Resposta ao jornal Folha de Rondônia

Em sua edição do dia 13 de novembro de 2008, o jornal Folha de Rondônia lança novamente em suas páginas falsas acusações contra a Liga dos Camponeses Pobres.

Com o título de “Sete homicídios atribuídos à LCP” o jornal tenta propositadamente inverter a realidade apresentando camponeses pobres como bandidos e assassinos, enquanto policiais corruptos e assassinos posam de “mocinhos”.

A LCP é uma organização de luta dos camponeses, guiada por princípios classistas, que mobiliza, organiza e politiza os camponeses para a conquista da terra através da Revolução Agrária.

Ao contrário do que dizem o jornal e a polícia nenhuma das pessoas presas pertencem a LCP, são camponeses que vivem e trabalham na região há anos e que estão sendo condenadas injustamente sem que tenha ocorrido julgamento.

Aliás, o julgamento que houve foi da polícia civil que durante a invasão da casa, nas suas ameaças, os policiais diziam que tinham ordem para matar e não prender aqueles camponeses! Desde quando a polícia pode aplicar pena de morte?

Repudiamos, portanto a tentativa do jornal de nos apresentar como quadrilha, e de querer vincular nossa organização com mortes que tenham ocorrido na região de Jacinópolis, acobertando desta forma os crimes que o latifúndio sempre cometeu nesta região.

O jornal preconceituoso e tendencioso adota sempre dois pesos e duas medidas: quando trata de um latifundiário ou “empresário” envolvido em roubos ou assassinatos, trata como vítima e que se deve apurar primeiro. Mas quando se trata da população pobre, principalmente os camponeses, botam logo a fotografia e taxam de bandidos.

Sabemos como este tipo de matéria sensacionalista serve para justificar todo tipo de campanha repressiva, abusos, prisões, torturas e assassinatos de camponeses pobres, transformando os trabalhadores de Jacinópolis e de Rondônia em alvos fáceis das balas da polícia e do latifúndio.

O jornal nada diz sobre os tiros disparados por policiais na operação e que atravessaram as duas pernas da esposa de um dos camponeses presos.

O delegado Iramar Gonçalves Silva nada diz sobre seu envolvimento em esquemas de grilagem de terras na região, tal como denunciamos em nota.

Iramar foi preso em 2004 pela Polícia Federal quando era delegado de Cacoal acusado de participar de uma quadrilha que comprava diamantes extraídos ilegalmente na reserva Roosevelt e vendia armas e munições para os índios cinta-larga. É o mesmo que a mando do mafioso Cassol acusou a LCP de ser grupo guerrilheiro e de ter vinculação com as Farc em entrevista a revista Istoé em março deste ano. Nenhuma das acusações foi provada caindo tanto o patrão como o pau mandado no descrédito!

Na época denunciamos que estavam preparando o terreno para as ações de repressão contra os camponeses em luta pela terra na região e que tais mentiras seriam desmascaradas.

Pouco tempo depois, no dia 19 de abril, trezentas famílias acampadas em Campo Novo foram atacadas por bandos armados do latifundiário Catâneo. Edson Luiz Liutti, genro do Catâneo, que nunca conseguiu provar sua propriedade sobre aquelas terras, pois são griladas, assumiu que comandou os pistoleiros e que atirou contra as famílias para expulsá-las da área.

No dia 29 do mesmo mês, Edson Dutra Barros foi assassinado quando se dirigia ao acampamento. Edson era membro das comunidades eclesiais de base da Igreja Católica em Buritis e prestava solidariedade aos acampados. Segundo relatam os camponeses que testemunharam o ataque dos pistoleiros um dos assassinos seria um policial civil de Buritis, mas temem falar por medo de represálias.

Casos de assassinatos de camponeses em Rondônia são inúmeros queremos aqui relatar alguns que aconteceram na região de Jacinópolis.

No dia 27 de novembro de 2002, Ozeías Martins de Souza foi feito refém por pistoleiros a mando do latifundiário Carlos Schumann e alvejado por dezenas de tiros a queima roupa, ainda tentaram queimar seu corpo. Na ocasião a polícia militar não registrou ocorrência e se negou a buscar o corpo do jovem.

No dia 26 de março de 2006, José Vanderlei Parvewfki e Nélio Lima do acampamento Jacinópolis II, foram assassinados com dezenas de tiros pelas costas por pistoleiros a mando do latifundiário Lourival Carlos de Lima. Junto com os camponeses estava o menino Lucas Kaoltchinfki que foi atingido com um tiro na cabeça, mas sobreviveu. Na época denunciamos que por várias vezes o delegado Iramar dirigiu operações da policia civil contra os camponeses daquela área e em várias delas Lourival esteve presente.

No dia 24 de novembro de 2007, Oziel Nunes de 28 anos, acampado na região de Jacinópolis foi para a cidade de Buritis quando policiais civis a paisana em carro particular começaram a persegui-lo pelas ruas da cidade. Como não possuía carteira de habilitação não quis parar e durante a perseguição acabou caindo de moto. Ao invés de prestar socorro, os policiais fizeram dois disparos a queima roupa na sua cabeça, provocando sua morte imediata.

Poderíamos aqui citar centenas de casos, mas estes bastam para revelar e demonstrar a estreita vinculação da polícia com o latifúndio em Rondônia e de como sempre utilizam os monopólios de comunicação para justificar todo tipo de violência contra os camponeses pobres.

No Brasil a podridão do aparelho de Estado, em particular seu aparato policial, não tem como ficar encoberta e é denunciada diariamente. Em Rondônia autoridades executivas, legislativas e judiciárias estão envolvidas, denunciadas e processadas por suas próprias instituições por uma infinidade de crimes. Convenhamos, um Estado podre e corrupto como este só pode parir de suas entranhas uma polícia corrupta e assassina como esta.

Conclamamos a todos os verdadeiros democratas, professores, estudantes e intelectuais honestos, simpatizantes e apoiadores a repudiarem mais esta farsa contra a luta dos camponeses pobres de Rondônia.

Liberdade imediata para os camponeses presos!
O povo quer terra, não repressão!

Liga dos Camponeses Pobres de Rondônia e Amazônia Ocidental
Comissão Nacional das Ligas de Camponeses Pobres

Jaru (RO), 14 de novembro de 2008