Vídeo: Retomada indígena é atacada brutalmente pela polícia em conluio com prefeito

Manoel Kinikinau, mesmo ferido na cabeça, diz que a resistência vai continuar!

Com informações do Comitê de Solidariedade aos Povos Indígenas (MS) 

No dia 1º deste mês de agosto, a Polícia Militar do Mato Grosso do Sul atacou covardemente indígenas da povo Kinikinau que ocupavam a Fazenda Água Branca, em Aquidauana, a 143 km da capital Campo Grande. A ação ilegal e sem ordem judicial ocorreu após cerca de 500 indígenas Kinikinau retomarem parte de seu território tradicional na região.

A ocupação ocorreu na fazenda, que, segundo os indígenas, tem como posseira a Fundação Bradesco e é uma área reivindicada pelo Povo Kinikinau há muitos anos, sendo reconhecida também por estudo antropológico já protocolado na Fundação Nacional do Índio (Funai).

A ação truculenta contou com mais de 100 policiais militares e, inclusive, o uso de um helicóptero, que atacou de surpresa os indígenas, incluindo mulheres e crianças, tudo em conluio com o prefeito de Aquidauana, Odilon Ribeiro.

Sob comando de prefeito de Aquidauana, Polícia Militar de Mato Grosso do Sul promove despejo forçado de comunidade indígena Kinikinau .Ação foi ilegal, sem ordem judicial!! Muitos indígenas feridos

Posted by Mídia Índia on Friday, August 2, 2019

Como mostra um vídeo de denúncia produzido por entidades indígenas, o próprio prefeito gravou um vídeo em que aparece dando apoio a polícia e comemorando a violência praticada contra os indígenas. Na ocasião, ele afirma a necessidade de “dar ordem e paz para o país”.

“Nós vamos buscar a apuração dos atos ilegais por parte dos policiais e do próprio prefeito que praticaram os atos ilícitos. O que assistimos ontem na região de Aquidauana foi uma coisa inusitada do ponto de vista da ilegalidade. Mato Grosso do Sul tem um histórico de comunidades atacadas por pistoleiros, mas você ter uma ação policial a luz do dia de forma clara e sob o comando de um prefeito é muito grave. Pra se ter noção, os policiais estavam em um ônibus escolar”, comentou Luiz Eloy Terena, advogado indígena da Apib (Articulação dos Povos Indígenas).

Mesmo com esse ataque covarde e toda a intimidação das forças de repressão do velho Estado burguês-latifundiário, o povo Kinikinau permanece sem baixar a cabeça e lutando por seu território tradicional. Em vídeo produzido por apoiadores de AND, a liderança Manoel Kinikinau, ferida na cabeça durante o ataque, afirma: “Eu sou indígena … a gente não vai parar por isso, a gente vai dar continuidade na luta!”.

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