idade.

Os outros 6 camponeses foram torturados pelos policiais e depois, todos foram levados para o Urso Branco, sem julgamento, exceto Gerolino, seriamente doente, que foi levado ao Hospital João Paulo II (em Porto Velho), onde ficou uma semana algemado em uma cadeira. É bom lembrar que na época do ataque a justiça federal deu ganho de causa para o Incra, ou seja, a justiça afirmou que o Sr. Luis da Dipar não é o proprietário das terras pelas quais os camponeses estão lutando.

Nenhum dos responsáveis por estes crimes foi punido. O chefe dos pistoleiros que participou dos ataques é o Sr. Adaílton, bandido muito temido na região. Depois, quando da morte dos 3 camponeses, testemunhas afirmaram que os assassinos estavam numa caminhonete preta. Adaílton tem uma com estas características e outras pessoas ainda afirmaram terem visto ele e outros homens na caminhonete em uma lanchonete em União Bandeirantes no dia do triplo homicídio. Apesar de várias evidências e denúncias, Adaílton seguiu solto enquanto José Gonçalves ficou dois meses preso.

Neste tempo, José conheceu de perto o inferno que é aquela verdadeira masmorra medieval. Ele relatou as péssimas condições a que os presos são submetidos: péssima alimentação, a estrutura do presídio cheia de rachaduras, espancamentos e todo tipo de covardia na quadra onde os presos deveriam praticar esportes. José também falou sobre o lugar mais temido por todos os presos – o cofre – que é um caixote de concreto armado, só com uma porta, onde não entra luz, com capacidade para 20 pessoas, mas onde são jogados de 80 a 90 presos.

Repercussões da Missão da IAPL no presídio Urso Branco

José testemunhou a visita da Missão Internacional de Investigação e Solidariedade da IAPL no presídio, no início de dezembro passado e a repercussão positiva para os presos. A primeira mudança sentida foi no dia mesmo da visita de advogados da Argentina, Bélgica, Bolívia, Brasil, Holanda, Filipinas e Turquia.

Quando os presos começaram a prestar depoimentos os agentes penitenciários ficaram próximo com arma em punho, em posição intimidatória. Mas por exigência dos advogados os agentes foram obrigados a sair.

Depois, a comida – que até então era mais uma lavagem cheia de salitre, sem gordura e tempero, melhorou. Um dia após a visita dos advogados foi servido até tambaqui frito. A principal consequência das denúncias de várias entidades e pessoas democráticas dos absurdos cometidos no Urso Branco foi a interdição do presídio decretada pelo juiz da Vara de Execuções Penais de Porto Velho, Sérgio William Domingues Teixeira, logo depois da Missão da IAPL em Rondônia. Os presos com penas leves estão sendo liberados para concluírem-nas em albergues.

Apesar de toda a injustiça que sofreu deste Estado criminoso a serviço do latifúndio, José saiu da masmorra Urso Branco otimista e confiante na luta. As torturas, prisões e até assassinatos infelizmente é o preço que nós camponeses pobres pagamos por lutarmos por justiça e liberdade, mas a Revolução Agrária é o único caminho para resolver a fome e miséria do povo e livrar o país dos latifundiários criminosos.

Veja mais detalhes e fotos da missão da IAPL no endereço: https://www.cebraspo.com/boletim-92-10-de-janeiro-de-2009/93-advogados-do-povo-denunciam-as-condicoes-do-presidio-urso-branco.html

Punição imediata para Adaílton!
Punição para o comandante da Polícia Ambiental Josenildo Nascimento, demais policiais e pistoleiros envolvidos no ataque aos camponeses e o latifundiário mandante Luis da Dipar!
O povo quer terra, não repressão!
Morte ao latifúndio! Viva a Revolução Agrária!

LCP – Liga dos Camponeses Pobres de Rondônia e Amazônia Ocidental

Jaru, 05 de fevereiro de 2009